Sonny Burgess, lenda do rockabilly, morre aos 88 anos

O showman da Sun Records já dividiu o palco com Elvis Presley, Johnny Cash e Roy Orbison

Rolling Stone EUA Publicado em 21/08/2017, às 14h28 - Atualizado às 14h47

Sonny Burgess
AP

O cantor e guitarrista de rockabilly Sonny Burgess morreu na última sexta, 18, no Baptist Health Medical Center, na cidade de Little Rock, no Arkansas, Estados Unidos. Ele tinha 88 anos.

Com a banda dele, The Pacers, Burgess criou alguns dos mais estridentes sons do rockabilly dos anos 1950. Tendo assinado com a Sun Records, de Sam Phillips, em 1956, o nativo do Arkansas (com sua banda) gravou “Red-Headed Woman” e “We Wanna Boogie”, trabalho de estreia deles na seminal gravadora. Apesar de os singles não terem atingido o mesmo nível de sucesso de outros artistas da Sun na época, o grupo chamou atenção pelas teatralidades e energia no palco.

No meio de 2015, Burgess, com 96 anos na época, roubou a cena quando ele participou de um show em tributo a Sam Phillips no Hall da Fama e Museu da Música Country em Nashville, tocando os dois clássicos do rockabilly já mencionados e sendo aplaudido de pé.

“Sempre ouvi meu pai dizer que Sonny foi um dos caras fenomenais com quem ele trabalhou”, Jerry Phillips, filho do fundador da Sun Records, Sam Phillips, contou ao Commercial Appealin Memphis. “Sonny tinha uma sonoridade própria e única – o que era o melhor elogio que Sam poderia te dar. Sonny tinha um pouco de Howlin' Wolf em sua voz, e é claro que meu pai gostava daquilo. Mas Sonny era um daqueles caras que viajou o mundo, teve uma ótima e longa vida e tinha pessoas que o amavam em todos os lugares. Sua falta será sentida.”

Albert "Sonny" Burgess nasceu em maio de 1929 em uma família que tinha uma fazenda de algodão em Newport, Arkansas. Na juventude, liderou uma banda de boodie-woogie, os Rock Road Ramblers, além de planejar se profissionalizar como jogador de baseball. Se alistou no exército durante a Guerra da Coreia e retornou aos EUA em 1953. Só então, Burgess fundou o The Moonlighters, uma banda local de dance que em 1955 dividiria o palco com dois dos artistas mais famosos da Sun Records: Johnny Cash e Elvis Presley. No mesmo ano, Burgess expandiu a banda e a renomeou de The Pacers.

Historiador da Sun Records, Colin Escott chegou a dizer que a gravação de "Red-Headed Woman"/ "We Wanna Boogie" era “punk antes do punk, thrash antes do thrash”. Apesar de nenhum dos singles do grupo na Sun terem sido grandes sucessos, Burgess relembrava a experiência com carinho, reconhecendo que era difícil registrar o frenético show deles em um disco.

Burgess e The Pacers entraram em turnê ao longo dos anos 1960, muitas vezes ao lado de Roy Orbison e Johnny Cash, também da Sun Records. Ele ainda fez shows como integrante da banda de Conway Twitty por algum tempo, antes de fazer turnês próprias e alguns shows pelo Arkansas com o grupo Kings IV. Em 1970, Burgess trocou a carreira na música por um trabalho como vendedor ambulante. Mas ele ainda se juntaria a um grupo de veteranos da Sun, incluindo D.J. Fontana, “Smoochie” Smith, Paul Burlison e Stan Kesler, tocando como a seção rítmica da Sun.

Na década de 1990, Burgess gravou dois álbuns que o expuseram para um novo público. Tennessee Border, pela Hightone Records, o equiparou ao ex-frontman do Blasters, Dave Alvin, em 1992. Quatro anos depois, a Rounder Records lançou um disco autointitulado produzido por Garry Tallent, da E Street Band, que contava com uma faixa inédita de Bruce Springsteen, “Tiger Rose”. Burgess também se reuniu com o Pacers no final dos anos 1990, fazendo shows ao redor do mundo ao longo da década seguinte. Sonny Burgess e The Pacers são integrantes do Hall da Fama do Rockabilly e do Hall da Fama do Rock da Europa.