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Spike Lee lança curta-metragem sobre a Copa do Mundo filmado em favela do Rio de Janeiro

The Game tem a trilha sonora cantada por Kelly Rowland e foi inspirado em longa de Hector Babeco

Kory Grow Publicado em 12/06/2014, às 14h00 - Atualizado às 14h40

Spike Lee
Chris Pizzello/AP

Assim que ouviu “The Game”, música na voz de Kelly Rowland que integra a compilação Beats of the Beautiful Game, com curadoria da marca Pepsi, o diretor Spike Pee sabia que gostaria de fazer um curta-metragem no Brasil. O motivo? “A Copa do Mundo!”, diz ele, enfaticamente, à Rolling Stone EUA.

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Lee a equipe de produção viajaram até o Vidigal, no Rio de Janeiro, para fazer o clipe de quatro minutos que pode ser assistido abaixo. O curta mostra o jovem garoto Luis Eduardo Matos, um amante de futebol que ganha uma bola de presente e passeia pela cidade. Na jornada fantástica, ele perde o objeto redondo, vai à praia, onde é rodeado por uma pequena escola de samba, e bate um pênalti dentro de um estádio de futebol.

O diretor se inspirou em dois filmes para criar esse conceito: o brasileiro Pixote, de 1981, e no francês fantasioso O Balão Vermelho, de 1953. O primeiro deles, dirigido por Hector Babenco, é um dos filmes favoritos do diretor. A ideia de Lee é que o Pixote do videoclipe seja uma homenagem ao ator Fernando Ramos da Silva, que protagonizou o filme brasileiro da década de 1980, morto pela polícia aos 19 anos.

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A influência de O Balão Vermelho é ainda mais evidente, já que o filme de Albert Lamorisse mostra um garoto percorrendo as ruas de Paris atrás do balão. “Lembro de quando assisti à esse filme na escola, quando era criança”, diz o diretor. “Mas em vez do balão, nosso personagem perseguirá uma bola de futebol através do Vidigal e, depois, de todo o Rio de Janeiro.”

Capturar o entusiasmo de um jovem fã de futebol não foi o único motivo pelo qual Lee decidiu filmar o curta no Brasil. O diretor ficou inspirado pela musicalidade do país desde que dirigiu o clipe “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, no Rio de Janeiro. No último ano e meio, ele veio ao Brasil para registrar cenas para o filme Go Brasil Go. “O Brasil foi o último país do mundo a libertar seus escravos”, diz ele. “O último”, enfatiza. Ele espera que o documentário fique pronto a tempo das Olimpíadas do Rio de Janeiro. “Restam mais duas viagens para fazer”, conta o diretor. “Já fizemos quatro. Mas vou esperar até o fim da Copa do Mundo para que as coisas se acalmem.”

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Por gravar o curta no Brasil, Lee decidiu acrescentar sonoridades brasileiras à música cantada por Kelly Rowland, escrita por Sia Furler. Com as lembranças de “They Don’t Care About Us” ainda vivas, ele chamou a escola de samba Unidos de Vila Isabel para acrescentar percussão na faixa. “Quando ouvi a música, eu disse: 'Vamos acrescentar uma percussão aí’. Então fui até o grande arranjador Tunico da Vila e gravamos enquanto estávamos lá”, contou.

São situações como esta, como quando Lee decidiu acrescentar uma bateria de escola de samba à versão original, que mostram o motivo pelo qual o diretor decidiu filmar o curta na favela carioca. “É onde as pessoas estão”, diz ele. “Eu não queria filmar em um condomínio de luxo em Ipanema, Copacabana e Leblon. Queria estar próximo da minha gente.”