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Sting esbanja musicalidade em show no Allianz Parque, em São Paulo

Ex-baixista e vocalista do The Police tocou músicas novas, hits solo e canções da antiga banda

Paulo Cavalcanti Publicado em 07/05/2017, às 13h30 - Atualizado às 13h47

Sting durante apresentação solo no Allianz Parque, em São Paulo
Ana Luiza Ponciano

A última apresentação de Sting no Brasil tinha acontecido em 2009, no festival Natura Nós About Us, realizado na Chácara do Jockey, em São Paulo. O ex-vocalista e baixista do The Police retornou ao país em um momento musicalmente mais oportuno, já que no fim do ano passado lançou 57th and 9th, o ótimo álbum que marcou a volta dele ao rock, depois de digressões pela new age, world music e outros estilos. É verdade que grande parte do público presente ao Allianz Parque, no sábado, 6, não estava muito familiarizado com o novo trabalho – era perceptível que o público queria mesmo ouvir material do começo da carreira solo dele, material da década de 1980, além de, naturalmente, hits do tempo em que ele era frontman do The Police. Mas entre mortos e feridos, deu tudo certo e o músico teve uma recepção calorosa. O local estava bem cheio, embora o estádio não estivesse lotado.

O início, às 20h20, foi com a perfomance de Joe Sumner, um dos filhos de Sting. Ele tocou quatro canções acústicas e, no final da última delas ("Jelly Bean"), Sting apareceu do nada para cantar um refrão – o público foi à loucura. Mas assim como veio de repente, ele sumiu de repente. Em seguida, veio a banda The Last Bandoleros, com músicos do Texas que fizeram uma agradável mistura de tex mex e powerpop. O show do astro principal só foi começar mesmo às 21h15. Quem olhasse para o telão poderia jurar que via o Sting de muitos anos atrás, exalando charme e elegância. O músico inglês, agora com 65 anos, encontra-se em uma invejável forma física. E, o mais importante, com uma voz que segue ágil, flexível e melódica. O músico abriu os procedimentos com duas do The Police, "Synchronicity II" e" Spirits in the Material World". Na sequência, ele emendou como o hit solo “Englishman in New York” (1987) e, a essa altura, todo mundo já estava no clima de celebração.

Sting tocou praticamente todo o disco novo, 57th and 9th: “I Can't Stop Thinking About You”, “One Fine Day”, “Down, Down, Down”, “Petrol Head”, “Pretty Young Soldier” e “50.000” não ficaram de fora. Entre canções militantes sobre o sofrimento dos imigrantes e o perigo do aquecimento global e baladas sobre relacionamentos complicados, esta safra nova se mostra inspirada e soa bem quando é executada ao vivo.

Para quem é músico, um dos grandes prazeres ao ver Sting ao vivo é apreciar o domínio dele no baixo – o artista ainda toca com uma precisão fenomenal. O resto da banda não fica nada atrás em termos de virtuosismo, incluindo Dominic Miller e o filho, Rufus Miller, nas guitarras e Josh Freese na bateria. Juntos, eles fazem um rock com nuances de jazz, reggae e pop com toques de flamenco. Joe Sumner voltou ao palco para cantar brevemente “Ashes to Ashes”, de David Bowie. Já a The Last Bandoleros tomou conta dos vocais de apoio durante toda a apresentação de Sting.

Como esperado, foram as canções antigas da carreira solo dele que levantaram os fãs, como "Shape of My Heart" (1993), "Fields of Gold" (1993), “I Hung My Head” (1996) e “Desert Rose” (1999). Apesar de muitos fãs terem pedido, ele não tocou "King of Pain". No final, o músico relembrou vários clássicos do The Police, embora não tantos quanto o que muita gente queria ouvir. De qualquer forma, as faixas – “Message In a Bottle”, “Walking in The Moon”, “So Lonely” e “Roxanne” – deram conta do recado, e esta última esta encerrou a parte principal da apresentação com direito a uma incorporação de ”Ain’t no Sunshine”, clássico soul de Bill Withers.

Ainda teve o bis, trazendo mais duas do The Police, “Next to You” e a esperada “Every Breath You take” – nesta, o estádio se transformou em um imenso coral. Sting praticamente não falou nada durante a apresentação, só um "muito obrigado" aqui e ali. Mas já no fim disse: "Esta eu dedico ao meu amigo, o Cacique Raoni" (líder indígena brasileiro ao lado de quem Sting milita há muitos anos em questões ambientais). O artista encerrou tudo interpretando a emblemática e delicada “Fragile”, hit solo dele lançado no álbum duplo ...Nothing Like the Sun (1987). Então, Raoni em pessoa apareceu no palco e ele e Sting saíram juntos, abraçados. A apresentação de Sting neste sábado à noite foi um triunfo, mostrou que o cantor e baixista ainda consegue injetar um ar de frescor nestas canções, que seguem tocando constantemente na programação das rádios de classic rock.