Talvez nem valha a pena salvar o rock em seu estado atual, diz Nick Cave

Em resposta a um fã, o músico dissertou sobre a estagnação do gênero

Redação Publicado em 15/04/2019, às 15h31

None
Nick Cave (Foto:Eugene Odinokov / Sputnik/AP)

Se tem um artista que leva a sério a atitude de responder mensagens do fãs, esse alguém é Nick Cave. Mais um vez o líder do The Bad Seeds ofereceu um texto digno de reflexão na seção de "cartas" do seu site oficial Red Hand Files.

Em uma dissertação aberta sobre o atual estado do rock, ele apresentou uma opinião forte e consistente. Afirmou inicialmente que, em uma época na qual as ideologias dos músicos recebe tantos holofotes quanto suas composições, é necessária uma evolução urgente dos que fazem parte desse gênero.

+++ Nick Cave lista suas canções de amor favoritas

O texto veio como resposta a uma pergunta que aborda a polêmica questão sobre separar os posicionamentos pessoais dos artistas de suas obras e, dependendo do caso, se merecem realmente serem rebaixados e descartados imediatamente.

"O rock passou trêmulo e bambo por vários momentos conturbados de sua história, e de alguma forma, conseguiu sobreviver. Faz parte da própria natureza do rock ‘n’ roll ser mutável e se transformar – morrer para viver novamente", afirmou.

E continuou: "Essa agitação é o que mantém a coisa toda em um movimento para frente. Como músicos, corremos sempre o perigo de nos tornarmos obsoletos e ultrapassados pelos esforços da geração seguinte, ou do mundo em si e suas ideias."

+++ Nick Cave responde mensagem de fã de 10 anos com texto emocionante 

Em seguida, Cave se direcionou finalmente ao cenário musical atual: "Me parece que há pouca autenticidade, e se tornou mais seguro, mais nostálgico, mais restritivo e mais corporativo".

Para finalizar, disse: "No caso do rock, essa preocupação com a moral que agora predomina na cultura pode ser algo muito bom. Talvez seja exatamente disso que o rock ‘n’ roll precisa nesse momento. O rock contemporâneo parece não ter mais forças para lutar contra esses inimigos da imaginação e da arte. E talvez nem valha a pena salvar o rock em seu estado atual."