Taylor Swift deixou o country para trás, parou de namorar e construiu uma fortaleza em volta do coração

Conversamos com a cantora sobre essa reinvenção, coroada pelo sucesso do disco 1989

Josh Eells | Tradução: Ana Ban Publicado em 23/12/2014, às 17h03 - Atualizado às 17h07

Brisa
Taylor Swift em uma praia de Amagansett, em Nova York, em julho de 2014.
Theo Wenner

Taylor swift parece animada. “Aí, meu irmão chegou em casa outro dia e falou: ‘Meu Deus – acabei de ver um cara na rua andando com um gato na cabeça’”, ela conta. Como fã ardorosa de metáforas prontas, além de gatos, a cantora ficou empolgada com a história. “A minha primeira reação foi: ‘Você tirou uma foto?’”, diz. “E, então, pensei sobre o assunto. Metade do meu cérebro dizia: ‘Se a gente quisesse, deveria poder tirar uma foto. O cara está pedindo – ele está com um gato na cabeça!’ Mas a outra metade dizia: ‘E se ele só quiser andar com um gato na cabeça sem que ninguém tire fotos dele o dia inteiro?’” Para Taylor Swift – que tem cinco álbuns multiplatinados, sete prêmios Grammy e bilhões de citações em blogs de fofoca –, ser famosa é bem parecido com andar por aí com um gato na cabeça. “Posso ter problemas com isso”, ela admite. “Mas, no final das contas, não posso ser ingrata, porque eu escolhi isso. Só que, às vezes – às vezes – você não quer estar com uma câmera apontada para você. Às vezes seria legal se alguém simplesmente dissesse: ‘Ei, acho superlegal você andar por aí com um gato na cabeça. Acho que é interessante’.”

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Taylor afirma que nunca se sente completamente segura, principalmente quando o assunto é a privacidade dela: acredita que há pessoas cujo trabalho é descobrir coisas que ela não quer que o mundo veja. “Essa gente olha para a sua carreira, olha para as suas prioridades e tenta encontrar aquilo que seria mais revelador ou que iria magoar mais. Tipo, eu não tiro a roupa para fotos nem nada – sou muito reservada em relação a isso. Então fico assustada de pensar em como seria valioso conseguir um vídeo meu trocando de roupa. É triste ficar procurando câmeras em provadores e banheiros. Não ando por aí pelada com a janela aberta, porque isso tem valor.”

Apesar de toda a paranoia com segurança, em vários outros aspectos a cantora nunca se sentiu mais livre. Ela acaba de lançar o disco 1989, sucesso absoluto de vendas. Em relação a isso está quase maluca de tanta animação, porque o trabalho sinaliza uma transição da estrela country que gosta de pop para a popstar completa. Há pouco tempo, comprou um apartamento de luxo em Nova York. E, apesar do que você pode ter ouvido por aí, faz um bom tempo que ela não se envolve com homem nenhum. Não está namorando. Não está ficando. Não está nem mandando mensagens de texto safadinhas. Taylor Swift está solteira – e está adorando.

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Além de abraçar, de uma vez por todas, a “música pop espalhafatosa”, outra grande mudança de 1989 é que, pela primeira vez em anos, Taylor decidiu não lançar nenhuma faixa depreciativa detonando ex-namorados. Algumas músicas são sobre os relacionamentos e a vida amorosa dela, mas na maior parte elas são melancólicas e nostálgicas, não do tipo que apontam culpa ou para acertar as contas. “Fases diferentes da vida têm níveis diferentes de mágoa profunda e traumatizante”, comenta. “E neste período da minha vida o meu coração não estava partido de um jeito irreparável. Então, o disco não gira em torno de rapazes, porque a minha vida não anda girando em torno de rapazes.”

A cantora diz que namorar é difícil para ela, que construir um relacionamento é complicado. “Parece que observar a minha vida amorosa se transformou em passatempo”, analisa, com razão. “E eu simplesmente não me sinto mais à vontade em fornecer esse tipo de diversão. Não gosto de dar aos comediantes a oportunidade de fazer piadas comigo em entregas de prêmios. Não gosto quando as manchetes dizem: Cuidado, cara, ela vai escrever uma música sobre você’, porque isso banaliza o meu trabalho. E, o mais importante de tudo, não gosto de como todos esses fatores se somam para fazer com que a pressão fique tão grande em um relacionamento novo que a chama acaba sendo apagada antes mesmo de ter a chance de começar”, afirma. “Por isso não namoro ninguém.”

Taylor faz uma pausa, buscando uma metáfora que possa ajudá-la a se explicar. “Você já ouviu falar na baleia mais solitária do mundo? Tem uma baleia – acho que Adrian Grenier está fazendo um documentário a respeito dela. Ela nada no oceano, e emite um canto diferente de todas as outras baleias. Então, não tem ninguém para nadar com ela. E todo mundo tem pena dessa baleia. Mas e se a baleia estiver se divertindo? Porque não é ruim o fato de eu não estar desesperadamente apaixonada por alguém. Não é uma tragédia, e não significa que eu desisti e vou virar uma solteirona.” Mesmo com todas as pressões, Taylor se sente realizada. “De verdade, gosto da minha vida neste momento”, garante. “Em termos de ser feliz, nunca estive mais próxima disso.”