Tem início o julgamento do médico de Michael Jackson

Defesa de Conrad Murray afirmou que um dermatologista receitava drogas ilegais ao Rei do Pop, antes de sua morte

Redação Publicado em 27/09/2011, às 17h20 - Atualizado às 18h25

Conrad Murray
AP

Começou na tarde desta terça, 27, o julgamento de Conrad Murray, ex-médico de Michael Jackson que é acusado de ser o responsável pela sua morte, em junho de 2009. Dentre as acusações da promotoria, destacaram-se uma ligação telefônica do Rei do Pop, aparentemente debilitado, manifestando seu desejo de “ser fenomenal”. Já a defesa de Murray alegou que um dermatologista receitava uma droga ilegal a Michael Jackson. O julgamento acontece na Corte de Los Angeles e deve durar pelo menos cinco semanas. A pena de Murray pode chegar até 4 anos de prisão.

O primeiro a falar no julgamento de Conrad Murray foi o promotor David Walgren, por volta das 14h. Ele acusou o médico de “negligência grosseira” e mostrou evidências de que Murray comprou mais de 15 litros de propofol (substância responsável pela morte do Rei do Pop) para consumo de Michael Jackson. Segundo Walgren, o médico armazenava seu estoque de propofol na casa de sua namorada, em Santa Mônica e, por mais de dois meses, receitou a droga todas as noites ao cantor. Em estudos de dados do promotor, ele verificou que Murray só chamou a polícia 24 minutos depois de ver Michael desfalecido.

Ligações de Michael Jackson para Murray, aparentemente debilitado, foram apresentadas. “Nós temos que ser fenomenais”, dizia Michael em um dos telefonemas. “Quero que as pessoas digam: ‘Eu nunca mais verei isso de novo’ [se referindo à turnê This Is It, que nunca ocorreu]. Para Walgren, Murray nunca agiu em favor da saúde de Michael.

A defesa de Murray começou a falar por volta das 15h da tarde, com Edward Chernoff, que alegou que Michael Jackson se medicava sem o consentimento de seu médico. “Ele morreu tão rápido que não deu tempo de fechar os olhos”, disse Chernoff. “Vocês irão ver nesse julgamento quem o doutor Murray realmente é.”

Chernoff disse ainda que Jackson temia o fracasso da turnê This Is It. Minutos após, Conrad Murray começou a chorar. “Michael Jackson é a única celebridade que Dr. Murray conheceu”, disse Chernoff, em meio ao choro do médico. “Ele não é uma médico celebridade, ele literalmente salva vidas”. A estratégia da defesa prosseguiu nessa linha, consistindo em dizer que o que matou Jackson foi a falta de Propofol, contrariando a autópsia. “As evidências irão mostrar que Michael Jackson morreu não quando Dr. Murray deu Propofol ao cantor, mas quando ele parou”, concluiu Chernoff.

As 25 mg de Propofol encontradas no corpo de Jackson após sua morte, segundo Chernoff, foram dadas por Murray para “manter seu corpo funcionando”. Perto das 22h do dia 24 de junho de 2009, Michael teria implorado ao médico que o medicasse com a droga. Chernoff alegou ainda que um dermatologista de Beverly Hills estava receitando o analgésico Petidina (Demerol) ao Rei do Pop, paralelamente ao Propofol. A droga é ilegal e, segundo a defesa, o cantor teria se tornado dependente dela.

O julgamento teve uma pausa decretada pelo juiz às 16h, para almoço. O retorno está previsto para às 17h30.