“Todo artista enfrenta problemas para tocar músicas novas”, diz Erasmo Carlos, que faz show de estreia de novo disco em SP

Tremendão tocará cinco faixas de Gigante Gentil em novo show, com Marcelo Jeneci e Luiz Carlini

Lucas Brêda Publicado em 06/09/2014, às 18h23 - Atualizado às 18h44

Erasmo Carlos
Divulgação

Com Gigante Gentil, Erasmo Carlos amarrou uma trilogia iniciada com os álbuns Rock ‘n’ Roll (2009), e Sexo, de dois anos depois. O vigésimo oitavo disco do Tremendão traz pensatas e indagações acerca da internet e do amor, com melodias que trazem referências da música romântica, do reggae, e, claro, do rock and roll. Neste sábado, 6, Erasmo faz o show de estreia de Gigante Gentil em São Paulo, no HSBC Brasil.

Com novo disco de inéditas, Erasmo Carlos encerra ciclo iniciado há cinco anos.

“Só tem ‘Jogo Sujo’, de Rock ‘n’ Roll. De Sexo não tem nada”, revela o músico, falando do setlist da apresentação na capital paulista. “Tem cinco músicas do disco novo, e o resto é [composto por] sucessos da minha vida”. Erasmo, assim como diversos artistas consagrados no Brasil, sofre para encaixar as novas músicas no repertório das turnês. Para ele, o público “quer cantar junto, dançar, recordar”. “Todo artista que eu vejo tem problema para tocar músicas novas”.

“Claro que eu gosto de tocar as novas. A gente se alimenta disso”, admite. Se a dificuldade em fazer com que novas músicas cheguem aos ouvidos dos velhos fãs com a mesma intensidade está no formato de álbum, Erasmo mostra-se convicto: “Há muito tempo está ultrapassado”. “Mas enquanto não acaba de vez, a gente tem que fazer assim”.

Com a faixa “Além do Horizonte”, que marcou a novela homônima, Gigante Gentil traz músicas como “Colapso” – do verso “Desnorteados, crentes e ateus, sem Facebook não encontram Deus” –, “50 Tons de Cor”, e a faixa-título, que remete a um apelido do Tremendão (“Mesmo hostil qualquer gigante pode ser gentil”). A capa do disco foi feita pelo ilustrador e designer Ricardo Leite, veja abaixo.

Parcerias

Apesar dos 73 anos de idade, o Tremendão, ao conversar, só endossa o discurso de Gigante Gentil, que traz faixas sobre amores na internet, Facebook, e um novo modelo de comunicação. “Trabalhamos na hora que queremos, sem encher o saco um do outro”, conta, sobre o método de composição por e-mail com as novas parcerias. No mais recente disco, Erasmo trabalha com Arnaldo Antunes, Nelson Motta, Marcelo Jeneci, e Caetano Veloso (sendo esta parceria, inédita), entre outros.

“Ele vai dar uma canja lá, comenta o cantor, destacando a participação de Jeneci na apresentação em São Paulo (que também contará com Luiz Carlini tocando guitarra em todo o show). A exemplo de Jeneci, Erasmo já tocou com Karina Buhr e Érika Martins, entre os “jovens” artistas nacionais, os quais ele ouve “esporadicamente”. “É muita coisa, cara”, diz. “Não dá para você se acostumar com as músicas”.

“É todo mundo muito afinado, a tecnologia permite isso. Tudo fica muito bem executado”, analisa, sendo franco logo em seguida. “Mas sinto um pouco de falta de emoção, porque acho que ninguém erra. E, para mim, a emoção necessita do erro”. Sobre o maior parceiro de toda a carreira, Roberto Carlos – com ele não compõe há oito anos –, Erasmo diz: “Quando ele quiser ele me chama, bicho”. “Saiu uma música há dois anos, mas ela não foi feita há dois anos”, diz. “E ainda tem outras duas inéditas com ele lá”.

Biografias e o Procure Saber

Junto a Roberto Carlos – e também a Caetano Veloso, Chico Buarque e Milton Nascimento, entre outros –, Erasmo foi um dos fundadores do grupo Procure Saber, que se posiciona contra a produção de biografias sem autorização prévia. Na conversa com a Rolling Stone Brasil, entretanto, o Tremendão revelou-se mais flexivo e idealista: “Acho ridículo, realmente, você ter que dar autorização para ter uma coisa sua publicada”.

“Mas, por outro lado, o que é publicado deve seguir uma verdade”, pontua. “O cara pode falar o que quiser sobre você na biografia, e dizem: ‘Depois você processa’. Só que o dano já está feito. Até que o processo ocorra (o que leva anos), o filho do cara injuriado na biografia já saiu da escola, a mulher já o abandonou, ou ele já se suicidou dependendo da pressão do que falaram dele. E o processo continua rolando”.

A solução? “Não sei qual é, bicho. As altas cabeças pensantes tem que resolver isso”. Para Erasmo, “a fronteira da liberdade é tênue”. Ele teoriza: “Você tem liberdade de ir e vir, mas não pode andar nu. A lei diz ‘Você pode falar o que quiser’, mas a moça foi xingar o jogador e agora vai ter que responder na justiça”. Pouco firme, mas sonhador, Erasmo conclui: “Acho que o limite, para mim, é o bom senso”.

Filme baseado em Minha Fama de Mau

“O Veríssimo falou: ‘Se forem filmar uma biografia tua, não acompanhe o processo, senão vai você vai ficar maluco’”, conta o Tremendão, que admite não acompanhar a produção do filme baseado na autobiografia, Minha Fama de Mau, com previsão de lançamento para 2015.

Ainda não foi definido quem interpretará Erasmo no longa, mas ele já demonstrou – e reforça – sua preferencia: Mateus Solano. “Indiquei ele simplesmente pela altura, né”, brinca o músico, dando detalhes de que a adaptação cinematográfica focará apenas nos áureos anos da Jovem Guarda. “Era um Erasmo só, agora já vai ter dois Erasmos. Um menor, entre 16 e 20 e poucos anos, e outro dali em diante”.

Morte do filho Alexandre Pessoal

Um dos filhos de Erasmo Carlos, Alexandre Pessoal, conhecido também como “Gugu”, morreu no último mês de maio, após ter sofrido um acidente de moto no Rio de Janeiro, aos 40 anos. O acidente sensibilizou o cantor, e modificou o processo de divulgação de Gigante Gentil. “Alguma coisa dentro de mim mudou, ainda não sou o que é”, confessa. “Embora o amor dos meus três filhos me completem, vou sentir falta de alguma coisinha que só ele me dava”.

“Isso tudo me deu a oportunidade de pensar no egoísmo das pessoas que perdem alguém”, conta. “Elas dizem: ‘Ah, o que vai ser de mim sem o carinho dessa pessoa?’ Jamais as pessoas pensam onde ele estará, sabe? Se ele está bem ou não”. “Para mim, vai ser uma eterna preocupação, eu saber se ele estará bem”.

O show de Erasmo Carlos em São Paulo terá preços considerados populares, com ingressos entre R$ 60 e R$ 180. Veja abaixo todas as informações sobre a apresentação.

Erasmo Carlos estreia Gigante Gentil em São Paulo

6 de setembro (sábado), às 22h

HSBC Brasil – Rua Bragança Paulista, 1281, Chácara Santo Antonio – São Paulo (SP)

Ingressos: entre R$ 60 e R$ 180 (haverá meia-entrada)

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