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Todo show é uma homenagem a Chester Bennington e Scott Weiland, diz baixista do Stone Temple Pilots

Banda vem em turnê conjunta com o Bush; ambos se apresentam em São Paulo, Rio De Janeiro e Belo Horizonte, com abertura da brasileira Republica

Pedro Antunes Publicado em 13/02/2019, às 13h56

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Com novo vocalista, Jeff Gutt, Stone Temple Pilots volta ao Brasil (Foto: Divulgação / T4F)

"Toda vez que eu subo no palco eu penso neles", explica Robert DeLeo, baixista do Stone Temple Pilots, banda integrante do rol dos grandes do grunge - ao lado de Nirvana, Pearl Jam, Alice In Chains e Soundgarden -, embora a discografia do grupo apresente um leque variado de estéticas sonoras.

"Chester [Bennington] e Scott [Weiland]…, todos os shows são para eles, de um jeito ou de outro."

Era uma tarde agradável de versão em Los Angeles, com o sol surgido para espantar as chuvas e o tempo ruim na área costeira da Califórnia, e DeLeo está reflexivo. "Sabe, eu gosto desse cheiro. Deste momento pós-chuva. Está um pouco frio, mas nem tanto. Está fresco."

Aos 53 anos e desde 1989 no Stone Temple Pilots, como um dos integrantes originais, ao lado do irmão Dean DeLeo (guitarra), Eric Kretz (bateria), DeLeo viu dois principais vocalistas do rock das suas respectivas gerações, Scott Weiland e Chester Bennington, pasarem pelo grupo e partirem antes da hora.

Com Weiland, eles chegaram ao topo, na virada dos anos 1980 para a década seguinte. Foram apontados pela MTV a banda revelação de 1993, graças à força do single "Plush". O disco de estreia, chamado Core, também era um exemplo do quão incendiário poderia ser o Stone Temple Pilots.


Entre acertos e equívocos, a banda seguiu até 2003, quando decidiu por um hiato. A pausa durou 5 anos e o grupo voltou ao jogo em 2008. Com Weiland, as tensões só cresciam. Chegaram a lançar um álbum, que levava o nome da banda, em 2010, mas a situação ficou impossível de sustentar.

Em 2012, o Stone Temple Pilots anunciava, com pompa, a turnê para celebrar os 20 anos do álbum de estreia, Core. Tocariam-o na íntegra, do começo ao fim. Tudo escorreu pelo ralo junto com a relação entre Weiland e o restante do grupo.

Em 27 de fevereiro de 2013, a banda anunciou o fim da parceria entre Stone Temple Pilots e Scott Weiland. Na sequência, Chester Bennington, do Linkin Park, foi convidado para liderar os vocais dos roqueiros naturais de San Diego, posição a qual sempre sonhada por ele, como contava em entrevistas. 

Por dois anos, Bennington subiu ao palco com o restante do grupo e lançou um EP, chamado High Rise, em outubro de 2013.


Era novembro de 2015, quando Chester Bennington decidiu deixar o Stone Temple Pilots para se concentrar nas ações musicais do Linkin Park.

Em dezembro, um mês depois, Scott Weiland foi encontrado morto no ônibus que o levava em turnê, no estado de Minnesota. A causa da morte foi uma overdose de álcool, remédios e cocaína.

Por fim, Chester Bennington morreu em julho de 2017. Seu corpo foi encontrado já sem vida, na residência dele, no bairro de Palos Verdes, em Los Angeles, ou seja, razoavelmente próximo de onde estava Robert DeLeo quando falou à Rolling Stone Brasil.

Novo vocalista de um reality show musical

Foi necessário ter força para voltar a subir num palco de novo. Com um terceiro vocalista a ocupar o posto da frente da banda. O escolhido foi Jeff Gutt, terceiro colocado do reality show X Factor.

"Eu nunca assisti ao programa", admite DeLeo, sobre a competição de cantores norte-americana. "Mas não acho que é um problema, também, ele ter surgido de lá. A TV é como uma rede social, não é? É mais uma plataforma para que você possa se mostrar", opina.

Ele se derrete de elogios ao novo vocalista, alguém descrito por DeLeo como "um sujeito capaz de cantar e entender melodias incrivelmente e tem uma aparência ótima". "Ele tem todas as qualidades que procurávamos", conclui.

Novo disco, novo começo

Anunciado em dezembro de 2017, meses depois da morte de Bennington, Gutt já pode ser ouvido como o novo vocalista do Stone Temple Pilots no álbum mais recente deles, de março do ano seguinte.

Mais uma vez, a banda usou o próprio nome para dar título ao disco. Como se disparasse o botão de "reset" do videogame. O trabalho, sétimo do grupo, foi elogiado e mostrou que eles não perderam o vigor de criar temas sombrios e épicos como outrora. A atuação de Gutt também não desapontou.


"Sabe, quando você senta para compor uma música com alguém, você está criando um laço muito grande", ele diz, "então, é como se virássemos almas gêmeas. Tiramos um tempo com o Jeff [Gutt] para entender como isso funcionaria. E isso foi muito importante para que a gente pudesse se conectar"

Algumas das canções de Stone Temple Pilots, o disco, existiam antes da chegada de Jeff Gutt e, portanto, foram transformadas. "O que eu amo sobre a música é o fato de não existir regra. Você pode fazer o que quiser. Acho que isso sempre esteve dentro de mim, está constantemente pulsando no meu sangue", ele explica.

"Primeiro, surge uma melodia", conta o baixista, "e a estrutura para um refrão, ou uma batida que faz o seu cérebro funcionar e inspira." Para ele, momentos tristes são o gatilho. "É quando eu me vejo pegando um instrumento para criar algo, aquele momento de vulnerabilidade."

Turnê no Brasil com o Bush

Em 2010 e 2011, na sequência, o Stone Temple Pilots veio ao Brasil em duas turnês. Depois de oito anos distante do País, o grupo volta com novo vocalista e em uma turnê dupla. Trata-se da Revolución Tour 2019, realizada entre STP e o grupo Bush.

Serão três apresentações no País: em São Paulo (no Credicard Hall), no dia 14 de fevereiro, quinta; no Rio de Janeiro (no Km de Vantagens Hall), no dia 15, sexta-feira, e Belo Horizonte (no também chamado Km de Vantagens Hall), no domingo, 17. Os ingressos estão à venda nas bilheterias oficiais e no site.

A abertura dos shows ficará por conta da banda brasileira Republica, cujo disco mais recente, Brutal&Beautiful, foi produzido por Matt Wallace (Faith No More e Deftones).

Expectativas dos fãs para os shows

Robert DeLeo entende a necessidade dos fãs em relembrar Weiland e Bennington. Mesmo de olho no futuro, o Stone Temple Pilots não esquece o caminho percorrido. "Foram duas pessoas muito importantes nas nossas vidas. É uma honra seguir com esse legado", ele diz. "Fizemos muitas canções juntos, especialmente com Scott. Tocá-las é uma forma de honrá-lo."