The Toy Dolls retorna ao Brasil após oito anos e mostra que é possível não perder nem o amigo e nem a piada

“Acho que você precisa de um elemento de escapismo no entretenimento, é por isso que colocamos humor em situações sérias, apesar de sermos pessoas sérias”, conta Olga, vocalista da banda que se apresenta em Curitiba, Goiânia e São Paulo

Fernanda Talarico Publicado em 10/08/2018, às 02h35 - Atualizado em 11/08/2018, às 12h37

The Toy Dolls
Daniel Claudín /Divulgação

Nos anos 1980, o Toy Dolls fez sucesso com músicas como “Nellie the Elephant”, “I’ve Got Asthma” e “She Goes to Finos”. Com um humor afiado sempre presente, o trio inglês formado por Olga (Michael Algar) nos vocais e guitarra, Tommy Goober no baixo e Mr. Duncan na bateria desembarca no Brasil neste fim de semana para três shows. A primeira cidade a recebê-los, com ingressos já esgotados, é Curitiba, na sexta, 10, seguida por Goiânia, no sábado, 11, e é São Paulo, no domingo, 12.

O show na capital paulista teve que mudar de local devido a procura do público. “Estamos muito lisonjeados, os fãs brasileiros sempre foram um dos mais fiéis do mundo”, conta Olga, em entrevista à Rolling Stone Brasil. “É um prazer retornar! Mal posso esperar!”. Em 1988, na primeira passagem da banda pelo país Olga levou um soco de um skinhead durante uma apresentação. Sabendo que é impossível fugir deste assunto, o britânico responde bem-humorado: “É claro que eu me lembro bem daquele incidente! Mas o público mudou muito desde então: punks, skinheads, psychobillies, todos se divertem juntos agora, é muito mais amigável! Acho muito difícil que algo parecido aconteça novamente", pondera. Sobre surpresas nas apresentações, ele responde com mais bom humor: "Estamos velhos agora [o vocalista tem 55 anos], o set é lento e chato… Na verdade, provavelmente nos sentaremos. Espero que o público não durma!” O trio está trabalhando em um novo disco e, segundo o líder da banda, será lançado no ano que vem.

O humor é marca registrada do Toy Dolls, que faz piada até mesmo nos nomes dos álbuns. Em 2004, o grupo lançou Our Last Album? (Nosso Último Álbum?) e, em 2012, tiraou sarro de si mesmo com um disco com o título The Album After The Last One (O Álbum Depois Do Último). "Acho que você precisa de um elemento de escapismo no entretenimento, é por isso que colocamos humor em situações sérias, apesar de sermos pessoas sérias", explica Olga. Manter uma banda punk há tanto tempo cultuada não é fácil, mas para o vocalista tudo se resume a manter a criatividade: "Contanto que você continue criando novas músicas, discos e cenários, isso te mantém".

Olga reconhece que plataformas de streaming têm facilitado o acesso à muitas bandas e músicos que, antigamente, teriam muita dificuldade para se se tornarem conhecidos. "Bandas não vendem milhares de discos como nos velhos tempos e essa é uma maneira de serem ouvidos.” Porém, no caso do Toy Dolls, não é tão simples: os álbuns não estão todos disponíveis online. "Ah, mas você encontra tudo no site da banda. Gostamos de manter as coisas mais exclusivas.”