"Está mais do que na hora de aceitar que o funk é música eletrônica, brasileira, popular e original", diz DJ Zegon

DJ Zegon fala sobre popularização nacional do trap, preconceito na cena musical eletrônica e das expectativas em relação ao Tomorrowland Brasil 2016, no qual o Tropkillaz se apresenta nesta sexta, 22

Gabriel Nunes Publicado em 22/04/2016, às 09h43 - Atualizado em 26/04/2016, às 18h13

Tropkillaz no festival Bananada 2015
Claudio Cologni

Cada vez mais reconhecido internacionalmente, o duo de trap Tropkillaz – que em 2014 emplacou um de seus remixes no intervalo do Super Bowl, além de ter lançado a faixa “Make the Crowd” na trilha sonora da nova versão da franquia Need for Speed – se apresenta na segunda edição nacional do festival de EDM Tomorrowland nesta sexta, 22, e promete um setlist pensado especialmente para a ocasião.

Formado pelo curitibano André Laudz e pelo paulistano Zé Gonzales, mais conhecido como Zegon, a dupla nasceu da inesperada simbiose entre a nova e a velha escola de DJs. Mas para o veterano Zegon, cujo início da carreira remonta aos anos 1990, quando a cena da música eletrônica começava a despontar e a fervilhar entre os jovens, essa diferença, em vez de ser um contratempo, é na verdade o fator principal que distingue a sonoridade do Tropkillaz. “Eu sempre tive bastante contato com as gerações mais novas. Isso é o que me mantém renovado, sempre aprendendo e ensinando”, conta à Rolling Stone Brasil.

Embora não tenha grande apreço por rótulos, Zegon acredita que a recente popularização do sub-gênero trap pode ser associada à versatilidade dele. “O mais divertido desse universo trap é a possibilidade de costurar vários estilos dentro de um só, e dessa forma você consegue agradar qualquer tipo de público. É uma fase bem divertida da música.” Ele ainda acredita que a vinda de grandes festivais de música eletrônica para o Brasil foi fundamental na difusão e popularização do que antes era restrito a um nicho musical. “É inegável que os festivais ajudaram muito a popularizar e a elevar o nível da música eletrônica. E com a facilidade de novas tecnologias, como os tablets, ficou bem mais fácil criar suas próprias batidas em casa. É claro que ainda tem muita gente leiga no assunto, que só vai ao festival por conta do evento e não pela música, mas houve uma dilatação da cena. Não é mais tão nichado como era antes”, reflete o DJ.

Embora reconheça que o estilo tenha se tornado muito mais acessível ao público nos últimos anos, Zegon afirma que existe preconceito dentro da cena, principalmente no que diz respeito ao funk nacional – que apesar de ser considerado pelo DJ como uma ramificação da música eletrônica, acaba permanecendo às margens dos grandes festivais, contando apenas com apresentações esporádicas, como foi o caso da participação do MC Bin Laden durante o show do Jack Ü, no Lollapalooza 2016 . “O preconceito nesse caso não é apenas musical, mas também social. Hoje em dia ainda qualquer mistura com o funk é quase um palavrão pro pessoal do house. Está mais do que na hora de aceitar que o funk é música eletrônica, brasileira, popular e original."

Depois de ter sido responsável por um set que durou cerca de duas horas durante a primeira edição brasileira do festival belga Tomorrowland, Zegon garante que o Tropkillaz executará um repertório especial para o evento. “Por conta do ano passado, a gente está com uma expectativa muito grande para 2016. Preparamos um set específico para o festival, diferente do que costumamos tocar em clubes, com quase 90% de músicas autorais e originais no repertório. Trabalhamos dessa forma para que seja agradável tanto para nós quanto para o público que está lá", finaliza.

Tropkillaz no Tomorrowland Brasil 2016

22 de abril, às 16h

Tomorrowland – Mainstage – Parque Maeda – Itu/SP

Entre R$ 399 e R$ 5250