Tudo sobre o assassinato de John Lennon: balas de ponta oca, foto icônica e mais

O lendário beatle foi assassinado no dia 8 de dezembro de 1980

Camilla Millan Publicado em 09/05/2020, às 11h00

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John Lennon (Foto: AP)

John Lennon, fundador e vocalista dos Beatles, teve uma morte trágica em 8 de dezembro de 1980, numa segunda-feira, cerca de 22 horas. O músico foi assassinado por Mark David Chapman quando chegava ao ao Edifício Dakota, prédio no qual morava em Nova York. Foram 5 tiros, quatro acertaram o astro.

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Apesar de já ser famoso na época, o cantor virou um mito após a morte, eternizado em biografias, documentários e diversas publicações - conteúdo que relembra, até a atualidade, o talento do músico.

A morte do astro é um dos fatos mais conhecidos do mundo musical, e acumula uma série de detalhes ao longo dos anos. Separamos diversas informações sobre o assassinato de John Lennon; confira: 

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Foto icônica

John Lennon era casado com Yoko Ono na época do assassinato. Uma das fotos mais marcantes do casal é uma, na qual o músico aparece nu e abraçado na esposa. A imagem icônica fez muito sucesso, e foi tirada no mesmo dia do assassinato.

A fotógrafa Annie Leibovitz fez a imagem no apartamento do casal em 8 de dezembro de 1980, e saiu do local as 15:30, horas antes do assassinato de John Lennon na frente da entrada do prédio.

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Mark David Chapman

Mark David Chapman tinha 25 anos quando matou John Lennon. Ele nunca negou cometer o crime, mas alegou fazê-lo após “ouvir vozes”. A condição é recorrente em transtornos mentais, mas ele nunca foi diagnosticado como perturbado mentalmente. 

O assassino dizia ser um “grande fã” de John Lennon, e visitava o prédio do astro várias vezes para perguntar sobre ele. 

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Motivo do assassinato

Mark Chapman era fã dos Beatles e considerava John Lennon um ídolo, mas tudo mudou quando começou a praticar a religião de forma séria. Após a mudança, ele passou a se denominar um "cristão renascido", e passou a odiar as letras dos Beatles, como "God".  Na canção de 1970, o astro afirma não acreditar em Jesus ou na Bíblia, e descreve Deus como um conceito.

As letras e declarações do músico, como em 1966 quando Lennon disse que Beatles eram mais populares que Jesus, enfureceram Chapman. Em depoimento, o criminoso falou sobre "God":

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"Escutava essa música e ficava bravo com ele por dizer que não acreditava em Deus... E que não acreditava nos Beatles. Isso foi outra coisa que me enfureceu, mesmo o disco tendo sido lançado pelo menos 10 anos antes. Queria gritar bem alto 'Quem ele pensa que é para dizer essas coisas sobre Deus, o paraíso e os Beatles?' Dizer que não acredita em Jesus e coisas assim. Naquele ponto, minha mente estava passando por uma escuridão de raiva e ira."

O ápice da raiva do criminoso aconteceu com o lançamento de "Imagine", em 1971: “Ele nos disse para imaginarmos que não existem posses (ou "bens materiais", na frase "Imagine no possessions") e lá estava ele, com milhões de dólares, iates, fazendas e mansões, rindo de pessoas como eu, que acreditaram em suas mentiras, compraram os discos dele e alicerçaram boa parte de suas vidas com as músicas dele."

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Além de motivos religiosos, o criminoso admitiu que Lennon foi morto por ser um alvo mais fácil do que outros, como o apresentador de televisão Johnny Carson ou a atriz Elizabeth Taylor. Chapman também revelou, em audiência de 2010, que tinha a pretensão de ganhar notoriedade com o crime: "Senti que matando John Lennon me tornaria alguém e em vez disso tornei-me um assassino, e os assassinos não são alguém."


Primeiro encontro do assassino com  Lennon

Horas antes do assassinato, Chapman encontrou Lennon e pediu um autógrafo no disco Double Fantasy (1980). O encontro foi registrado por Paul Goresh, amigo do músico. Após conseguir a assinatura, o criminoso escondeu o álbum perto da guarita de segurança do prédio, apontou para o guarda-costas e para o porteiro de Lennon


Balas de ponta oca

Em audiência, Chapman revelou que usou uma munição especial para garantir que o ex-Beatle morresse sem sofrimentos: “Carreguei essas balas para ter certeza de que ele fosse morto”.

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A munição se estilhaça ao atingir algum alvo, aumentando o diâmetro da lesão e sendo ainda mais letal quanto atinge tecidos vivos. “Fiquei preocupado que ele não sofresse”, confessou Chapman.

O relatório da autópsia Medical Examiner de Nova York County mostra a causa da morte como múltiplos ferimentos de bala no ombro e peito esquerdo, pulmão esquerdo e da artéria subclávia esquerda, interna e sangramento externo.

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Prisão e pedidos de liberdade

O criminoso foi condenado à prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional a partir do ano 2000. Desde então, ele entra com pedidos de liberdade condicional a cada dois anos - e todas as solicitações foram negadas pelo conselho estadual de liberdade condicional de Nova York. O assassino de John Lennon poderá solicitar liberdade de condicional novamente em agosto de 2020.

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Em 2014, o homem que assassinou John Lennon revelou que tinha uma missão: falar sobre Jesus. Mark David Chapman disse em audiência que ele não era mais “o homem que buscava fama através da morte do vocalista dos Beatles”.

No depoimento, ele revelou que está "perdoado por Deus" e “ansioso para passar os dias – dentro ou fora da prisão – pregando o evangelho às pessoas”.


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