Um Príncipe em Nova York 2 reflete sobre machismo e empoderamento feminino, mas peca no humor [REVIEW]

Eddie Murphy retorna ás telas como Akeem Joffer após 33 anos em produção disponível no Amazon Prime Video

Marina Sakai | @marinasakai_ (sob supervisão de Yolanda Reis) Publicado em 10/03/2021, às 18h22

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Eddie Murphy em Um Príncipe em Nova York 2 (Foto: Divulgação)

Um Príncipe em Nova York 2 alcança a principal intenção: provocar nostalgia ao mostrar a volta de Akeem (Eddie Murphy), agora rei de Zamunda, a Nova York 30 anos depois em busca do filho, Lavelle (Jermaine Fowler). Mas a expectativa de humor e o desenvolvimento dos personagens deixam a desejar - apesar de abordar questões importantes como racismo, machismo e privilégios de classe.

Por estar ambientado no século XXI, os assuntos discutidos no filme precisaram se atualizar. A sequência questiona preconceitos de raça, classe e gênero. No começo do longa, Lavelle participa de uma entrevista de emprego. É rejeitado pela família de onde veio e pelo fato de não ter pai. Lavelle, então, questiona o privilégio do homem branco quem o entrevista.

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O machismo em Zamunda também é evidente e geracional. Mulheres não podem governar, serem proprietárias ou ao menos ter opiniões próprias destacadas dos maridos. Meeka (KiKi Layne), filha mais velha de Akeem, preparou-se a vida inteira para assumir o trono, mas foi substituída pelo herdeiro novato.

A rivalidade feminina entre Lisa (Shari Headley) e Mary (Leslie Jones), mãe de Lavelle — as duas parceiras amorosas de Akeem —, poderia ter sido enfatizada e criado uma disputa desnecessária. Entretanto, tornam-se amigas sinceras e se divertem. Meeka e Lavelle, rivais pela disputa do trono, também constroem uma relação de cumplicidade e, ao final do filme, são quase irmãos.

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Nostalgia

Dois dos roteiristas são os mesmos de 1988. Por isso, o lado nostálgico está bastante presente. David Sheffield e Barry W. Blaustein reviveram a barbearia no Queens e a lanchonete McDowell’s realocada em Zamunda. Um ótimo fanservice. Randy Watson, um dos vários personagens de Eddie Murphy e bastante querido pelo público, também aparece.

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Filme de comédia?

O primeiro volume da franquia foi dirigido por John Landis, quem tinha uma noção de humor parecida com a de Eddie Murphy. A continuação não tem o mesmo apelo cômico e, quando tentou arrancar risadas honestas, com o caricato general Izzi (Wesley Snipes) ou com a circuncisão durante o processo de Lavelle até virar príncipe, não conseguiu.

Talvez faltou ao filme um pouco do humor típico dos anos 1980, tão presentes em Um Príncipe em Nova York. Existe a possibilidade de terem tirado as piadas bobas e esdrúxulas como uma tentativa de alinhar o conteúdo ao Século XXI - mas falharam em colocar algo mais inteligente. Quase soava como se nem queriam ser engraçados.

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Mais de três décadas depois, os personagens não aparentam ter mudado e parecem apenas terem se reunido para um revival. Sequências tardias muitas vezes não funcionam no cinema, especialmente se os personagens não sofreram desenvolvimento e continuam fazendo as mesmas piadas.

Um Príncipe em Nova York 2 foi lançado pela Amazon Studios no Prime Video no dia 5 de março deste ano.


Assista ao trailer de Um Príncipe em Nova York 2 :


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