“Uma das coisas mais legais de X-Men é que os super-heróis são humanos”, diz intérprete do professor Xavier

Patrick Stewart e James McAvoy vieram a São Paulo para divulgar o filme X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, que estreia no dia 22

Pedro Antunes Publicado em 14/05/2014, às 16h43 - Atualizado em 22/05/2014, às 09h52

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido
Divulgação

A viagem no tempo da telona parecia acontecer poucos metros adiante. As duas versões do mesmo professor Xavier, interpretadas por Patrick Stewart e James McAvoy em X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, cuja estreia no Brasil está marcada para o dia 22, esteve presente em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 14, em São Paulo. Eles vieram para divulgar o novo filme como parte de um projeto chamado X-Men X-Perience, responsável por levar o elenco para diversos países do mundo, inclusive o Brasil.

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“Os quadrinhos do X-Men são populares por aqui?”, pergunta Stewart em certo momento, para a abarrotada a sala de conferência de um hotel localizado na zona sul de São Paulo. “Quando assinei para participar dos filmes [a partir de 2000], eu não sabia de nada”, justifica. A quantidade de jornalistas que compareceu ao evento nesta quarta respondia à questão por si só, e o grande segredo da história dos mutantes nos quadrinhos e, depois, no cinema, responsável por essa popularidade, é justamente a batalha pela tolerância e respeito ao próximo.

Os personagens, segundo os dois intérpretes do Professor X, são tão humanos quanto qualquer um naquela sala, embora possuam poderes fantásticos, como regeneração, habilidade de ler a mente das pessoas ou manipular qualquer objeto metálico. “Quando vamos ao cinema, queremos ver nós mesmos”, diz McAvoy, a versão mais jovem de Xavier. “Uma das coisas mais legais do X-Men é que os super-heróis são muito humanos. Até os poderes são limitados, eles possuem apenas um. E, muitas vezes, eles temem mostrá-los. Sempre senti que o Charles é o mais humano deles.”

A transformação do personagem, que é visto em duas gerações diferentes na tela, é o ponto central de Dias de um Futuro Esquecido. Após perder tudo no primeiro longa da nova trilogia, Primeira Classe (2011), inclusive o movimento das pernas, ele entra na década de 1970 como uma espécie de junkie, viciado em um soro que lhe devolve a habilidade de andar, mas lhe tira os poderes telecinéticos. “Neste filme, ele entra em conflito”, diz McAvoy. “Ele entra em um dilema sobre quem ele é.”

Com os dois atores bem-humorados, McAvoy até diz estar usando uma cueca laranja e recebe a reprovação de Stewart. “Assim parece que você é um torcedor da Holanda”, diz ele, afirmando ser grande amante de futebol. “Espero conhecer [Luis Felipe] Scolari [técnico da seleção brasileira] na sexta-feira”. O ator veterano, lembra que veio a São Paulo em 1962, em uma companhia de teatro que também tinha Vivien Leigh, de ... E o Vento Levou. “Tudo mudou muito desde então”, diz ele. “Aliás, se alguém tiver acesso ao que a imprensa escreveu sobre das peças que fizemos, eu gostaria muito de ler”.

A questão do respeito pela sexualidade do outro também entra em pauta. Ian McKellen e, mais recentemente Ellen Page, ambos presentes no filme, assumiram a homossexualidade. “Eu me sinto encorajado por isso”, diz Stewart. “Ian foi muito corajoso ao fazer isso, ele é um homem muito comprometido com a humanidade e Ellen segue pelo mesmo caminho”, completa o veterano ator, que confessa, às vezes, não conseguir ler um jornal inteiro pela manhã pela grande quantidade de notícias ruins publicadas nele. “Estamos em um momento em que existe tanto ódio, tanta violência. As noticias são tão pessimistas.”

Apesar de interpretarem o mesmo personagem em diferentes períodos da vida, os dois atores contracenaram juntos neste longa. “Mesmo tendo interpretado o personagem antes”, diz McAvoy, “ foi meio assustador estar com outro Xavier. Você se sente julgado.” Já Stewart revela aprovar o trabalho do jovem ator: “Tenho admirado o trabalho de James há muito tempo. É ótimo ter a chance de atuar ao lado de um ator que você admira. Às vezes, eu me via através do Xavier de James”.

O elenco é formado por atores das duas gerações de filmes. Da primeira trilogia, de 2000 a 2006, voltam Stewart (Charles Xavier), Hugh Jackman (Wolverine), Halle Berry (Tempestade), Ian McKellen (Magneto), Ellen Page (Kitty Pride) e Shawn Ashmore (Homem de Gelo), entre outros. Já na nova saga, iniciada em X-Men: Primeira Classe (2011), McAvoy (Xavier) lidera a trupe de mutantes que ainda traz Michael Fassbender como Magneto, Jennifer Lawrence (Mística) e Nicholas Hoult (Fera). Entre as novidades estão Evan Peters (Mercúrio) e Bingbing Fan (Blink).

Pôsteres de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido mostram as diferentes gerações de Magneto e Professor Xavier.

O longa adapta a história homônima escrita por Chris Claremont e desenhada por John Byrne. Originalmente publicada em 1981, nos Estados Unidos, a trama coloca os mutantes dos quadrinhos em um futuro apocalíptico no qual os poderosos Sentinelas, criados por Bolivar Task (no filme, interpretado por Peter Dinklage, de Game of Thrones), caçam aqueles que possuem o gene X, responsável pelos poderes sobre-humanos. Na HQ original, é Kitty Pryde que volta no tempo para tentar mudar o destino de toda a humanidade. No filme, o papel cabe a Wolverine (Jackman).

O filme nos leva de volta à década de 1970, quando a humanidade passa a lidar com os mutantes como uma ameaça e, possivelmente, futuros responsáveis pela extinção daqueles que não possuem o gene X. Task cria os Sentinelas e Wolverine deve reunir novamente os jovens Xavier e Magneto, McAvoy e Fassbender, para evitar o assassinato do cientista e, com isso, tentar a convivência pacífica entre as duas raças.

A grande metáfora do mundo real existente em X-Men toma uma nova forma neste novo filme diante da ameaça dos Sentinelas e propõe uma outra abordagem para a resolução dos conflitos reais. No longa, as duas linhas de pensamento pró-mutantes, liderados por Xavier (adepto do diálogo) e Magneto (a favor do uso da força), precisam se unir diante deste inimigo comum. “Você vê mutantes que pensavam de forma diferente do mesmo lado, colaborando e, mais importante, tomando conta uns dos outros”, diz Stewart. “Percebi isso quando assisti ao filme pela segunda vez, duas noites atrás.” James concorda: “O nosso mundo está assim. Estamos lutando o tempo todo. Se nos uníssemos, os problemas seriam resolvidos”.

O roteiro é assinado por de Matthew Vaughn e Simon Kinberg, e a direção é novamente de Bryan Singer, responsável pelos dois primeiros filmes da franquia X-Men, de 2000 e 2003. A nova trilogia será completada por X-Men: Apocalipse, previsto para chegar aos cinemas em 2016.

Como o conflito temporal tomava forma diante dos jornalistas, com os dois intérpretes do professor Xavier, eles foram perguntados sobre o que diriam para as versões mais jovens deles se pudessem. “Divirta-se mais!”, diz Stewart. E McAvoy confidencia: “Talvez eu dissesse a mim mesmo para não aceitar fazer alguns filmes”.