Vento Festival 2016: Mahmundi cativa plateia com sonoridade saudosista no primeiro dia de festival

Samuca e a Selva, Russo Passapusso e Serge Erege também se apresentaram durante o evento, que acontece em Ilhabela, São Paulo

Gabriel Nunes, de Ilhabela Publicado em 10/06/2016, às 15h47 - Atualizado em 14/06/2016, às 00h28

A carioca Mahmundi no Vento Festival 2016.

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Marcado por temperaturas baixíssimas, o primeiro dia do Vento Festival 2016 aqueceu o público com ecletismo musical e regional, contando com um line-up totalmente em sintonia com a plateia. A segunda edição do evento – que no ano passado reuniu em Ilhabela nomes como Céu, O Terno e o trompetista Guizado – teve início na última quinta-feira, 9, na Praia do Perequê. Com programação inteiramente gratuita, o festival atraiu um público bem-disposto e variado, ainda que diminuto.

O som começou por volta das 21h30 com o groove latino-americano da banda Samuca e a Selva. O tímido público, com pouco menos de trinta pessoas, foi crescendo inusitadamente e ocupou boa parte do espaço destinado aos shows. O grupo paulista foi seguido pela carioca Mahmundi, que, por sua vez, deu lugar ao baiano Russo Passapusso. O encerramento ficou a cargo de Serge Erege, que tocou na Oca, um espaço intimista para apresentações pequenas e que abrigará debates sobre questões de gênero, sexualidade e outros temas na tarde do sábado, 11.

Além das apresentações, o evento reuniu na porção de areia que separa o mar da Avenida Princesa Isabel food trucks e bares devidamente ordenados. Atravessando a extensa avenida, ainda era possível adquirir desde cadernetas feitas à mão a apanhadores de sonhos na pequena feira artesanal organizada pelo próprio festival.

Samuca e a Selva, possivelmente a banda menos conhecida desse primeiro dia, abriu o festival para um público reduzido. No entanto, em meio às danças espontaneamente teatrais do líder do grupo, Samuel Samuca, a quantidade de pessoas cresceu exponencialmente.

“Fora Temer”, disse ele entre uma música e outra. Após uma série de aplausos e gritos de aprovação, o paulistano prosseguiu com o tom sério, distanciando-se do estilo escrachado e repleto de ironias contido no trabalho do grupo. “Não compactuamos com governo golpista”, continuou.

Mesclando em uma espécie de caleidoscópio musical elementos da música latina a sonoridades tipicamente nordestinas – como o baião, maracatu e carimbó – Samuca e a Selva conseguiu embalar a plateia, apesar do frio excruciante ressaltado pelos ventos marítimos.

Nostalgia oitentista

Em seguida, às 22h, vestindo um moletom estampado pelo clássico personagem Mickey Mouse, a jovem cantora Marcela Vale – mais conhecida pelo nome artístico Mahmundi – subiu ao palco acompanhada de banda e esboçando um tímido sorriso torto.

A apresentação da carioca foi marcada pelas baladas inspiradas no romantismo cadenciado com que a maior parte da produção musical dos anos 1980 foi concebida. “Somos o bonde mais oitentista de 2016!”, brincou Marcela. Simpática, a cantora ainda fez piada com o frio antes de entoar a canção “Eterno Verão”, do disco de estreia dela. Na sequência, a intimista “Quase Sempre” surgiu como uma divisora de águas do show. A banda também realizou um rápido improviso que serviu de combustível para a canção seguinte, a tétrica e eletrônica "Wild". Para finalizar, Marcela dedicou à plateia a sutil e melodiosa “Leve”.

Baião lisérgico e acalanto etéreo

Russo Passapusso subiu ao palco principal como a penúltima atração da noite. A apresentação do baiano – mais conhecido pelo trabalho como vocalista da banda BaianaSystem – foi marcada pela intensa profusão de gêneros musicais que caracterizam o disco de estreia dele, Paraíso da Miragem.

Acompanhado pela banda de apoio, da qual se destacam os músicos Curumin e Zé Nigro, o cantor entoou canções como “Paraquedas”, em que mostra a forte influência que a música do carioca Jorge Ben Jor teve na criação do primeiro disco dele.

Os teclados lisérgicos da faixa “Relógio” surgiram pontuais, embalando a plateia – que precisou encarar temperaturas cada vez mais baixas à medida que a madrugada avançava – em uma melodia que mesclou o gingado do samba brasileiro ao êxtase da psicodelia sessentista.

O músico aproveitou ainda para revisitar faixas do BaianaSystem, como a crítica e política “Duas Cidades”. Após concluir a performance com uma extensa jam session, os músicos se reuniram à frente do palco para agradecer ao público, que já começava a esvaziar o local.

Depois da enérgica apresentação do baiano, Serge Erege fechou a noite com show intimista no espaço Oca. Filho do My Bloody Valentine com o duo escocês Boards of Canada, o jovem músico realizou uma performance marcada por sintetizadores e danças ébrias, em que os efeitos etéreos e experimentais que escapavam dos alto-falantes se confundiam com o som das ondas rebentando nas areias da praia do Perequê.

O Vento Festival 2016 continua nos próximos dias. Veja a programação completa:

10 de junho, sexta-feira

19h – Aldo, the Band (Palco Vento)

20h10 – Jaloo (Palco Vento)

21h20 – Salada das Frutas/Liniker (Palco Vento)

21h50 – Salada das Frutas/As Bahias e A Cozinha Mineira (Palco Vento)

22h40 – Salada das Frutas/Rico Dalasam (Palco Vento)

23h30 – Bonde do Rolê (Palco Vento)

01h00 – Free Beats com Mc Linn da Quebrada (Oca)

11 de junho, sábado

19h – Filipe Catto (Palco Vento)

20h30 – Karina Buhr (Palco Vento)

22h – Aláfia (Palco Vento)

23h30 – Johnny Hooker (Palco Vento)

00h30 – Lay (Oca)

01h30 – Free Beats (Oca)

12 de junho, domingo

15h – Dom Pescoço (Palco Vento)

17h – O Grande Grupo (Palco Vento)

18h – Bruno Morais (Palco Vento)

Palestras

11 de junho, sábado

Sexualidade e Gênero na música

Às 15h, com Jaloo, Rico Dalasam, Liniker, Assucena Assucena, Raquel Virgínia, Luciana Rabassallo

Eu na política e facilitação para o diálogo. "Não a polarização".

Às 16h, com: Caio Trendolini

O que é a Cultura Maker? Uma economia compartilhada, com fim da grandes instituições?

Às 17h, com: Rodrigo Guima, Oswaldo Oliveira.