Projota expande o território com primeira música internacional com Orishas e mexicano Mario Bautista; ouça

"Qué Pasa" é o primeiro single dessa empreitada e integra o quarto álbum de estúdio, Tributo Aos Sonhadores II, ainda em produção

Nicolle Cabral Publicado em 25/10/2019, às 04h00

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Projota e Orishas (Foto: DONDYK+RIGA)

Aos 33 anos de idade, José Tiago Sabino Pereira - consagrado como Projota - vive o prelúdio de uma expansão musical para fora das fronteiras do Brasil ao lançar nesta sexta-feira, 25, o primeiro projeto internacional "Qué Pasa" ao lado de Orishas - grupo cubano responsável por fomentar a identidade cultural afro-americana por meio do hip-hop em Havana - e o jovem mexicano Mario Bautista.

"Queria unir três gerações", disse o rapper em entrevista para à Rolling Stone Brasil.

Mais de uma década depois das disputas de MCs, Projota despontou ao lado de grandes nomes do rap nacional, como Emicida, Rael e Rashid, e viu as próprias canções tocarem nas rádios, atingirem a massa e ganharem popularidade nas plataformas de streaming.

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Hoje, com a notoriedade de quem foi responsável por quebrar algumas barreiras dentro do gênero musical ao priorizar a liberdade lírica com rimas sobre amores, confissões, conquistas e posicionamento político, o rapper estabelece uma nova fase na carreira.

"Eu tenho planos. A música me despertou esse interesse [de expandir a sonoridade]. Eu me empolguei. A minha gravadora sempre quis, sempre acreditou em mim e achou possível: 'Você tem tudo pra conseguir', diziam. Mas eu sempre respeitei, acima de tudo, a música."

Ao pensar, desta vez, em uma composição autoral que flerta com outras línguas - anteriormente, no álbum de estreia, Foco, Força e Fé, de 2013, Projota já havia buscado essa experimentação com J Balvin, mas sem assumir o comando das líricas -, o rapper já estava pensando nos Orishas, grupo em que já era fã desde os anos 2000 quando lançaram o álbum Emigrante, para a composição. 

"Eu já escrevi pensando neles. Enquanto, eu escrevia o refrão, e pensava na melodia, eu já buscava o timbre deles", conta.

Para chegar até Mario Bautista, de 23 anos, Projota precisou garimpar alguns artistas. Depois de ouvir os trabalhos realizados pelo músico - que incluem parcerias com o DJ Alok e a cantora pop Anitta -, o rapper enviou uma mensagem no Instagram e foi recebido de forma positiva por Bautista.

O single - que integra o novo projeto, Tributo dos Sonhadores II, ainda sem data de lançamento - estreia juntamente com o clipe dirigido por Miguel Ángel Caro gravado nas cidades de Madri e no México.

Durante a entrevista, quando questionado sobre o consumo de música brasileira em outras regiões do globo, Projota relacionou a dificuldade dessa disseminação com a complexidade da língua portuguesa:

"É uma concorrência injusta. Especialmente para um artista como eu que prezo pela minha composição e pela mensagem que a minha música passa. Fica muito difícil chegar em uma pessoa que não está entendendo no que eu estou falando. Isso vai além de qualquer batida e do refrão".

Para a recepção da música, o rapper espera que "aconteça com o 'gringo', o mesmo que acontece com os brasileiros que, às vezes, podem não entender o que está sendo cantado, mas sentem a energia do que está sendo posto ali subvertendo a lógica desse alcance.

"Depois que essa música for para a rua, vamos ver o que vai acontecer", pontua Projota.

A nova faixa sucede o terceiro álbum de estúdio Tributo Aos Sonhadores I, em que o rapper costura narrativas românticas à críticas sociais e concretiza as conquistas pessoais realizadas ao longo desses dez anos fazendo shows.

Por enquanto, o projeto ainda não está fechado, mas Projota adianta que o novo disco terá muitas parcerias e manterá a força do antecessor, mas que "passará uma leveza" e terá o "swing" que o single "Qué Pasa" tem. 

Versátil e consolidado, ao refletir sobre a tradição silenciosa que o rap carrega e  as vulnerabilidades amorosas e chegar ao mainstream, Projota conta que naturalmente já se sentiu pressionado pela parcela de fãs que buscam constantememente no gênero um confronto social. 

"Sempre fiz tudo que eu quis e continuo fazendo, porque a música tem que ser real. Até hoje, eu não consegui parar de falar [de amor], se eu não fizer só por que não querem, a música fica adulterada. Vira de mentira." 

Ele acrescenta: "É complicado. Já me senti pressionado, mas por outro lado, aprendi a administrar tudo isso. As pessoas começaram a me ouvir pelas escolhas que eu fiz."

Assista ao clipe abaixo: