Vestidos de fama

Jesse Wood, baterista do The Naked and Famous, fala sobre os shows no Brasil e o próximo disco da banda

Stella Rodrigues Publicado em 13/03/2012, às 13h39 - Atualizado às 13h46

Naked and Famous
Divulgação

Se tem um grupo que faz o sonho mais manjado da história, o de “viver da banda”, não soar apenas como um conto de fadas contemporâneo, é o The Naked and Famous. Com dois EPs e um disco (Passive Me, Aggressive You), a banda deixou a cena underground da pequena Auckland, na Nova Zelândia, e está há mais de um ano fora de casa, viajando o mundo todo. O país da Oceania tem produzido algumas artistas de alcance mundial. Se por anos a referência mais forte que nós, brasileiros, tínhamos do país eram os esportes de aventura e os programas de intercâmbio, agora ele passa a ser visto como uma fonte rica de bandas de rock alternativo, com um tempero novo em relação às atrações de mesmo estilo originadas nos Estados Unidos e Inglaterra.

Na foto, Alisa Xayalith à frente, com Thom Powers e Aaron Short. Do outro lado, de cabelos longos, David Beadle e, ao fundo, Jesse Wood

Jesse Wood, baterista do The Naked and Famous, conversou por telefone com a Rolling Stone Brasil para falar um pouco sobre a vinda ao país, que inclui duas apresentações (saiba mais abaixo). “Estávamos recebendo muitas mensagens de fãs daí implorando para que a gente fizesse um show. Então, agora estamos indo e estamos animados”, conta ele, confessando que a única referência que tem do país é o CSS, que conheceu em um festival.

Ele não se lembra exatamente qual evento musical foi esse, e não é de se estranhar. Após o lançamento de Passive Me, Aggressive You, em 2010, o grupo caiu na estrada e não parou de fazer shows. O sucesso se deu em grande parte por causa do hit “Young Blood”, um hino pós-adolescente que estourou e fez com que o Naked and Famous entrasse para algumas listas de “bandas nas quais ficar de olho em 2011”. Mesmo com pouquíssima estrada, o trabalho fez com que eles abrissem shows para o Nine Inch Nails, banda preferida dos integrantes.

Após o fim da longa turnê, o foco se tornará o segundo disco. “A gente não gosta de compor enquanto viaja, porque não sobra muito tempo, não temos um espaço nosso. O ambiente não propicia”, afirma Wood. “Dá para compor individualmente um pouquinho, mas não dá para trabalhar direito com as ideias como grupo. Por isso precisamos de tempo para sentar e fazer isso mais para frente este ano.”

O N&F nasceu em 2008, mas Wood e o baixista David Beadle entraram definitivamente para a banda com a gravação do disco, com a função de encorpar o som do grupo. A adição fez uma diferença brutal na sonoridade. “O EP que o [guitarrista e vocalista] Thom e a [tecladista e vocalista] Alisa fizeram foi a primeira experiência deles com gravação e produção. Na hora de fazer o disco, com a gente, eles já estavam mais confortáveis. Nós cinco passamos muito tempo analisando músicas e ensaiando. E isso nos deu uma base mais sólida para compor e gravar, até porque eram mais pessoas colaborando.”

Com a fórmula e a formação certas encontradas e o show levado para todo canto, a preocupação maior agora é não perder o bonde do segundo disco. “Ainda temos mais turnê pela frente, mas queremos trabalhar nele ainda este ano para lançar o mais rápido possível”, conta Wood. “Tem muito material por aí, mas falta muito tempo a investir ainda. Tudo que sabemos é que queremos que seja mais diversificado do que o primeiro. Com [a dualidade] mais pesado, mais leve, mais rápido, mais lento.”

Uma previsão que Wood arrisca fazer para o trabalho é que talvez ele mantenha o senso de polaridade que ficou tão claro e funcionou bem na estreia. “A principal característica dessa polaridade é a parte vocais, que é dividida pelo Tom e a Alisa. Colocamos mais elementos, tanto naturais quanto eletrônicos, se contrapondo, e fomos seguindo esse caminho.”

A mistura de temas jovens que interessam de forma ampla e os contrapontos foram importantes na hora de conquistar público pela internet, navegando no turbulento hype do alternativo. Mas o Naked and Famous foi astuto em investir rapidamente em águas menos instáveis: das trilhas sonoras. Trabalhando com uma agência especializada, licenciaram todo seu conteúdo para que as faixas pudessem sonorizar cenas de filmes. “É uma ótima forma de fazer sua música chegar até um público diferente. Quem não ouve rádio e consome bastante música a partir de filmes, ouve enquanto está assistindo e se empolga. É uma questão de colocar as músicas certas nos filmes certos, isso pode ser muito poderoso e efetivo. Até porque a gente vê muito filme, eu conheci muita coisa assim no último ano”, revela Jesse Wood, explicando que o grupo tem total poder de veto caso não gostem do tema do filme, do filme em si ou até se não acharem aquele um bom casamento de imagem/som.

The Naked and Famous no Brasil

Rio de Janeiro

15 de março

Circo Voador – Rua dos Arcos, s/n – Lapa

Ingressos: www.ingresso.com.br

São Paulo

16 de março

Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82 - Liberdade

Ingressos: cinejoia.tv/ingressos