Vic Chesnutt morre aos 45 anos

Descoberto por Michael Stipe no final dos anos 80, cantor e compositor indie estava em coma há dias após ingerir dezenas de relaxantes musculares

Da redação Publicado em 28/12/2009, às 12h07

O cantor e compositor Vic Chesnutt morreu na sexta, 25, em Atenas, Georgia (EUA). Chesnutt, que vivia em uma cadeira de rodas desde os 18 anos, quando sofreu um acidente de carro, foi inserido no cenário do indie rock após Michael Stipe, líder do R.E.M., produzir seus dois primeiros álbuns (Little, de 1990 e West of Rome, 1991). Antes de falecer, no Natal, o artista passou alguns dias em coma por conta de uma overdose de relaxantes musculares. Ele tinha 45 anos.

Ainda é incerto se a morte do músico pode ser atribuída a suicídio. Sabe-se que Chesnutt já havia tentado se matar anteriormente, e que uma amiga próxima escreveu no Twitter, na véspera de Natal, que a internação acontecera por causa de outra tentativa de suicídio, mas que "ninguém sabia muito" sobre o que de fato estava acontecendo.

Os problemas de saúde fizeram de Chesnutt um duro crítico ao sistema de saúde norte-americano. Este ano, ele contou ao site da Spinner que, apesar de ter seguro de saúde, acumulou dívida de US$ 35 mil com o hospital. Curiosamente, nesta mesma semana, o governo de Barack Obama conseguiu emplacar uma das maiores reformas no sistema de saúde doméstico.

Sobre a morte do amigo, Michael Stipe declarou em comunicado no site da gravadora Constellation Records: "Nós perdemos um dos grandes. Suas músicas e histórias permanecem".

O auge da carreira de Chesnutt aconteceu em 1996, com o lançamento do álbum-tributo Sweet Relief II: Gravity of the Situation, em que artistas como Madonna, Smashing Pumpkins, R.E.M. e Garbage interpretaram músicas suas. Parte dos lucros foi repassada à instituição de caridade Sweet Relief, que auxilia músicos com problemas de saúde.

Chesnutt lançou 13 álbuns em 19 anos. O mais recente é deste ano: Skitter on Take-Off. Também em 2009 ele colaborou no álbum que Danger Mouse preparou em parceria com Sparklehouse, junto a artistas como Iggy Pop e Julian Casablancas, e participou de um álbum-tributo a Mark Mulcahy.

Entre os amigos que fez ao longo da carreira está Patti Smith. "Ele possuía uma energia sobrenatural e, mesmo assim, humanista com o homem comum em mente", a roqueira disse em nota oficial. "Ele estava inteiramente presente e inteiramente em outro lugar. Um outro lugar místico. Uma criança e um velho, como ele dizia."