Vídeo mostra como Bon Scott fez os fãs do AC/DC vibrarem com ‘Highway to Hell’ antes mesmo de ser lançada; assista

O vocalista morreu em 19 de fevereiro de 1980, um mês após o encerramento da turnê da banda

KORY GROW, ROLLING STONE EUA Publicado em 20/02/2020, às 18h21

None
Bon Scott (Foto: Robert Alford / Divulgação)

Meio ano antes da morte de Bon Scott, o músico estava no auge com os colegas do AC/DC na parte norte-americana da turnê If You Want Blood. Em 21 de julho de 1979, a jornada levou a banda para Oakland para um show no Festival Day on the Green, onde eles tocaram no mesmo dia que Ted Nugent, Aerosmith, Frank Marino e Mahogany Rush, entre outros. A julgar pelo vídeo da apresentação do grupo, Scott tinha energia suficiente para o dia inteiro.

Durante "Live Wire", ele se contorce pelo palco e se inclina para o microfone, posando para a primeira fila. No início da segunda música, ele rasga o colete jeans e diz: "Aqui está uma 'criança problema’ para você".

+++ LEIA MAIS: Como foi o último show de Bon Scott com AC/DC antes da morte precoce?

No meio do set ele tem a audácia de desafiar a plateia com uma nova faixa de um álbum ainda não lançado: "Highway to Hell". Enquanto os irmãos Young entram no riff principal, tão fresco que parece um pouco vacilante, Scott vende a canção com tanta força que você pode ver a fila da frente batendo palmas e levantando os punhos enquanto canta: “No stop signs, speed limit, nobody’s gonna slow me down". 

Entre outros números, o resto do set mostra "The Jack" e uma versão hard rock do "Dog Eat Dog" do álbum Let There Be Rock.

+++ LEIA MAIS: AC/DC: Homenagem a Bon Scott fecha a rodovia australiana conhecida como “Highway To Hell”

Embora o grupo australiano tenha se destacado internacionalmente na maior parte dos anos 1970, eles ainda não tiveram um impacto real nos EUA. Depois de Highway To Hell - menos de uma semana após o Day on the Green - eles se tornaram superstars. 

O disco tinha os singles "Girls Got Rhythm", "Touch Too Much" e, é claro, "Highway to Hell", que chegou ao número 47 do Hot 100 em dezembro de 1979. O LP chegou ao número 17 na Billboard 200 e ganhou ouro e platina até 1980. Desde então, já foi certificado sete vezes platina.

+++ LEIA MAIS: Vocais isolados de Bon Scott em ‘Let There Be Rock’ mostram a potência do antigo vocalista do AC/DC; ouça

Scott nunca teve a chance de aproveitar plenamente o sucesso do AC/DC. Em 19 de fevereiro de 1980, ele participou de um ensaio da banda, tocou bateria em algumas músicas que apareceriam no álbum Back in Black(1980) e depois foi a um clube de Londres chamado Music Machine. Naquela noite, ele morreu de asfixia, engasgando com o próprio vômito depois de beber demais. Ele tinha 33 anos.

O AC/DC recrutou o vocalista da Geordie, Brian Johnson, em abril e terminou o Back in Black logo em seguida, lançando-o em julho de 1980. "Fiquei triste por Bon", disse Angus Young em entrevista à Rolling Stone EUA em 1980. "Eu nem pensei na banda. Estivemos com Bon o tempo todo; nós vimos mais dele do que a própria família dele." 

+++ LEIA MAIS: Back in Black: Há 39 anos, o AC/DC enfrentava a morte de Bon Scott e lançava um dos disco mais influentes do rock

Apesar da tristeza, Malcolm Young disse que nunca pensou em terminar a banda. “Pensei: 'Bem, foda-se isso. Eu não vou ficar sentado o ano todo", disse ele. "Então liguei para Angus e disse: 'Você quer voltar e ensaiar?' Isso aconteceu cerca de dois dias depois”. Angus respondeu: "Tenho certeza que se fosse um de nós, Bon teria feito o mesmo".

Back in Blackse tornou um dos álbuns mais vendidos da história - desde então foi certificado com diamante duplo, reconhecendo mais de 25 milhões de cópias vendidas. O súbito interesse pelo AC/DC, no entanto, inspirou um renascimento para Bon Scott

+++LEIA MAIS: Brian Johnson foi demitido do AC/DC pelo telefone: "me afoguei no uísque"

O lançamento de Dirty Deeds Done Dirt Cheap, em 1981, foi um sucesso imediato, chegando ao número três na Billboard 200. Em 1997, a banda lançou o box Bonfire, que continha gravações inéditas que Scott fez com a banda. Foi também um sucesso, chegando a ser platina.

"Eu me lembro de [Bon] como um profissional e um cara consciente quando trabalhamos no estúdio", revelou Angus uma vez. “Ele olhou para isso como uma arte. Se tivéssemos alguns dias de folga, ele poderia sair e ficar um pouco louco. Ele tinha uma grande constituição. Ele sempre foi o primeiro a sair da cama e sempre parecia em forma e saudável. Ele era um cara que realmente gostava da vida.”

Assista ao vídeo:


+++ SESSION ROLLING STONE: RUBEL TOCA MANTRA