Vinnie Paul, baterista e cofundador do Pantera, morre aos 54 anos

“A família pede que, por favor, seja respeitada a privacidade durante este tempo”, escreve a banda sobre o baterista que também tocou no Damageplan e no Hellyeah

Rolling Stone EUA Publicado em 23/06/2018, às 17h59 - Atualizado às 18h12

Vinnie Paul, lendário baterista do Pantera
Owen Sweeney/Invision/AP

Vinnie Paul, baterista e integrante fundador da banda de heavy metal Pantera, morreu na noite da última sexta, 23, aos 54 anos de idade. A informação foi divulgada pela página oficial da banda no Facebook. Ele morreu enquanto estava dormindo e a causa da morte não foi imediatamente divulgada.

“Vincent Paul Abbott, conhecido como Vinnie Paul, morreu” escreveu o Pantera. “Paul é mais conhecido pelo trabalho como baterista nas bandas Pantera e Hellyeah. Nenhum detalhe está disponível agora. A família pede que, por favor, seja respeitada a privacidade durante este tempo”, o Las Vegas Review Journal noticiou que ele morreu em Las Vegas.

“Não consigo acreditar nisso. Descanse em paz nosso irmão, Vinnie Paul”, o Anthrax tuitou, enquanto Paul Stanley, do Kiss – cujo antigo baterista, Peter Criss, foi uma das maiores influências para Paul – escreveu: “Muito triste em saber da morte de Vinnie Paul. Amava quando o Pantera fazia shows conosco e, nos últimos anos, Vinnie sempre estava na frente e no meio em todos os shows do Kiss. RIP e condolências para a família.”

Paul nasceu no estado norte-americano do Texas e formou o Pantera ao lado do irmão, o virtuoso guitarrista "Dimebag" Darrell Abbott, e o baixista Rex Brown, em 1991. A banda passou praticamente a primeira década como discípulos ferrenhos do hard-rock, trazendo elementos de thrash e hair-metal conforme os anos se passaram. Depois de gravar três álbuns no começo dos anos 1980 com os vocalistas Donnie Hart e Terry Glaze, a banda recrutou o cantor Phil Anselmo em 1987 para estabelecer a formação clássica, com Anselmo, Abbott, Paul e Brown.

Com Cowboys From Hell, de 1990, a estreia por uma grande gravadora, a banda de um salto considerável, rapidamente encabeçando uma nova escola de metal. O grupo mudou o foco para ritmos excruciantes e hipnóticos, abastecidos pelo ágil trabalho de Paul com o bumbo duplo. O disco seguinte, Vulgar Display of Power – 10º lugar na lista da Rolling Stone EUA de Melhores Álbuns de Metal –, foi um exemplo quase perfeito do que viria a ser o groove metal e um modelo para como a música heavy metal soaria durante os anos 1990 e depois.

De alguma maneira miraculosa, o ainda mais extremo álbum subsequente, Far Beyond Driven (1994), estreou em primeira lugar nas paradas norte-americanas – e está na 39ª posição na lista de Melhores Álbuns de Metal da Rolling Stone –, com The Great Southern Trendkill chegando dois anos depois. Três anos depois de Reinventing the Steel (2000), o Pantera se separou, devido a divergências entre os irmãos Abbott e Anselmo.

Depois do Pantera, os irmãos Abbott formaram o Damageplan e lançaram o LP New Found Power em 2004, mas a trajetória da banda foi tragicamente interrompida quando Dimebag morreu em cima do palco, após ser baleado por um fã enlouquecido em dezembro de 2004.

Dois anos depois da morte do irmão, Paul retornou à música com o supergrupo de metal Hellyeah, que também contava com o vocalista, Chad Gray, e o guitarrista, Greg Tribbett, do Mudvayne, além do guitarrista, Tom Maxwell, e o baixista, Jerry Montano, do Nothingface. Bob Zilla, do Damageplan, ainda chegou a substituir Montano no baixo. O supergrupo lançou cinco álbuns juntos ao longo desta década, sendo Unden!able, de 2016, o mais recente deles.

Mas é o legado e a influência de Paul com o Pantera que vão deixa uma marca indelével. Nos anos subsequentes, os grooves profundos porém cheios de peso do Pantera e a elegância e a sonoridade quase industrial dos álbuns da banda – resultado de uma duradoura colaboração com o produtor Terry Date – seriam ecoados no trabalho de de algumas das maiores bandas de heavy metal dos anos 2000, incluindo Lamb of God, Slipknot e Five Finger Death Punch. “No minuto que eu coloquei para ouvir, toda a minha vida mudou”, o vocalista do FFDP, Ivan Moody, disse em 2013 sobre a primeira vez que ouviu Cowboys From Hell. “Minha alma entrou em chamas, meus olhos ficaram vermelhos. Era isso pra mim. Eles viraram a melhor banda do mundo para mim.”