Vinte clássicos negligenciados de Bob Dylan

Faixas menos conhecidas que merecem um lugar no panteão

Por Rob Sheffield Publicado em 24/05/2011, às 13h31

Bob Dylan completa 70 anos
AP

"You're No Good" (Bob Dylan, 1962)

De sua estreia folk comumente negligenciada, uma rajada profética de rockabilly. Até em seu início, se esforçando para fazer seu nome na cena folk, Dylan tem rock & roll em seus ossos.

"Going, Going, Gone" (Planet Waves, 1974)

Uma de suas últimas grande performances de estúdio com a Band - e também uma de suas músicas mais "pegajosas" sobre morte.

"Black Diamond Bay" (Desire, 1976)

Um conto sobre amor proibido, violência, deslealdade - e, ainda, uma surpresa no último verso, em que acontece que Dylan está em casa, assistindo ao jornal na TV, tomando cerveja. Ah, os anos 70.

"Where Are You Tonight? (Journey Through Dark Heat)" (Street Legal, 1978)

Algumas cervejas depois, aqui está ele ao fim do Street Legal, com suas últimas palavras antes de cair em seus anos de cristianismo e seu mal-estar da década de 80. Ele pergunta a mesma coisa que costumava perguntar a Sweet Marie, mas esse é, certamente, o som de um homem à beira de um enorme colapso.

"Pressing On" (Saved, 1980)

O período cristão de Dylan conteve alguns de suas gafes mais malucas, mas também teve esse hino gospel comovente (apesar de, ainda assim, maluco) sobre o pecado original. Com um traço de déjà vu, ele diz aos pagãos em seu rebanho "não olhe para trás".

"I and I" (Infidels, 1983)

"Faz tanto tempo desde a última vez que uma mulher estranha dormiu na minha cama", ele canta no verso inicial. Acho que acabou tudo para aquela coisa de chamado do meu Deus, então? O groove agradável do reggae, uma bateria exageradamente grandiosa e tudo mais fazem a defesa de Mark Knopfler como um de seus produtores mais simpáticos.

"Sweetheart Like You" (Infidels, 1983)

A melhor de suas baladas acinzentadas de meia idade sobre sexo descompromissado. Essa música basicamente se tornou o modelo dos últimos 25 anos de carreira de Leonard Cohen, pela qual todos nós temos que ser gratos.

"Dark Eyes" (Empire Burlesque, 1985)

Enquanto Dylan estava perdido em baterias sintetizadas e ternos casuais, isso sem falar nos clipes de dança em fila, ele voltou para o violão acústico para esse seu folk triste e nebuloso. Julgando pela letra, ele andava escutando muito U2 secretamente.

"The Groom's Still Waiting At The Altar" (Biograph, 1985)

A mais assustadora de todas as músicas de apocalispse de Dylan. "Cidades incendiadas, telefones que não funcionam, eles estão matando freiras e soldados, eles estão lutando na fronteira". E, para piorar tudo, Dylan não consegue arrumar alguém para um encontro romântico.

"Tight Connection to My Heart (Has Anybody Seen My Love)" (Empire Burlesque, 1985)

Mergulhado profundamente nos anos de selva da década de 80, Dylan solta um grito potente de desespero, sua melhor música da era. Quando ele diz "Fica calma, querida, não tem nada que valha a pena roubar aqui", é a grasnada zen de tarde da noite de um sábio de um albergue noturno. Além disso, um clipe em que ele tenta dançar em fila. O homem tinha muitas ideias malucas naquela época.

"Pretty Boy Floyd" (Folkways: A Vision Shared - A Tribute to Woody Guthrie and Leadbelly, 1988)

Dylan fez muitas homenagens a Woody Guthrie ao longo dos anos, mais diretamente nesse disco de tributo Folkways: A Vision Shared, dando vida novamente ao conto marginal que ajudou a inspirar clássicos como "John Wesley Harding" e "Drifter's Escape".

"Tweeter and the Monkey Man" (The Traveling Wilburys, Traveling Wilburys-Vol. 1, 1988)

Se simplesmente ele tivesse feito um disco inteiro só com isso, em vez dos álbuns que fez, de fato, naquela época. Esse conto hippie do disco de Traveling Wilburys tem todo o humor selvagem de Vineland, de Thomas Pynchon, brincando com Bruce Springsteen, Neil Young, os anos sessenta e - principalmente - Bob Dylan.

"Born In Time" (Under the Red Sky, 1990)

Mais uma sobra excluída de Oh Mercy. Ele se atrapalhou com a música no terrível Under the Red Sky, mas essa versão definitivamente corajosa acabou saindo em Tell Tale Signs.

"Blood In My Eyes" (World Gone Wrong, 1993)

O destaque desse projeto essencial de recuperação da voz, no início da década de 90, transformando canções antigas do folk e do blues no som de um rugido de Dylan novinho em folha. Ele capta a inteligência do original de 1931 do Mississippi Sheiks, mas acrescenta sua própria ameaça furtiva, quando ronrona "ei, babe, tenho sangue nos olhos por você".

"Series of Dreams" (The Bootleg Series, Vol. 1-3, 1991)

O centro conceitual de Oh Mercy. Exceto na tradição de "Blind Willie McTell" e "Caribbean Wind", Dylan deixou o centro fora do álbum.

"She's Your Lover Now" (The Bootleg Series Vol. 1-3, 1991)

"Dor certamente desperta o melhor nas pessoas, não?" Certamente, sim, Bob. O senhor Charme exibe sua personalidade borbulhante com seis minutos de foras extremamente ácidos e frios, cuspindo veneno o suficiente para fazer a cena da Factory, de Andy Warhol, parecer amadora no sarcasmo. Até os caras da banda devem ter ficado um pouco desconfortáveis no momento quando Dylan manda "Você só fica aí sentado pedindo cinzeiros. Não consegue alcançar?".

"Standing in the Doorway" (Time Out of Mind, 1997)

É fácil esquecer, por causa de todas as milhões de outras coisas que Dylan faz, mas ele certamente compõe ótimas canções a respeito da perda de mulheres. Sua voz, aqui, soa ainda mais desolada do que o órgão de Auggie Meyers.

"Nettie Moore" (Modern Times, 2006)

Uma mudança de rumo em Modern Times: um tributeo às baladas de piano dos bares do século 19, mais Stephen Foster do que Muddy Waters, com Dylan afirmando "Sou o filho mais velho de um homem louco / Faço parte de um bando de caubóis.

"Dreamin' of You" (The Bootleg Series, Vol. 8: Tell Tale Signs, 2008)

Outro destaque do Tell Tale Signs, esta feita para Time Out of Mind, reciclando a letra de "Standing in the Doorway". Dylan faz um fugitivo solitário, seguindo uma mulher que é uma fugitiva ainda mais esperta do que ele.

"Huck's Tune" (The Bootleg Series, Vol. 8: Tell Tale Signs, 2008)

Da trilha sonora do pouco notado filme de Drew Barrymore Bem-vindo ao Jogo, salvo para a posteridade em Tell Tale Signs. É um blues romântico vagaroso: "Quando beijo seus lábios o mel pinga / Mas vou ter que largar você por um tempo".