Virada Cultural 2013: Emicida atrasa e alfineta Lobão

Rapper subiu ao palco A Rua é Show, na Rio Branco, meia hora depois do previsto, empolgou público com faixas como “E.M.I.C.I.D.A” e dedicou “Zoião” ao músico Lobão

Patrícia Colombo Publicado em 19/05/2013, às 07h46 - Atualizado às 18h26

Emicida na Virada Cultural

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Em sua última apresentação em São Paulo antes de embarcar para Europa na nova turnê que começa em junho, Emicida assumiu o comando do palco da Virada Cultural dedicado ao rap nacional na avenida Rio Branco, chamado A Rua é Show. Sucedendo a apresentação do lendário Nelson Triunfo junto ao grupo Funk & Cia, o rapper atrasou trinta minutos, mas animou a plateia com alguns de seus sucessos - e não fez muita questão de ser gentil com o polêmico músico Lobão nem com o governo, no que se refere às condições em que se encontra o sistema educacional do país.

Um dos grandes destaques da cena do rap nacional nos últimos anos, Emicida tem no currículo duas mixtapes (Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe..., de 2009, e Emicídio, de 2010) e dois EPs (Sua Mina Ouve Meu Rep Tamém, de 2010, e Doozicabraba e a Revolução Silenciosa, de 2011), e seu primeiro disco completo deve sair ainda em 2013. Assim, aproveitou a ocasião para misturar no set list faixas já bastante conhecidas, como “E.M.I.C.I.D.A”, “Vacilão”, “Zica, Vai Lá”, “Rua Augusta 0.2”, “Dedo na Ferida” – que representaram alguns dos pontos mais altos quanto à receptividade do público – a temas mais recentes, como “Zoião”, que chegou aos ouvidos dos fãs do rapper no início do mês.

Numa mistura bem nacional, Emicida convocou Leandro Lehart (ex-frontman do grupo pagodeiro Art Popular) para subir ao palco e tocar o cavaquinho em "Um Pouco de Amor" e no hit dos anos 90 “Agamamou”. Rael, parceiro de longa data de Emicida, também foi um dos convidados, participando, como de costume, em “A Cada Vento”. Em um dos momentos de conversa com quem estava lá, Emicida despejou admiração por nomes como Nelson Triunfo, MC Pepeu e MV Bill, e fez questão de agradecer aos “verdadeiros fãs da cultura hip-hop” por terem chegado cedo ao local para desfrutar o máximo possível do trabalho dos artistas que passariam por ali.

Mas se ele encharcou a plateia de elogios e reverenciou a velha-guarda da cena, o mesmo não aconteceu quando o discurso se tornou um pouco mais politizado. "Está rolando greve dos professores, e nem tudo é festa. Se você tem filho - ou se ainda vai ter - precisa brigar por isso", disse. Na sequência, pediu para que as pessoas levantassem o dedo médio em uma espécie de protesto. Sobrou também para Lobão, a quem dedicou “Zoião”. “Um jornalista me ligou para que eu comentasse de um certo cara do rock, que lançou um livro. Acho triste esse tipo de coisa. Essa música vai pra ele”, falou. A faixa tem versos como “Gente sem visão, sem amor/Com o olho do tamanho de um hambúrguer/No progresso do trabalhador” e “Tem gente que não pode/Ver ninguém feliz/Apronta, conspira contra, infeliz/Na vila a gente logo aponta/E diz esse aí é zoião, zoião.”