Virada Cultural 2013: Eumir Deodato recria parte do repertório de Deodato 2

O arranjador e tecladista esteve o tempo todo à vontade e em grande interação com a plateia no Theatro Municipal

Antônio do Amaral Rocha Publicado em 19/05/2013, às 22h02 - Atualizado às 22h14

Eumir Deodato
Rodrigo Mesquita / I Hate Flash

Com um show enxuto de uma hora de duração, Eumir Deodato provou mais uma vez por que é um dos arranjadores brasileiros mais conceituados da música no mundo em atividade. Como se sabe, Eumir já foi e continua sendo solicitado para arranjar e dar uma aura de genialidade a repertórios de bandas e cantores de gêneros variados. Atualmente anda as voltas com trabalhos para a cantora espanhola Luz Casal.

Para esta edição da Virada, o mestre arranjador se comprometeu a recriar no palco as faixas de seu Deodato 2 (1973). Por causa da complexidade de quatro músicas do disco original, inadequadas para execução em trio, elas acabaram sendo substituídas por outras no set list, entrando 2001, Also Sprach Zarathustra”, de Richard Strauss, “Summertime”, de George Gershwin, “Berimbau”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, e “Carly & Carole”, dele mesmo.

Eumir tocou acompanhado pelo baixo de Marcelo Mariano, “o melhor do mundo”, segundo ele, e pela bateria de Roberto “Massa” Calmon, “um dos grandes e o melhor que conheço”. A competência de ambos pôde ser comprovada nos longos solos durante a execução de “Berimbau”.

Para todas as músicas Eumir tem uma história, e nesta oportunidade contou como quase interditou a projeção do filme O Exorcista no mundo todo, em 1973, por terem usado sem a sua autorização um segmento da música “Carly & Carole”, que hoje ele chama de “a música do pipi”, pelo fato de a música estar colada à cena em que a menina possuída pelo demônio faz xixi na sala.

Histórias à parte, o que interessa ressaltar é a extrema facilidade com que Eumir recria os intrincados acordes no seu teclado. No repertório, além das já citadas, ele tocou “Whirlwinds”, “Skyscrapers”, “Super Strut”. A pedido do público, “... Zarathustra” foi executada duas vezes. Um ponto negativo foi o fato de a recriação de “Do It Again”, de Steely Dan, que estava prevista para o bis, ter ficado de fora.

Eumir Deodato fez o certo: o seu show enxuto, de uma hora apenas, deixou um gosto de “quero mais”.