Virada Cultural 2013: Sidney Magal encarna o amante latino e esbanja romantismo no palco Arouche

Cantor não desaponta o público que compareceu em grande número para cantar e dançar ao som de seus maiores hits

Pedro Antunes Publicado em 19/05/2013, às 03h12 - Atualizado às 19h27

Sidney Magal
Mauricio Santana/ I Hate Flash

Por que assistir a um show de Sidney Magal? Porque é sempre divertidíssimo, oras. Nos últimos anos, ele ganhou mais status do que apenas um cantor romântico, como tanto se vê e ouve por aí. Magal, hoje, é uma figura icônica da cultura popular nacional. Magal, hoje, é Cult.

E, sim, por isso, vale a pena assistir a um show do cantor carioca. Principalmente no palco Arouche, já conhecido pelas atrações de música brega e romântica. As canções de Magal são entorpecidas daquele romantismo de anos 80, que cheiram a perfume de boate barato. Ele faz o tipo muso quase sessentão (ele tem 59 anos), com requebrados e passos de dança performáticos.

De blazer branco e camisa e calça de cor preta, Magal é só sorrisos e galanteios. Joga os cabelos lisos para trás, conversa com as mulheres da plateia e canta sobre como o sangue dele ferve pela amada, entre outras pérolas do vocabulário brega nacional.

Galanteios estes que parecem funcionar até com garotas mais jovens. Uma delas, que aparentava ter em torno de 20 anos, tentou subir no palco em duas ocasiões. Na primeira, ela chegou a estar próxima a Magal, até ser tirada do palco e devolvida à plateia. “Eu também amo você, meu amor”, disse o cantor a ela.

Magal executou algumas canções pouco conhecidas, sacadas do último DVD - Sidney Magal Ao Vivo (2006) e até trocou de roupa em um intervalo feito no meio da apresentação: ele voltou com um blazer preto com paetês.

O cantor tem ao seu lado uma cantora, de traje minúsculo (um vestido azul-marinho e só) e uma banda formada por baixo, guitarra, sax, teclado e bateria.

Ele cantou “Advinha o Quê”, lançada por Lulu Santos na década de 80, e brincou com a letra erótica. “Queria ter gravado essa música nos anos 80, porque, agora, eu só consigo cantar ‘eu quase faço com você, quase faço com você”, disse Magal, em referência aos versos de “só quero com você / só quero com você”.

Encarnando essa versão de amante latino, Magal não deixou nenhum hit de fora. Espalhou pelos sets “O Meu Sangue Ferve Por Você”, “Se Te Agarro Com Outro Te Mato” e “Sandra Roda Madalena, a Cigana”. O público cantou e vibrou até o fim. Uma senhora de meia-idade disse para a amiga, ao lado da reportagem da Rolling Stone Brasil: “toma essa, Gal Costa!” Em referência ao show morno da cantora, realizado horas antes, no palco Júlio Prestes.

Então, por que assistir um show do Sidney Magal? Seja qual for seu gênero musical favorito, umas boas risadas nunca serão demais.