Virada Cultural - Circo de horrores

Show do Misfits foi marcado por confusão e presença do batalhão da PM

Por José Julio do Espirito Santo Publicado em 17/04/2011, às 17h40

Conhecidos como um dos pais do horror punk, os Misfits tiveram uma estrada cheia de valas, cujo fim foi o heavy metal. Ainda que louvados como influência de diversas bandas, nunca conseguiram sair do underground. Talvez nunca quisessem. Beirando os 35 anos de existência, e três anos após seu último show no Brasil, foi uma das maiores atrações do Palco Júlio Prestes, às 2h da manhã deste domingo, 17, na Virada Cultural, depois de terem tocado no Abril pro Rock, em Recife, no dia anterior.

E foi um dos shows mais arriscados de se assistir. Motos dentro de um globo da morte descansavam a alguns metros do palco e os artistas-atletas do Acrobático Fratelli terminavam sua apresentação pendurados por um guindaste. Um outro circo - o dos horrores - estava para começar. Zé do Caixão o abre em uma aparição relâmpago, sentado e paralisado de medo, num caixão pendurado pelo mesmo guindaste, tomando algumas latas na cartola e amaldiçoando o público pelas "boas-vindas".

Após uma passagem de som irritante em frente a plateia, o baixista Jerry Only veio à frente do palco com uma bandeira do Brasil nas costas, faz o sinal da cruz e logo pede calma à plateia quando uma garrafa de destilado é catapultada para quase espatifar no palco. É a deixa para o batalhão da PM fazer um show à parte, armados com carabinas e bombas de efeito moral. Sob o comando de Only, Dez Cadena (guitarra) e Eric "Goat" Arce (bateria) levaram clássicos como "Six Pack", do Black Flag, e "Die, Die My Darling" para o deleite de um público enorme, ensandecido, em uma noite mais bizarra que o penteado de Jerry Only, o famoso Devilock.