“Você fica vítima daquilo”, diz Gal Costa sobre o Twitter

Ao lado de Caetano Veloso para falar sobre o novo disco, Recanto, cantora disse que não pretende voltar a usar a rede social

Bruna Veloso Publicado em 30/11/2011, às 21h12 - Atualizado às 21h25

Gal Costa e Caetano Veloso
Victor Affaro

Gal Costa saiu do Twitter em janeiro – e nem agora, com novo disco e um show repaginado a caminho, a cantora pretende voltar a usar a rede social. “O Twitter é meio chato, porque quando você começa a usar, se sente na obrigação de dizer tudo o que está fazendo”, afirmou a cantora em resposta à reportagem da Rolling Stone Brasil na tarde desta quarta, 30, em São Paulo. Ao lado de Caetano Veloso, Gal falou a um grupo de jornalistas sobre o novo disco, Recanto, que tem lançamento previsto para a próxima semana.

“Você fica vítima daquilo. Acaba fascinado por aquela coisa, viciado”, continuou a cantora, sobre o microblog. “‘Agora vou ao banheiro, espera aí um minuto’ [risos]. É um saco. E é muito chato, porque às vezes tem umas pessoas muito grosseiras.” Gal abandonou seu perfil no Twitter após receber críticas por comentários a respeito da “preguiça” do baiano. A última mensagem da cantora, postada em 19 de janeiro, foi: “Tô fora! Um beijo com carinho, amor e delicadeza para os que preservam estes sentimentos. Adeus”. A página ainda está no ar.

Com o Twitter de molho, Gal voltou suas atenções ao Facebook. “Eu gosto de Facebook na verdade pra jogar. Do FarmVille eu já enchi o saco, agora eu estou gostando do CityVille, mas daqui a pouco encho o saco também”, brincou. Caetano, apesar de olhar sempre adiante quando o assunto é música, não é adepto desses âmbitos da internet. “Não sei nem do que ela está falando”, ele ri.

Recanto

O novo disco de Gal Costa marca a volta de sua parceria com Caetano Veloso, como a Rolling Stone Brasil adiantou na reportagem de capa de julho (leia a íntegra aqui). Caetano compôs todas as músicas pensando em Gal, e o trabalho marca uma guinada na carreira de ambos: calcado na música eletrônica, com bases de Kassin e Moreno Veloso (que também foi produtor), entre outros artistas, o conjunto de 11 faixas não se assemelha a nada feito anteriormente por nenhum dos dois. Há, inclusive, uma tentativa de funk carioca, a faixa “Miami Maculelê”.

“Eu, Kassin e Moreno concordamos que ela deveria ter um tratamento de funk carioca feito por quem faz [funk], de fato”, explica Caetano, que empolga-se ao falar sobre o gênero. “Aquelas programações são fenomenais, são a arte de vanguarda mais impressionante do Brasil, fiquei impressionado com aquilo. O meu filho mais novo, que tem 14 anos, adora ouvir rádio que toca funk. Ele gosta de pagode e funk, porque ele joga futebol, tem gosto de jogador de futebol. Aí ele bota na rádio de funk e eu ouço aquelas gravações, fico deslumbrado!”

Tanto Caetano queria uma criação de alguém já versado no funk, que pediu a colaboração de DJ Marlboro para fazer a base - o que acabou não se concretizando. “Eu compus, fiz aquela parte em que eu falo, meio rap. Aí pedimos ao Marlboro. Encontrei com ele e ele disse que adorou, que ia fazer. E nunca entregou”, ri Caetano, que durante toda a entrevista manteve o bom humor. “Então eu fiz com o Kassin. Não ficou como as [músicas de funk carioca] deles – as deles são mais vanguardistas do que a nossa. Mas a nossa é consideravelmente boa.”

Recanto chega às lojas oficialmente em 6 de dezembro. Saiba mais sobre o disco na próxima segunda, 5, no site da Rolling Stone Brasil.