Woodstock, 16 de agosto de 1969

Segundo dia do festival foi levantado com Santana e apresentações emblemáticas de Janis Joplin e The Who

Da redação Publicado em 17/08/2009, às 12h51

Depois de uma pausa de quase dez horas, o Woodstock retomou a maratona de música, paz e lama. Nem a falta de banheiros ou a escassez de comida espantaram o quase meio milhão de hippies ali amontoados. Fiel ao evento, o público do primeiro dia permaneceu presente na fazenda em Bethel para os aguardados shows de Santana, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who e Jefferson Airplane. O rock n'roll psicodélico dominaria o palco do festival após diversas apresentações de artistas folk, como Joan Baez.

Às 12h15, os irmãos Cole, da banda Quill, deram a largada para o dia 16 de agosto de 1969. O set de quatro músicas, em quarenta minutos, serviu de pequeno despertador para aqueles que não resistiram ao gramado enlameado e fizeram dele a cama do final de semana. Em seguida, os espectadores assistiriam às performances de Keef Hartley Band e Country Joe McDonald, vocalista do grupo Country Joe & the Fish, dono do refrão "One, two, three, what are we fighting for?". Pouco antes da entrada de Santana, John Sebastian, ex-Lovin' Spoonful, se apresentou brevemente, encerrando sua aparição com um recado à altura do evento: "Apenas amem todos ao redor de vocês, limpem qualquer lixo no caminho de vocês e tudo ficará bem."

Por volta das 14h30, Carlos Santana surgiu acompanhado por sua banda. Os 45 minutos de show foram preenchidos pelo repertório do disco de estreia do grupo, então divulgado naquele show - as centenas de milhares de pessoas ouviram pela primeira vez oito faixas inéditas da banda, entre elas "Soul Sacrifice", uma das mais aclamadas na apresentação. Na ocasião, Michael Shrieve, baterista do conjunto, tinha apenas 19 anos.

O blues rock da banda Canned Heat viria na sequência, sucedido pelos escoceses do The Incredible String Band. O grupo, originalmente escalado para o dia 15, se recusou a tocar debaixo da chuva que começou naquela tarde e acabou sento transferido para o sábado. Por conta da mudança, os músicos ficaram de fora do famoso documentário Woodstock, lançado em 1970, pelo diretor Michael Wadleight. O conjunto também não recebeu um retorno tão caloroso do público, mais interessado pelo rock n'roll energético dos grupos que ainda iriam se apresentar no dia.

O quarteto Mountain ainda não tinha nenhum álbum de estúdio lançado quando subiu ao palco do festival. Era a quarta vez que a banda tocava diante de uma plateia - a dimensão daquele público, então, era uma novidade ainda maior. Os quase sessenta minutos de show do grupo foram seguidos por uma apresentação do Grateful Dead. Apesar de ser uma das performances mais esperadas, a apresentação foi lesada por problemas técnicos no som, recompensados apenas pela versão de 19 minutos da música "Dark Star" - uma verdadeira ode ao bom e velho rock n'roll.

A madrugada ainda teve Creedence Clearwater Revival e Janis Joplin, acompanhada pela The Kozmic Blues Band. A cantora se mostrou preocupada com as condições as quais estavam todos submetidos, porque "música é para curtir e não para se colocar em más mudanças". "Vocês não tem que aturar a merda dos outros só porque gostam de música. Então, se estão aturando mais merda do que merecem, vocês sabem o que fazer. É só música, pessoal, e ela deve ser diferente disso", declarou, antes de entoar os primeiros versos da memorável "Piece of My Heart" (a versão ao vivo está em algumas compilações e versões do disco I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama). Quatorze meses depois da participação no Woodstock, Joplin estaria morta, vítima de overdose de drogas.

Um repertório eletrizante de funk e soul psicodélico também estava incluído no cardápio hippie do festival. Sly & The Family Stone assumiu as caixas de som no final da madrugada de sábado para domingo e garantiu mais uma porção de deleite para o público. Boa parte das músicas do quarto álbum de estúdio da banda, Stand, preencheram o ato que se tornaria um dos últimos shows harmoniosos do grupo - o frontman depois passaria por maus bocados com as drogas.

Os ingleses do The Who apareceram diante de todos para um dos shows mais longos e marcantes do Woodstock. Foram 25 músicas em quase duas horas. No entanto, fugindo do lema "paz e amor" do festival, a performance também ganhou um episódio desagradável, protagonizado por Pete Townshend. À guitarradas, o "cérebro" da banda expulsou do palco o ativista Abbie Hoffman, que aproveitou o momento para protestar contra a prisão de um colega. A hostilidade do guitarrista também valeu um recado para todos, em alto e bom som: o próximo a subir no palco "será morto".

Pouco depois do amanhecer, o segundo dia de Woodstock finalmente iria receber sua última atração. "Então, amigos, vocês já viram diversos grupos pesados e agora verão música matutina de maníaco, acreditem em mim", anunciou Grace Slick, vocalista do Jefferson Airplane. Ovacionado pela plateia sonolenta, o grupo de São Francisco, Califórnia, se apresentou por quase duas horas com músicas conhecidas, como "White Rabbit", e outras improvisadas. No show, a banda contou com o tecladista britânico Nicky Hopkins para incrementar o som.

Sábado, 16 de agosto de 1969

- Quill

- Keef Hartley Band

- Country Joe McDonald

- John Sebastian

- Santana

- Canned Heat

- Mountain

- Grateful Dead

- Creedence Clearwater Revival

- Janis Joplin

- Sly & the Family Stone

- The Who

- Jefferson Airplane