5 anos do impeachment de Dilma: 'Corrosão da democracia começou com golpe de 2016', diz ex-presidente

Em entrevista, Dilma criticou Jair Bolsonaro e afirmou que atual situação do país é consequência do impeachment de 2016

Redação Publicado em 30/08/2021, às 13h34

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Dilma Roussef (Foto: Mario Tama/Getty Images)

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) deu entrevista à revista Focus Brasil, da Fundação Perseu Abramo, sobre a atual situação política no governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e as consequências do impeachment que sofreu em 2016.

Na terça, 31, completa-se 5 anos desde o impeachment de Dilma Rousseff, e a ex-presidente afirma que a destituição em 2016 foi o processo inicial da “corrosão da democracia” — e Bolsonaro representaria a possibilidade do “golpe dentro do golpe”.

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“O golpe ocorreu em 31 de agosto de 2016. O que estamos vivendo agora é a possibilidade de um novo golpe baseado nas formas derivadas da guerra híbrida. Lá atrás, houve um golpe parlamentar, judiciário e midiático. Mas, sobretudo, um golpe do setor financeiro, do capitalismo financeirizado. Um golpe neoliberal. Não houve uma intervenção clássica militar, mas uma manipulação das regras legais”, afirmou (via Brasil 247).

Ela continuou: “O golpe não foi brando. Não foi nada brando. E, lembre-se, o golpe vem em etapas. É um processo. O Golpe de 2016 é o ato zero do golpe, é o ato inaugural, mas o processo continua. É o pecado original dessa crise que o país atravessa. É a partir dali que se desenrola todo o processo golpista.”

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Dilma Rousseff acredita que a sua destituição em 2016 teve “consequências desastrosas” para o Brasil, e destacou o congelamento de investimentos em políticas públicas com o teto de gastos e a devastação ambiental.

Segundo a ex presidente (via Brasil 247), a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 seria o início da reconstrução do Brasil. No entanto, Rousseff afirma que o processo será difícil, principalmente por alguns efeitos serem “permanentes” e difíceis de serem revertidos.

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“Vai haver muita dificuldade. Na área ambiental, por exemplo, alguns efeitos da política de devastação promovida podem ser permanentes. Não sei… O que houve de deterioração, por exemplo, quanto às reservas indígenas, é preocupante. Eu estou preocupada,” afirmou.

Em relação à destruição do meio-ambiente, principalmente a Amazônia, a ex-presidente acredita se tratar da “maior tragédia” decorrente do impeachment que sofreu há 5 anos, em agosto de 2016:

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“Não tem volta, né? Tem coisas que você destrói na natureza que leva décadas e às vezes até séculos para reconstruir. O que eles estão fazendo na Amazônia é um absurdo. Abriram a Amazônia para uma coisa que nós jamais permitimos e nenhum governo anterior: a entrada das grandes empresas mineradoras,” afirmou.


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