Bolsonaro responde cobranças para manter ataques ao STF: 'Deixa acalmar'

Após divulgar carta em tom pacificador, Bolsonaro disse ter sido cobrado para manter ataques ao STF

Redação Publicado em 10/09/2021, às 09h45

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Bolsonaro em Brasília (Foto: Bruna Prado/Getty Images)

Jair Bolsonaro (sem partido) disse durante live semanal na quinta, 9, que foi cobrado a manter os ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) realizados durante os atos pró-governo em 7 de setembro. Em resposta, pediu paciência a apoiadores: ‘Deixa acalmar’.

Após ter feito ameaças de golpe durante as manifestações de 7 de Setembro, o presidente Bolsonaro divulgou uma carta na quinta, 9, em tom pacificador, e afirmou que não teve a intenção de “agredir” os Poderes: "A harmonia entre eles [os Poderes] não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar," afirmou no texto.

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Durante live semanal, explicou que foi cobrado — sem especificar por quem —  a manter o tom crítico e de ataque ao STF: "Queriam que eu respondesse o presidente do Supremo, Fux, que fez uma nota dura. Também usou da palavra o Arthur Lira [PP-AL], [presidente] da Câmara, o Augusto Aras, nosso procurador-geral da República. Alguns do meu lado aqui vieram até com o discurso pronto: 'Tem que reagir, tem que bater'. Calma, amanhã a gente fala, deixa acalmar para amanhã."

A carta, nomeada “Declaração à Nação”, foi redigida pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) e aprovada por Bolsonaro para ser divulgada à população. Durante a live, o chefe de Estado justificou o texto, afirmando que após a publicação, o dólar comercial caiu quase 2% e a Ibovespa, índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), registrou alta de 1,72%.

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Segundo Bolsonaro, é preciso “dar o exemplo”: “Por mais que eu ache que você está fazendo a coisa errada, dá um tempo, deixa acalmar um pouquinho. Comecei a preparar uma nota... Telefonei ontem à noite para o Michel Temer, ele veio a Brasília, por dois momentos conversou comigo aqui, pouco mais de uma hora. Ele colaborou com algumas coisas na nota, eu concordei e publiquei. Não tem nada de mais ali,” afirmou.

Durante a live, Bolsonaro ainda afirmou que não agrediu as instituições do país e tem “brigas pontuais” com ministros do Supremo. Apesar de ter prometido respeitar a decisão da Câmara em rejeitar a PEC do voto impresso, o presidente voltou a sugerir irregularidades nas eleições de 2018.

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Manifestações de 7 de setembro

Em 7 de setembro, dia da Independência, Jair Bolsonaro convocou atos por todo o país pró-governo federal. O presidente marcou presença nas manifestações e fez ameaças golpistas contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em frente ao Congresso, em Brasília, Bolsonaro ameaçou o presidente do Supremo, Luiz Fux: "Ou o chefe desse Poder [Fux] enquadra o seu [ministro] ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos". Em seguida, afirmou: "Nós todos aqui na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede para sair."

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