Com recorde de desmatamento, Ibama tem apenas 26% de analistas necessários para fiscalização

Segundo o Globo, o Ibama pretende preencher apenas 655 postos de 2.348 vagos no Instituto - mesmo com recorde de desmatamento na Amazônia

Redação Publicado em 14/07/2021, às 10h48

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Desmatamento da Amazônia (Foto: Victor Moriyama/Getty Images

Em meio ao recorde de desmatamento na Amazônia e retomada de queimadas no pantanal, a situação da fiscalização é cada vez mais preocupante. Conforme noticiado pelo O Globo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tem apenas 26% dos analistas necessários para a inspeção dos biomas brasileiros.

A situação é complicada se tratando de todo o Instituto: o Ibama pode ficar sem metade do efetivo, de quatro mil funcionários, até 2022. O motivo é a falta de abertura de vagas para preenchimento do quadro de funcionários.

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Em maio de 2021, a Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (CGGP) do Ibama se posicionou a favor da realização de um concurso público para a contratação de 2.348 servidores — sendo 1.264 atuariam analistas responsáveis pela proteção ambiental. Atualmente, essa função é ocupada por 458 funcionários, segundo o O Globo.

Apesar de a situação para a fiscalização não ser boa, o Ibama tem um quadro crítico relacionado a todos os funcionários. A nota da CGGP afirmou que menos de 50% das vagas do órgão serão preenchidas em 2022.

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Mesmo de caráter urgente, a nota não repercutiu na presidência do Ibama, e levou 50 dias para ser encaminhada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), junto com um ofício que autorizaria a realização de um concurso público. Entretanto, à pasta foram solicitadas apenas 27,9% das vagas recomendadas: um total de 655 cargos.

Ataque ao Ibama

Em entrevista ao O Globo, Presidente da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema), Denis Rivas, comentou sobre o pedido enviado ao Ministério:

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“Acho surpreendente como a nota técnica indica uma falta tão grande de servidores e o pedido aborda uma reposição tão pequena Trata-se de mais um ataque ao Ibama, que tem hoje o seu menor orçamento dos últimos 21 anos, e que desde 2019 vê as Forças Armadas assumirem a fiscalização da Amazônia.”


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