Ex-assessor de Flávio Bolsonaro diz que era obrigado a devolver salário para Ana Cristina, ex de Jair Bolsonaro

Em entrevista, Marcelo Nogueira, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, afirmou que 80% do salário, férias e mais precisava ser entregue a Ana Cristina

Redação Publicado em 03/09/2021, às 11h41

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Flávio Bolsonaro (Foto: ASSOCIATED PRESS)

Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), revelou que, enquanto foi funcionário do filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), era obrigado a devolver mensalmente 80% de seu salário.

Em entrevista ao UOL, Nogueira afirmou o que havia sido revelado pelo site Metrópoles. Segundo o ex-assessor, uma porcentagem semelhante do 13º salário, férias, vale-alimentação e da restituição do Imposto de Renda também precisava ser devolvida, O valor tinha que ser entregue em dinheiro vivo para Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa de Jair Bolsonaro.

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Conforme explicado por Marcelo Nogueira, essa rotina de devolução de salário ocorreu mensalmente durante mais de quatro anos, entre 1º de fevereiro de 2003 e 6 de agosto de 2007, quando deixou de ser assessor de Flávio Bolsonaro.

Na época em que Nogueira trabalhou como assessor de Flávio Bolsonaro, Ana Cristina era chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro quando este estava em seu primeiro mandato na Câmara do Rio de Janeiro. A devolução de salários também precisava ser feita por funcionários de Carlos, conforme explicou o ex-assessor: "Tudo a mesma coisa".

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Segundo Nogueira, ele não era funcionário fantasma no gabinete e prestava serviços, como atender eleitor, e correspondência. Conseguiu o emprego após conhecer Ana Cristina por intermédio de um namorado — e a proposta inicial já declarava que a maior parte do salário recebido no contracheque deveria ser devolvido: "Tudo foi negociado com ela [Ana Cristina]", afirmou.

Conforme explicou a Folha de S. Paulo, o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) autorizou em maio de 2021 a quebra de sigilo bancário e fiscal de Carlos, Ana Cristina e outros 25 assessores com o objetivo de apurar a suspeita de rachadinha e da nomeação de funcionários fantasmas.

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A partir da análise do TJ-RJ, é possível ver que Nogueira fez 13 saques mensais de mais de R$ 1 mil, ao longo de 2007. Após a saída do gabinete de Flávio Bolsonaro, essa movimentação financeira de saques acabou, e apenas uma transação de mais de R$ 1mil foi registrada em sete anos.

Em nota, os advogados de Flávio Bolsonaro negaram que ele soubesse de irregularidades, e disseram que “o parlamentar sempre seguiu as regras da assembleia legislativa e tem sido vítima de uma campanha de difamação”.

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