‘Não queremos inclusivismo’, diz ministro da Educação sobre crianças com deficiência em escolas

Segundo o ministro da Educação Milton Ribeiro, crianças com deficiência devem ficar em “classes especiais” no ensino público.

Redação Publicado em 24/08/2021, às 10h22

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Milton Ribeiro (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Milton Ribeiro, ministro da Educação, afirmou que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) não quer “inclusivismo” e voltou a defender que algumas crianças com deficiência não estudem na mesma sala de outros alunos.

Conforme publicado pelo Globo, Ribeiro argumentou que certos graus de deficiência necessitam “classes especiais” no ensino público. Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta segunda, 24, o ministro da Educação argumentou:

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“Nós não queremos o inclusivismo, criticam essa minha terminologia, mas é essa mesmo que eu continuo a usar,” afirmou. Em seguida, Ribeiro disse que 12% das crianças com deficiência nas escolas públicas têm grau que “impede dela ter o convívio” na sala de aula — e comparou as crianças aos atletas paralímpicos.

“Isso é interessante, porque esse diagnóstico de limitações que as pessoas possuem é um diagnóstico feito pela sociedade. Estamos no meio das paralimpíadas, nós descobrimos que tem pessoas que têm limitações físicas, no caso, que não podem competir com outras que não tem. Nesse paralelismo, embora com grandezas diferentes, foi que eu usei me referia a esses 11,9%, 12%,” afirmou.

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O ministro continuou: “Dentro desses 12% temos algumas crianças que têm problemas de visão, elas não podem estar na mesma classe. Imagina uma professora de geografia: “aqui é o rio Amazonas” para uma criança que tem deficiência visual, são elas também. Tem outras que são surdas, por exemplo, tem uma gama de crianças, tem alguns graus de autismo e tem um grupo que a gente esquece que são os superdotados, que também estão nesse grupo, que precisam de uma atenção especial.”

Apesar de citar que algumas crianças necessitam “classes especiais”, o ministro da Educação afirmou que a rede pública não pode recusar alunos com deficiência. Segundo ele, a escolha é dos pais:

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“A escolha quem faz é o pai e mãe, é ele quem coloca o filho lá, nenhum diretor tem autoridade de negar a matricula de uma pessoa que tem deficiência em uma escola pública, elas não podem fazer isso, não é isso que estou falando. Ele vai caminhar e vai poder entender, um pai que tenha condição de perceber que seu filho tem limitações e que aquilo não vai ajudá-lo de maneira alguma, então ele vai preferir colocar nessas classes especiais,” argumentou.

Polêmica anterior sobre crianças com deficiência

Em 17 de agosto, o ministro Milton Ribeiro afirmou em evento que crianças com deficiência “atrapalhavam” o aprendizado de outros estudantes. Segundo reportagem do G1, após a declaração, diversas entidades criticaram.

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Claudia Werneck, fundadora da Escola de Gente, destacou ao Globo que a Constituição garante que todos têm o direito de estudar em um ambiente inclusivo — e o direito à educação não depende de como cada pessoa é:

“Só existe um caminho: as crianças têm que estar juntas e a educação tem que se preparar para promover esse encontro. O verbo atrapalhar com aspas ou sem aspas é inadequado pela perspectiva que temos para a infância brasileira, em todos os documentos nacionais e internacionais. Uma criança nunca vai atrapalhar a outra. Elas podem brigar, se testar eticamente, discordar, mas nunca atrapalhar. O obstáculo são os adultos que não têm esse olhar inclusivo para as crianças,” afirmou Werneck.

Após as críticas, Ribeiro afirmou que a fata foi tirada de contexto, e nunca utilizaria uma terminologia "tão baixa e preconceituosa nesse sentido que foi colocada". Mesmo assim, defendeu que, dependendo da deficiência, algumas crianças “criam dificuldades”.


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