Lollapalooza 2014: conheça Francisca Valenzuela, a "garota do país ao lado"

Sem maquiagem ou alegorias, a cantora pop conquistou o público

Juliana Faddul Publicado em 06/04/2014, às 11h03 - Atualizado às 18h29

Francisca Valenzuela no Lollapalooza 2014
Divulgação/MILA MALUHY

Quando nos deparamos com o rótulo “cantora pop da América Latina” é difícil não imaginar uma moça rebolando, com roupas apertadas e cabelos compridos emoldurando uma voz que mescla o rouco com o sensual. Mas foi na contramão desse esteriótipo, com roupas comuns e maquiagem suave, que a chilena Francisca Valenzuela caiu no gosto do público - e dos organizadores do Lollapalooza. Afinal, ela será uma das poucas representantes latinas no Lollapalooza que ocorre em Chicago - ao lado dos colombianos Bomba Estereo.

“Porque siempre consigo lo que quiero”. O trecho da música “Buen Soldado” facilmente poderia ser uma declaração da cantora sobre o sucesso repentino que conseguiu desde 2006, quando gravou algumas músicas que escreveu durante a adolescência. Seu disco de estreia, Muérdete la Lengua, embora seja construída com melodias convencionais, chamou a atenção pelas letras “girl power” que continha - o que lhe rendeu a atenção da mídia e o carinho do público. “No Chile houve um progresso nessa luta contra a diferença de gêneros. Temos uma presidenta mulher, mas isso ainda não é visto nas ruas”, disse.

Ela destaca que essa visão crítica da sociedade chilena não é de agora. Vem de muito antes, uma vez que viveu até os 12 anos nos Estados Unidos, por conta do trabalho do pai, o empresário e bioquímico Pablo Valenzuela. “Saí do estado da Califórnia, que é muito heterogêneo e progressista. Quando cheguei ao Chile, vi que tudo era muito homogêneo, igual e percebi que tinha que ir contra isso”, analisa.

Após as inquietudes adolescentes de Muérdete la Lengua, e com a carreira mais estabilizada, Fran voltou mais tranquila em seu segundo disco, Buen Soldado, lançado em 2011. “Houve uma diferença de idade quando eu escrevi os discos, que é um fator que influencia muito, mas eu também não queria ser uma artista que fala sempre da mesma coisa”.

Para variar a cartela de temas de suas canções, Francisca Valenzuela procura aspirações desde Violeta Parra à Patti Smith. Compositora de suas próprias letras e canções, a artista é volátil quanto o processo de criação. “Às vezes tenho uma inspiração e necessito colocar no papel, no piano [ela toca o instrumento desde os 7 anos] ou no computador, mas às vezes necessito sentar para pensar. Depende do dia”, diz a fã dos poetas chilenos Vicente Huidobro e Nicanor Parra.

Aliás, seu flerte com a literatura não é atual. Enquanto vivia nos Estados Unidos publicou um poema na revista literária El Andar, o que chamou atenção de dois expoentes da literatura hispano-americana: a chilena Isabel Allende e a argentina Celia Correas de Zapata. O reconhecimento rendeu dois livros, publicados em 2000: um de poesia, Defenseless Waters, e de microcontos, Abejorros/Madurar.

Atualmente ela trabalha em seu novo disco, cuja previsão de lançamento é para o segundo semestre, e quer que ee tenha um maior número de canções em inglês. Enquanto o disco não sai, ela é a primeira artista a se apresentar no domingo no Lollapalooza, no palco Skol, às 11h50, com repertório majoritariamente em espanhol. Em agosto, em Chicago, ela investirá no inglês.