Cultura Inglesa 2016: hit inesperado, filme Northern Soul retrata movimento britânico de música dançante

Fotógrafa renomada, Elaine Constantine fez estreia como diretora com o longa que quase não foi lançado e depois chegou ao top 10 de bilheterias no Reino Unido
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Elaine Constantine
Press Association/AP
por Lucas Brêda
5 de Junho de 2016 às 11:22

Elaine Constantine não recorda o primeiro disco de northern soul que ela ouviu na vida. “Não sei dizer o primeiro de todos, mas consigo me lembrar de alguns mais marcantes daquele período”, conta a fotógrafa e cineasta britânica, em entrevista à Rolling Stone Brasil, citando o single “The Night”, de Franki Valli and Four Seasons. “Falo dessa música porque lembro muito de dançar com ela.”

Nos anos 1970, Elaine e os amigos não costumavam comprar os discos, mas tinham as músicas compartilhadas em fitas. “Naquela época, na Inglaterra, nós não gostávamos do que tocava nas paradas de sucesso”, explica. “A música do pessoal da northern soul já estava velha, mas, para mim, era mais real. Não tinha muito teclado, os vocais eram autênticos. O que tocava no rádio era Era o Earth, Wind & Fire, coisas do tipo, e não me interessava do mesmo jeito.”

Movimento britânico que foi uma espécie de “reflexo” da sonoridade norte-americana da Motown, o northern soul cresceu no fim dos anos 1960 na Europa, envolvendo batidas dançantes e componentes do R&B. Quando Elaine passou a se interessar pelo gênero – na segunda metade dos anos 1970 e começo dos 1980 –, os artistas já não tinham presença tão frequente nas rádios e paradas de sucesso como dez anos antes.

Nos anos seguintes, Elaine cresceu como fotógrafa, tornando-se um dos grandes nomes no ramo da moda, com trabalhos em alguns dos mais influentes veículos – da britânica The Face às versões italiana e norte-americana, entre outras, da Vogue. O interesse dela pelo northern soul, contudo, manteve-se ao longo das décadas e, apenas em 2014, ela conseguiu produzir o filme Northern Soul: No Ritmo da Vida, que narra o crescimento do gênero na juventude da época, e ganha exibição no Brasil na 20ª edição do Cultura Inglesa Festival (entre os dias 26 de maio e 12 de junho, em São Paulo).

“Eu estava trabalhando na The Face na época que tive a ideia do filme”, conta Elaine, referindo-se ao fim dos anos 1990. “Passei cerca de dez anos escrevendo o roteiro e depois fiquei cinco anos tentando conseguir financiamento para fazer o filme”. A fotógrafa já tinha uma experiência fazendo curtas e vídeos promocionais para marcas quando Northern Soul finalmente saiu do papel.

Mas as dificuldades em escrever um roteiro ou dirigir um longa-metragem pela primeira vez não chegaram perto dos obstáculos para conseguir patrocínio. “Eu queria contar a história real”, diz ela. “E é uma história muito underground, sabe? Não interessa para ninguém que não tem conexão com a cena. Foi muito difícil fazer um roteiro que fosse, de alguma maneira, interessante para o público em geral.”

Elaine e o marido tiveram que colocar dinheiro na produção – “estávamos quebrados naquela época”, ri –, antes de chegar ao top 10 das bilheterias britânicas, depois que Northern Soul: No Ritmo da Vida foi lançado. “Não consigo entender como eles não viram o potencial, porque chegou ao top 10 quando foi lançado!”, comenta ela. “Tentaram lançar diretamente em DVD, mas os fãs se mobilizaram e nos ajudaram escrevendo mensagens para donos de salas de cinemas.”

Com apenas atores de currículos tímidos no elenco – Rob Baker Ashton e Elliot James Langridge, entre outros –, Northern Soul tornou-se um hit instantâneo e completamente inesperado, que ainda adquiriu uma não menos surpreendente indicação ao prêmio BAFTA (conhecido como “o Oscar inglês”). “Foi incrível”, lembra Elaine. “Os cinemas independentes estavam concorrendo com esses filmes imensos da Disney e as sessões eram escassas, então tinha fila dando a volta nos quarteirões.”

Abaixo, assista ao trailer de Northern Soul: No Ritmo da Vida

20º Cultura Inglesa Festival
Programação de Cinema
2 a 8 de junho
Caixa Belas Artes (Sala 1 – Villa Lobos) – R. da Consolação, 2423

Mostra Panorama do Cinema Britânico Contemporâneo
The Lobster
2 e 4 de junho, às 19h

Slow West
3 de junho, às 19h

Monty Python: O Sentido da Vida
5 de junho, às 19h

Just Jim
6 de junho, às 19h

Life
7 de junho, às 21h25

Northern Soul: No Ritmo da Vida
8 de junho, às 19h

Mostra British Film Invasion
007 Contra o Satânico Dr. No
2 de junho, às 19h

Laranja Mecânica
3 de junho, às 21h05

Trainspotting: Sem Limites
4 de junho, às 21h40

Blow-Up: Depois Daquele Beijo
5 de junho, às 21h15

Amy
6 de junho, às 21h

Absolutamente Principiantes
7 de junho, às 19h

O Lixo e a Fúria
8 de junho, às 21h20

Programação de Shows
12 de junho (domingo)
Memorial da América Latina – Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda, SP
Grátis

15h – Staff Only (banda de alunos da Cultura Inglesa)
15h55 – Finger Hook (banda de alunos da Cultura Inglesa)
17h – Nação Zumbi (interpretando sucessos de artistas da British Invasion)
18h40 – Kaiser Chiefs

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