Filho de Bob

Damian Marley fala sobre o pai, o show no SWU, erva e o movimento rastafári

Stella Rodrigues Publicado em 12/11/2011, às 12h27 - Atualizado às 12h53

Damian Marley
Foto: AP

“Eu definitivamente me identifico com os ideais do SWU. Os rastas estão vivendo dessa forma há décadas, se preocupando com a Terra e a natureza”, diz por telefone Damian Marley, músico da Jamaica, filho de Bob, colega de banda de Mick Jagger e conhecido de todos. O cantor sobe ao palco do festival que acontece em Paulínia neste sábado, 12.

Os conceitos por trás do movimento rastafári são de presença constante no discurso. Preocupado em passar a mensagem certa, Damian ri ao pensar na noção que uma massa ainda polpuda tem daquilo que ele segue como filosofia de vida: “Fumar erva e usar boina de tricô é a primeira experiência que as pessoas costumam ter com a cultura rastafári”, reflete. “E aí aprendem mais, se interessam e conhecem as raízes mais profundas, que vão muito além disso. É um estilo de vida muito natural, incentiva o compartilhamento, é isso que é realmente importante na cultura. E essas pessoas com a boina de tricô estão bem menos propensas a usar violência do que as outras.”

Não é só de erva, boina, natureza e consciência ambiental que Damian gosta. Assim como o pai, se interessa por futebol e pelo Brasil – mais especificamente pela seleção canarinho. “Quando tem Copa do Mundo, eu sempre torço pelo Brasil. Mas não tenho seguido o futebol ou nenhum outro time”, conta. Aprendeu a gostar do esporte por causa do nosso país - e da música por causa de sua terra natal.

É a coisa mais natural ver filhos de artistas seguindo os passos dos pais. Menos natural é um artista ter tantos filhos e uma parcela tão grande deles dar continuidade ao trabalho começado por ele - no caso, Bob Marley. “Se você for para a Jamaica, vai ver que tem muita gente jovem, em geral, fazendo música. E isso tem muito a ver com o meu pai. De onde nós viemos, música é a nossa vida. Todo mundo é muito envolvido. Tem tanto disso na Jamaica que ninguém fica imune”, diz Damian.

O projeto mais recente de Damian, contudo, foge um pouco do reggae. Ou melhor, o mistura de forma tentativamente homogênea a outros estilos no SuperHeavy, supergrupo formado por ele ao lado de Mick Jagger, Joss Stone, A. R. Rahman e Dave Stewart (cofundador do Eurythmics). É notável no primeiro disco da banda que o reggae se sobressai em relação aos outros ritmos. Mas Damian discorda. “Com a alternância de vozes [na faixa "Miracle Worker"], a gente tinha a intenção de mostrar aquela música como um trabalho de equipe. Queríamos que todas as músicas tivessem todo mundo”, conta. Mas se a impressão geral é de que o reggae roubou mais espaço, há uma explicação. “Muitos dos músicos nas sessões eram meus. Talvez por isso. E a intenção sempre foi ter bastante reggae. Mas também acho que todos os outros gêneros transparecem, porque há muitas guitarras pesadas. Muitos dos acordes nas músicas que puxam mais para o reggae têm acordes e progressão que caem para o rock. Elas têm elementos que o reggae não teria, normalmente”, explica.

“Aprendi muito com essas gravações”, continua. “É certo que vou me beneficiar, em trabalhos futuros, do que aprendi. Acrescenta ao que sei, a quem sou e me permite crescer. Tenho uma mente aberta, quando se trata de música.”

Damian afirma que o SuperHeavy não deverá ser um projeto de um disco só. “Estamos todos a fim de fazer outro, mas não vamos saber até que a gente faça de fato. Estamos muito empolgados com este”, ele explica. Ele também não descarta uma turnê. “Sempre há esperanças!”, brinca. “Mas não temos nenhum plano. Estamos só organizando a gravação de um novo clipe, provavelmente da música 'Energy'. Mas vai saber? Eu gosto de performances ao vivo. Assim como sempre tem chance de que eu faça outra turnê juntando todos os filhos do meu pai, como fizemos há alguns anos.”

Mesmo com tantos trabalhos, agora Damian foca em um em especial - seu próximo disco solo. Após um projeto ao lado de Nas (Distant Relatives, lançado em 2010) e o trabalho com o SuperHeavy, o artista agora usará seu tempo para se dedicar a um álbum que deverá sair ano que vem. “O single ‘Set Up Shop’ já está no iTunes e logo vamos lançar mais dancehalls”, ele revela.