Antes do show no Brasil, ex-baixista do New Order, Peter Hook diz que a banda está o seguindo de novo

O músico, também fundador do Joy Division, conta sobre a relação com o filho e sobre a gravação de discos clássicos

Fernanda Talarico Publicado em 10/10/2018, às 19h48

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Divulgação

Nesta quarta, 10 de outubro, o Brasil recebe Peter Hook para uma única apresentação, na Audio, em São Paulo. Repetindo a estranheza de 2016, o New Order sobe ao palco do Espaço das Américas, mas, desta vez, cerca de um mês depois que o ex-baixista e desafeto da banda se apresenta com o atual grupo, The Light.

“O New Order está me seguindo de novo!”, diz Hook, mas de maneira descontraída, sem parecer estar aborrecido. A experiência passada, com os shows de ambos acontecendo simultaneamente apenas rende risadas e brincadeiras do músico. “É bom para ver o que vocês jornalistas estão achando do meu trabalho... e do deles! Vocês comparam e a gente melhora!”. O baixista, também ex-Joy Division, retorna ao Brasil com mais excursão apresentando dois discos do New Order, Technique (1989) e Republic (1993), além de um set com clássicos do Joy Division.

O show faz parte de uma sequência cronológica do projeto de Peter Hook de tocar na íntegra e na ordem, os álbuns que marcaram a trajetória do Joy Division e do New Order. Em 2011, Hook veio ao Brasil para apresentar um show exclusivo sobre a curta e intensa história do Joy Division. Um ano depois, voltou ao país com a turnê de Movement e Power, Corruption & Lies, os dois primeiros álbuns do New Order lançados em 1981 e 1983, respectivamente, que marcaram a transição do Joy Division para o New Order e o início da carreira da banda com o experimentalismo eletrônico e ritmos dançantes. Em 2014, Hook deu continuidade com músicas do terceiro e quarto discos do New Order, Lowlife (1985) e Brotherhood (1986). E então, em 2016, Peter Hook destacou um repertório com os maiores sucessos de Substance, com um disco dedicado ao Joy Division e outro ao New Order, lançados, respectivamente, em 1988 e 1987.

Agora Hook chega ao Brasil acompanhado da banda The Light, que contava com seu filho Jack Bates. Ele abre o show com um set recheado de clássicos do Joy Division como "Love Will Tear Us Apart", "Transmission" e “She's Lost Control". Segue com um repertório de hits do disco Technique, como “Fine Time”, “Round Round”, "Mr. Disco" e "Vanish Point”, e passa para Republic, com "Regret", "World" e "Ruined In A Day".

Abaixo, leia a entrevista da Rolling Stone Brasil com Peter Hook.

Rolling Stone Brasil: E então, agora chegamos ao Republic e ao Technique... Como foi este processo?

Peter Hook: Começamos em 2010 a celebrar o Joy Division e, cronologicamente, tocávamos [os discos da banda] em show. Esses dois [Republic e Technique] são os próximos, mas são do New Order, são o décimo e décimo primeiro que tocamos, com todas as músicas deles. E as músicas são colocadas na ordem que foram compostas.

Você prefere as músicas do New Order ou as do Joy Division?  

As músicas do New Order são mais difíceis de tocar, definitivamente. Não tenho certeza do motivo, mas elas são. As do Joy Division acabam saindo mais naturais. Eu amo tocar ambas as bandas. Com esses álbuns eu fico em uma posição estranha, porque eu toco o disco que eu menos gosto, que é o Republic. O New Order teve momentos muito ruins gravando ambos os discos, está no meu livro [Substance: Inside New Order], não estávamos nos entendo bem. Estávamos em Ibiza para gravar, o que foi uma ideia ruim e só descobrimos quando já estávamos lá. E Republic foi feito quando já tínhamos nos separados e fomos forçados a nos juntar para para salvar o nosso selo. E, sabe, você provavelmente é muito nova, mas isso já faz 25 anos! Ele foi lançado em 1993!

Mesmo com todos os problemas, ambos os discos venderam super bem na época dos lançamentos.

Republic vendou muito. E o Technique foi feito depois que nos separamos e é interessante porque o New Order nunca toca as músicas desse discos. Porque? E é o que eu vou fazer agora neste show. Estou nervoso. Vamos ver.

Se você não gosta do Republic, porque ainda sim tocá-lo?

Não teria como pular! Esse é o projeto, não tinha escolha, por mais que eu goste menos... Têm razões do porque o New Order não toca as músicas desse álbum. Eles não gostam de toca-las? São difíceis? Descobrirei agora.

E sobre o The Light, como é ter Jack [Bates], seu filho, tocando com você?

Meu filho teve um bom aprendizado comigo. Jack toca baixo desde os 14 anos, e tocou comigo dos 19 até os 28 anos. É muito interessante porque, além de fazer a música eu também fiz o filho! (risos) Ele é muito sério, muito profissional, muito bom no que ele faz. É a primeira vez que tocarei sem ele [que está em turnê com o Smashing Pumpkins]. Ter filhos é isso, você ensina tudo o que pode e eles voam. É uma oportunidade boa que ele está tendo.

E você acha que acaba sendo mais duro com ele do que com os outros músicos?

É interessante porque você escolhe seus amigos, mas não o seu filho. No caso dele, Jack é maravilhoso, em tudo o que faz. Ele tem uma veia competitiva o que ajuda muito ele a querer fazer as coisas direito, não preciso ser bravo com ele.

Falando sobre o show no Brasil, de novo o New Order se apresentará em uma data próxima...

Não sou eu, acredite em mim! O New Order sempre me segue! Se você falar com eles, pergunte, o motivo, por favor! (risos) Eu gostaria de saber! Nos EUA também, é toda vez mesma coisa.

Como foi da última vez, que vocês tocaram simultaneamente no país?

É engraçado ver como o New Order é apreciado na América do Sul, por exemplo, porque ele tocou algumas vezes apenas, não muitas. Mas todas as vezes a publico foi grande. É maravilhoso tocar aqui. Eu não pretendo ser o grupo, quero ser eu mesmo e meu público também foi grande.

Então você gosta de fazer shows no Brasil?

É fantástico! Devemos estar fazendo algo muito certo. É um elogio muito grande para mim, porque eu não estou usando o nome New Order – até porque eu não posso - o que pode ser uma coisa muito difícil, uma desvantagem, mas não faz diferença. Toda vez que eu venho tem muita gente e é incrível.

E quais as surpresas para os fãs?

Vamos tocar, além do Republic e Tecnique, muitas músicas do Joy Divison, vai ser um set bem longo. Podem esperar um show verdadeiro e honesto. Vamos celebrar muito. Vai ser maravilhoso para todos. Minha frustação, quando eu estava no New Order, era tocar pouco Joy Division. Não mais!

E você tem planos para novos projetos? 

Tenho novos projetos novos todo tempo, mas não sou bom em promove-los (risos).