20 canções de amor que não queremos ouvir nunca mais

Redação Publicado em 26/02/2013, às 16h57 - Atualizado em 11/06/2018, às 19h04

Canções de amor: Abre

“Lady in Red” - Chris de Burgh

É adequado que essa música tenha sido um hit em 1986, com tamanha ganância típica dos anos 80 – é o máximo da balada esposa-trofeu (quase no nível de “Wonderful Tonight”, do Eric Clapton). O falso brilho da música ambiente é perfeito para a pobre sentimental canção sobre um cara cuja admiração por uma mulher parece ter relação direta com o quanto outros homens dão em cima dela em uma festa. Procure por Chris de Burgh no Google Imagens e tente descobrir porque a “mulher de vermelho” dançaria com ele.


“You Are So Beautiful” - Joe Cocker

Despachada pelo Beach Boy Dennis Wilson e pelo quinto Beatle Billy Preston em uma festa, essa música te faz perguntar o que esses dois estavam xingando. Um remate exagerado para cortejos de sitcom, é recheada de clichês – “uma luz guia na noite”, “um presente do paraíso para mim” – enquanto o refrão título ressalta “para mim”, como um cantor sem pudor de fazer sua aposta. Joe Cocker oferece seu melhor murmúrio em um estilo arrastado de Ray Charles.


“Can You Feel the Love Tonight” – Elton John

“Você pode sentir o amor esta noite?” Não, na verdade. Talvez se você for um dos grandes felinos de O Rei Leão, o filme da Disney que ganhou esta música de Elton John. “É o suficiente para fazer reis e vagabundos acreditarem em seu melhor”, ele diz. Será mesmo? A maioria de nós acredita que isto é um dos momentos mais bregas do cantor.


“More Than Words” – Extreme

Com cabelos de Rapunzel e faces delicadas, você pode não rejeitar de cara o Extreme por qualquer besteira. Mas você pode fazer isto por serem tolos. “More Than Words” empacota doses de chauvinismo metaleiro em formato acústico embalado a vácuo. “‘Eu te amo’ não são as palavras que quero ouvir de você”, cantam. Quais então são as palavras que querem ouvir?


“Little Things” – One Direction

Nesta canção acústica de amor (escrita por Fiona Bevan e Ed Sheeran), os deuses do teen pop parabenizam a si mesmos por amarem uma mulher mesmo que ela tenha imperfeições. Harry Stiles canta: “Você nunca quer saber, quando pesa, você sempre tem que se apertar dentro do seu jeans, mas você é perfeita para mim”. Bom, não perfeita perfeeeita. Mais como, sabe, gorda. Harry, sua profundidade nos assusta.


“Crash Into Me” - Dave Matthews Band

Dave Matthews sempre teve um lado meio sexual agressivo, e não há nada de errado nisso. Mas sua canção de amor mais popular explora uma linha fina entre sexy e nojento. A melodia é bonita, a paixão inegável, os vocais frágeis e esperançosos. Mas quando ele canta “erga a sua saia um pouco mais e mostre o seu mundo para mim”, ele de repente vai do doce cantor a um pervertido stalker. Garotas, se estiverem sozinhas, tomem cuidado!


“Groovy Kind of Love” - Phil Collins

Um hit da banda Mindbenders na invasão britânica em 1965, “Groovy Kind of Love” era doce, uma balada pop benfeita. Collins deve ter imaginado que iria adicionar alguma seriedade e sofisticação trocando a inocência original por uma entrega impassível e estranhamente chorosa, com dolorosos sintetizadores dos anos 80. Mas tudo o que ele fez distorcer o lado groovy da pequena canção.


“When I See You Smile” – Bad English

Quando Journey entrou em hiato no final dos anos 80, o tecladista Jonathan Cain e o guitarrista Neil Schon formaram o Bad English com John Waite do Babys nos vocais – e conseguiram alcançar níveis terríveis de breguice que seus outros projetos não alcançaram. Nenhuma outra balada do tipo foi maior, mais estúpida, mais vazia ou pegajosa que “When I See You Smile”, uma carta de amor para uma garota que nunca esquece de levar o guarda-chuva aos encontros (“e quando a chuva cai, eu não sinto ele porque você está aqui comigo agora”). Os vocais dolorosos de Waite fazem Steve Perry parecer Al Green.


“My Heart Will Go On” – Celine Dion

Kate Winslet recentemente admitiu que a canção monstruosamente popular de Celine Dion, tema de Titanic, faz ela “sentir como se fosse vomitar”, e até mesmo Dion não queria gravar na primeira vez que ouviu. Escutar essa flauta folclórica no início é o oposto de escutar a abertura de “Satisfaction” ou o início de “Like a Rolling Stone”: é imediatamente reconhecida como o início do terror.


“Time in a Bottle” – Jim Croce

Uma adocicada e lenta valsa na qual o cantor gostaria de “guardar todo dia, até a eternidade passar, só para gastar o tempo com você” – e faz você sentir a eternidade até aguardar o fim da música. Diferente da canção de Croce “Time in a Bottle”, que fez parte da trilha de Django Unchained, nem Tarantino poderia rever esta.


“Your Body is a Wonderland” – John Mayer

Esse ursinho carinhoso atira um monte de metáforas duvidosas (“pele de porcelana” é preguiçoso, mas “língua de chiclete”? Por favor), e então entra em um instrumental jazz aveludado que colocaria até Katy Perry para dormir.


“I Just Called to Say I Love You” – Stevie Wonder

Stevie Wonder sempre teve gosto pelo meloso. Mas, na maioria dos casos, sua graça melódica e geniosidade musical rende coisas incríveis. Não tanto nesse hit de 1984, que tem um ritmo como o pré-estabelecido em um teclado comum. Somada a uma letra infeliz, que vai do piegas cômico (“Sem chocolate com corações para dar”) ao impensável (“Sem sol em Libra/ Sem Halloween”).


“(Everything I Do) I Do It for You” – Bryan Adams

“Não há lugar nenhum a menos que você esteja lá”, diz Bryan Adams soando entre uma cabra asmática de montanha e, hum, Bryan Adams. Isso foi no verão de 1991, quando esta canção tema de Robin Hood era incansável, liderando paradas pelo mundo. Deméritos adicionais ao vídeo, que inclui cenas de Kevin Costner “romântico” dentro de collants.


“Longer” – Dan Fogelberg

Fogelberg disse em entrevista que escreveu seu maior hit enquanto deitado em uma rede no Havaí “olhando para as estrelas”. “Esta canção estava sendo conspirada pelo universo”, lembrou, “então eu decidi que daria um bom lar para ela.” Alguém – as estrelas ou o universo – não fez o trabalho muito bem. “Longer” parece a paródia da paródia de um cantor sensível com uma poesia questionável. A canção dura 3:15, mas parece que é muito, muito mais.


“You Were Meant for Me” – Jewel

Eis aqui algumas coisas que Jewel faz no mega hit folk de 1996: ela pinta uma carinha sorridente em seu prato do café da manhã; ela veste seu casaco sob uma chuva torrencial (normalmente é melhor colocar o casaco antes, mas tudo bem); ela consola uma xícara de café (sim, consola); ela escova os dentes e coloca a tampa de volta. Quem disse que o romance estava morto?


“You're Beautiful” – James Blunt

“Minha vida é brilhante”, declara James Blunt. Bom para você, gênio, mas sua canção é fraca. Quando o assunto é esta balada de amor do século 21, é difícil escolher o que é mais irritante: a letra desnecessariamente dramática, o tom vocal estridente, a melodia fraca. Sem contar o vídeo ridículo, no qual Blunt tira a roupa na neve e pula de um penhasco – um ato que poderia ser mais dramático se não parecesse uma propaganda de cueca.


“Kiss From a Rose” – Seal

A canção trabalha sua crescente alma dócil ao colocar junto épicas e curiosas metáforas: “O amor continua sendo uma droga que é a loucura e não pílula”. “Você sabe que quando neva meus olhos se tornam maiores e eu posso ver o brilho que você irradia”. Talvez o fato de Heidi Klum não ser de um país que fala inglês tenha algo a ver com a união do casal.


“I Swear” - All-4-One

Originalmente um hit country do cantor John Michael Montgomery, se tornou uma das maiores canções do início dos anos 90 quando o All-4-One refez em estilo R&B. O melisma no final é totalmente fora de controle e há algo de estranho na distância entre a entrega jovial e graciosa e a letra não tão delicada: “para o bem e para o mal, até a morte nos separar”.


“(God Must Have Spent) A Little More Time On You” - 'N Sync

Este ser superios, sempre pensando em Justin Timberlake e suas especificações para uma mulher bacana. Que parceiro. Estranho, no entanto, o 'N Sync escolher honrar essa garota divina com esta balada melosa e sem graça, provando que o soulman lá dentro do jovem JT estava há alguns anos de aparecer.


“Truly Madly Deeply” – Savage Garden

Pouca coisa – fora uma versão brasileira Sandy & Junior – pode alcançar nível mais alto de breguice que esta faixa com melodia repetida, com direito a solo de violão latino e poesia indelével: “Eu quero te deitar em uma montanha, quero te banhar no mar, quero que fique deste jeito para sempre, até que o céu caia sobre mim”.