A cena musical de 1976, quando surgiram os Ramones

Redação Publicado em 30/03/2016, às 10h00

Ramones 1976

"Show Me the Way" e “Baby I Love You Way” – Peter Frampton



Ele era um jovem e talentoso cantor e guitarrista britânico que havia participado de projetos de sucesso em sua terra natal, como o psicodélico The Herd e o supergrupo de hard rock Humble Pie. Mas quando foi para os Estados Unidos e gravou os shows que seriam usados no álbum duplo Frampton Comes Alive! que Peter Frampton se tornou um verdadeiro astro mundial. "Show Me the Way" e “Baby I Love You Way” foram lançadas como singles e seguiram o mesmo caminho de sucesso do LP.


“You Should Be Dancing” – The Bee Gees



O trio dos irmãos Gibb começou a se reinventar em 1975, quando foram morar em Miami e se aproximaram dos sons da música black dançante vigente na época. O resultado da mudança foi o álbum multiplatinado Main Course. No ano seguinte, lançaram Children of The World, que fez ainda mais sucesso do que o anterior. Foi com o single “You Should Be Dancing” que Barry, Robin e Maurice se tornaram os novos reis da disco music. Curiosamente, a canção até hoje é referência sobre aquele período, especialmente por ter sido utilizada em uma cena memorável do filme Os Embalos de Sábado à Noite (1977).


"December, 1963 (Oh, What a Night)” – The Four Seasons



Alem dos Bee Gees, outro grupo veterano que ressurgiu com força em 1976 foi o Four Seasons. Os músicos de Nova Jersey tinham uma nova formação naquele ano, mas continuavam com o sempre presente Frankie Valli na voz principal. Mas na dançante “December, 1963 (Oh, What a Night)”, escrita por Bob Gaudio e Judy Parker, quem tomava conta de boa parte dos vocais era o baterista Gerry Polci, enquanto o baixista Don Ciccone fazia o falsete – Valli, no caso, apenas cantou a ponte da canção. Na época, ninguém pareceu entender muito bem o tema da faixa, que parecia versar sobre a perda da virgindade.


"Theme from S.W.A.T." – Rhythm Heritage



O seriado policial S.W.A.T. marcou época. Estrelado por Steve Forrest, e Robert Ulrich, a série produzida nos Estados Unidos pela rede ABC e exibida no Brasil pela Rede Globo acompanhava as

missões de um comando tático especial que era acionado para resolver situações extremas. Além da ação eficiente, boa parte do êxito do programa foi gerado pelo empolgante tema de abertura com pique de blaxpoitation, escrito por Barry De Vorzon e executado pela congregação de músicos de estúdio Rhythm Heritage.


“New Kid In Town” – Eagles



Na metade da década de 1970, a maior banda dos Estados Unidos era o Eagles. O quarteto de country rock baseado na Califórnia arrastava multidões para suas apresentações e obtia discos de platina em todos seus lançamentos. “New Kid in Town”, escrito pelos membros Don Henley e Glenn Frey junto com o amigo J.D. Souther, foi o maior hit do grupo em 1976 e falava sobre a sensação de ser deixado para trás pelas namoradas, amigos e conhecidos. O grande público se identificou com o clima nostálgico e melancólico da faixa cantada por Frey (que morreu em janeiro de 2016) e levou a canção ao número 1 da parada.


“Afternoon Delight” – Starland Vocal Band



Em 1967, o Rolling Stones foi banido das programações das rádios após lançar “Let's Spend the Night Together”. Na época, o conceito de passar a noite juntos era considerado imoral, mas os tempos mudaram rápido: nove anos depois, o quarteto Starland Vocal Band colocou no primeiro lugar das paradas uma canção sobre fazer sexo no meio da tarde. Não, a tal “delicia da tarde” não se referia a algum tipo de doce ou chocolate, pois a letra era bem explicita: “Para que esperar pelo meio da noite fria e escura quando é tudo mais claro durante o dia?”. A melodia, que até poderia fazer parte de um comercial de TV, provou que era possível vender sacanagem se ela viesse embalada de uma forma agradável e açucarada.


“Disco Duck” - Rick Dees and his Cast of Idiots



Rick Dees era mais um entre vários DJs que ficaram intrigados quando a disco music começou a ganhar espaço nas rádios. Só por brincadeira, ele então resolveu criar uma faixa fazendo paródia em cima do estilo. O que Dees não imaginava era que “Disco Duck” faria um enorme sucesso, chegando ao topo da parada dos Estados Unidos em setembro de 1976. O grande público adorou, principalmente por causa do groove e dos efeitos imitando a voz de pato, mas os roqueiros radicais não entenderam a piada. A faixa também fez sucesso no Brasil, sendo lançada com o título “Melô do Pato”.


“Dancing Queen” – Abba



Um dos maiores fenômenos da música pop em todos os tempos, o quarteto sueco começou a dominar as paradas em 1974, com o hit “Waterloo”. Mas dois anos depois, o Abba decidiu também entrar na onda da disco music. Benny Andersson, Björn Ulvaeus e o empresário Stig Anderson escreveram “Dancing Queen” como uma assumida homenagem ao som dançante norte-americano. Mas a faixa também possuía um quê de europop, e foi justamente essa junção de estilos que a tornou irresistível e imortal – a canção pop perfeita. Foi um sucesso monumental na época, que 40 anos depois ainda soa atual com seus versos carregados de alto astral: “Você pode dançar, curtir e se divertir como nunca na vida”.


“Convoy” – C. W. McCall



Lançada em dezembro de 1975, “Convoy” começou a fazer sucesso no inicio de 1976. Baseada em fatos reais, a canção country é até hoje uma das mais incomuns a chegar ao topo da parada dos Estados Unidos. Trata-se de um diálogo entre caminhoneiros de um comboio que rodam o país, que se comunicam por rádio e protestam contra a restrição de velocidade imposta apelo governo nas rodovias federais. Em 1978, o cineasta Sam Peckinpah dirigiu um filme homônimo baseado na história da canção. Vale lembrar que C. W. McCall era o pseudônimo usado por William Dale Fries, Jr., hoje um conhecido político e ativista envolvido com causas ambientais e sindicais.


“I Write The Songs” – Barry Manillow



O cantor, compositor e pianista norte-americano obteve um sucesso gigantesco em 1976 com esta ode ao ofício de compositor. Manillow se tornou eternamente identificado com a canção, mas poucos sabem que na verdade ela não é de autoria dele, mas de Bruce Johnston, que em 1965 se tornou integrante fixo do Beach Boys, substituindo Brian Wilson na estrada. Na metade de década de 1970, Johnston deu um tempo com a banda e atuou como produtor e compositor, e foi nessa fase que escreveu “I Write the Songs”. Em 1980, Frank Sinatra gravou a faixa para o álbum Trilogy, mas com o título levemente alterado: “I Sing The Songs”.


"A Fifth of Beethoven" – Walter Murphy & The Big Apple Band



Poucos poderiam esperar que o compositor erudito Ludwig van Beethoven pudesse chegar ao primeiro lugar da parada pop em 1976. Mas foi exatamente isso o que aconteceu, graças a uma versão disco music criada pelo músico e arranjador Walter Murphy. A clássica "A Fifth of Beethoven", baseada no primeiro movimento da “Quinta Sinfonia” do cultuado compositor austríaco, escrita de 1804 a 1808, foi um dos maiores hits daquele ano. E em 1977, a faixa seria mais um sucesso das pistas a ser incluído na trilha de Os Embalos de Sábado à Noite.


“Tonight's the Night (Gonna Be Alright)" – Rod Stewart



Quando fez parte do Faces ao lado de Jeff Beck, Rod Stewart cantava rock básico com influência de blues. Mas quando gravava material solo, gostava de privilegiar as power ballads. “Tonight's the Night (Gonna Be Alright)" marcou o período em que o cantor britânico dividia com o Elton John o status de maior nome do pop/rock mundial: o single foi o campeão de vendas nos Estados Unidos em 1976, permanecendo por sete semanas em primeiro lugar. Basicamente, é uma canção atmosférica sobre se preparar para o ato sexual – inclusive, o verso “não se preocupe, minha criança virgem” fez com que muita gente coçasse a cabeça na época. O diálogo em francês ao final da canção é falado pela atriz Britt Ekland, a namorada de Stewart na época.


“Silly Love Songs” – Paul McCartney



Hoje, o eterno beatle segue como um dos nomes mais amados e reverenciados da música popular. Mas na metade da década de 1970,apesar de seguir como campeão de vendagens ao lado de sua banda, Wings, McCartney estava sem moral junto à crítica. Entre outras coisas, o músico era acusado de ter deixado as inovações dos Beatles para trás e de ter virado um mero compositor de canções românticas inócuas e comerciais. Em “Silly Love Songs”, ele enfim deu uma resposta aos críticos: afinal, qual era o problema de encher o mundo com “musiquinhas bobas de amor?”.


“Don’t Go Breaking My Heart” - Elton John e Kiki Dee



Elton John estava no topo do mundo na metade da década de 1970, e esse “toque de midas” também beneficiou seus amigos próximos, como a cantora inglesa Kiki Dee. “Don’t Go Breaking My Heart”, o dueto entre os dois, explodiu nas listagem dos singles mais vendidos de 1976. Mas foi com todo o mérito e justiça: a canção era realmente empolgante, assim como o vídeo que a acompanhava, divertido e marcante. Anos depois, John regravou a canção duas vezes: uma ao lado de Miss Piggy, no The Muppet Show, e outra em dueto com RuPaul.


"(Shake, Shake, Shake) Shake Your Booty" – KC and the Sunshine Band



Ainda hoje, quando se fala em disco music, o nome de KC and The Sunshine Band vem à cabeça. Da parceria entre o músico e produtor Harry Wayne Casey (mais conhecido como KC) e o baixista Richard Finch surgiu esta que foi uma músicas mais emblemáticas da era disco – além de uma das faixas mais tocadas nas pistas de dança do mundo todo. O lado B desse single arrasa-quarteirão foi “Boogie Shoes”, que também depois entrou para a trilha sonora de Os Embalos de Sábado à Noite.