Rolling Stone Brasil
Busca
Facebook Rolling Stone BrasilTwitter Rolling Stone BrasilInstagram Rolling Stone BrasilSpotify Rolling Stone BrasilYoutube Rolling Stone BrasilTiktok Rolling Stone Brasil

Bloco do Eu Sozinho

Paralelamente ao Fresno, Lucas Silveira investe em viagens musicais alternativas

Por Pablo Miyazawa Publicado em 22/02/2010, às 09h25

WhatsAppFacebookTwitterFlipboardGmail
No Beeshop Lucas Silveira, é responsável pela maioria dos instrumentos - DIVULGAÇÃO
No Beeshop Lucas Silveira, é responsável pela maioria dos instrumentos - DIVULGAÇÃO

Álbum The Rise and Fall of Beeshop

Previsto para fevereiro

"Como não tem discussão, é tudo muito rápido." Lucas Silveira, vocalista e guitarrista do Fresno, define o processo que envolve a primeira investida fora de sua banda "oficial": a gravação do álbum de estreia de seu projeto solo, o Beeshop. Sob o codinome, Lucas há tempos recheia uma página no MySpace com composições tocadas apenas com voz e violão, majoritariamente cantadas em inglês. "Tem coisa que é mais difícil de passar a mensagem em português", ele explica. "Assim, consigo falar sobre mais temas."

É a primeira semana de novembro, e Lucas está sentado diante de uma ampla mesa de som no estúdio Midas, de propriedade do produtor Rick Bonadio. O olhar ansioso percorre a folha de sulfite em suas mãos - o documento rabiscado à caneta resume o solitário e corrido cronograma de dez dias de gravações. "Não tem nada de que eu goste mais do que gravar, então isto aqui é o paraíso", confessa Lucas. No Beeshop, o músico de 26 anos dá vazão ao que define como "outras viagens musicais" que não necessariamente combinam com o estilo conhecido nacionalmente do Fresno. "Tem músicas que, se eu fosse propor para a banda, eles achariam que era uma viagem momentânea minha." Mesmo quem já acompanha o projeto pela internet pode se surpreender com o resultado alcançado no álbum, batizado The Rise and Fall of Beeshop: as faixas passam longe de qualquer simplicidade, apresentando bases intrincadas e camadas de instrumentos variados. Os arranjos, criados do zero pelo próprio Lucas, transbordam referências - ora lembram Beatles, ora remetem à fase clássica do Queen, ora tudo isso misturado. "Sou bem perfeccionista", ele confessa. "Não consigo fazer as coisas de um jeito muito simples." Ecos de Freddie Mercury aparecem em "Cookies". "All I Need" traz somente voz e piano virtuoso. "Rockstars and Cigarettes" tem a participação do violino de Anon Lima, da Família Lima. Lucas toca a maioria dos instrumentos, mas não todos - as baterias ficaram por conta dos companheiros de Fresno, Bell Ruschel e Rodrigo Tavares. "É ganância tentar tocar tudo. Talvez na próxima", brinca.

"Eu queria fazer um disco para ouvir no carro", explica Lucas, ressaltando o poder que a música tem de evocar imagens dos "filmes de sua vida": "Quando eu for velhão, quero fazer trilhas para o cinema". Com o Beeshop, os planos são ligeiramente ambiciosos (a intenção secreta é divulgar o lançamento no mercado estrangeiro e, quem sabe, encaixar alguma música em um filme ou série de TV), mas não o bastante para eclipsar o trabalho na banda que o tornou famoso. "Esta é uma coisa paralela que vou levar bem devagar", Lucas enfatiza. "É um trabalho para fazer bem para a Fresno também."