Young Americans: conheça o disco de soul music de David Bowie

Redação Publicado em 27/02/2015, às 15h33 - Atualizado em 07/03/2017, às 18h20

David Bowie - Young Americans
AP

LADO A -"Young Americans"



Bowie abre o disco com uma letra que cita "A Day In The Life" dos Beatles, flerta com os jovens e aponta alguns problemas sociais enfrentados pelos norte-americanos. Com uma voz segura, a música dançante contagia e é marcada pelo excelente sax jazzístico de David Sanborn, a alma da canção.


LADO A - "Win"

Música romântica para sair dançando colado com alguém na pista. Bowie dramatiza no vocal. Esse é o grande segredo da cozinha musical criada pelo genial Carlos Alomar, porto-riquenho achado por Bowie quando aportou em Nova York para buscar referências da soul music. O disco Young Americans pretendia ser a alma do soul.


LADO A - "Fascination"

A música cativa logo nos primeiros acordes. Willie Weeks arrasa tocando um baixo que é a marca da canção. Bowie brilha com um vocal agudo e meloso. Ele soube como ninguém escolher as vozes do disco que encantam e sensualizam a cada refrão. Dividiu a música com o então jovem cantor e compositor de R&B e soul, Luther Vandross, morto em julho de 2005.


LADO A - "Right"

O lado A de Young Americans termina com uma das mais belas músicas do álbum. A guitarra de Carlos Alomar é simples, melódica e com riffs alucinantes. O segredo do disco e da canção é a entrega total de todos os músicos, escolhidos com cuidado pelo metódico Bowie. Em "Right", cada acorde, cada voz, é sussurrada com alma. Impossível não cair na dança, mesmo que sozinho.


LADO B - "Somebody Up There Likes Me"

Outra música marcada pelo saxofone dançante. Ela é pontuada por vozes e letra gospel. Uma ode ao cara lá de cima que, segundo Bowie, gosta dele. Talvez a prova disso seja o encontro com a cantora Ava Cherry. Antes da gravação do disco, ele pediu ajuda a ela para encontrar os músicos. Ava sugeriu que eles fossem a Nova York, para o bairro do Harlem, mais precisamente ao Apollo, uma casa de música negra. Foi lá que Bowie conheceu o guitarrista e arranjador Carlos Alomar. "Eu não sabia quem era David Bowie, mas era o cara mais branco que eu já tinha visto. Ele tinha o cabelo laranja e era magérrimo. Convidei ele para comer." O encontro deu certo, Alomar apresentou músicos maravilhosos ao "branquelo translúcido estranho".


LADO B - "Across the Universe"



David Bowie presta homenagem aos Beatles com a participação especial de John Lennon. O forte da música é a visceralidade vocal. Diz a lenda que Lennon nunca ficou satisfeito com a gravação da faixa na época dos Beatles e tentou várias inovações. Mas com os quatro garotos de Liverpool, ela é muito melhor do que na versão com Bowie. Vale o registro histórico, sete anos depois da primeira gravação.


LADO B - "Can You Hear Me?"

Outra canção marcada pelo romantismo de Bowie. A bateria suingada com o apoio de uma orquestra e vozes apaixonadas valorizam o clima.


LADO B - "Fame"



A melhor música de Young Americans fecha o disco e foi criada por acaso durante as gravações. No primeiro encontro no estúdio Electric Ladys, Carlos Alomar apresentou várias ideias a Bowie. Logo de cara, o suingue da guitarra, a marcação do baixo e um riff incrível, conquistou a ele e mais tarde outro inglês. "O John Lennon veio ao estúdio e disse: 'Vamos pegar esse riff e escrever algo em cima dele.' Era o riff do Carlos Alomar." As histórias dos bastidores da construção de "Fame" são incríveis. Bowie revelou que enquanto tocava John Lennon ficava: "Ame! Ame! Eu coloquei apenas um F na frente e foi isso." Resumiu Bowie com a simplicidade dos gênios. Nascia "Fame"! A canção fez sucesso nos Estados Unidos e tornou-se o maior hit de 1975.