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Tatsu Carvalho fala sobre 'Cidade Invisível': "É bom ser o vilão que todos adoram" [ENTREVISTA]

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Tatsu Carvalho falou sobre os anos iniciais da carreira, sua paixão pelo teatro e os futuros projetos no audiovisual

Emanuela Lemes (sob supervisão de Eduardo do Valle) Publicado em 25/04/2023, às 12h10

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Tatsu Carvalho (Foto: Divulgação)
Tatsu Carvalho (Foto: Divulgação)

Com três grandes lançamentos para 2023, Tatsu Carvalho ganhou destaque com sua atuação em Cidade Invisível (2021) ao interpretar o vilão Castro, que cobiça explorar ainda mais os recursos naturais de Marangatu, vila indígena situada na capital do Pará. No entanto, ser ator não estava em seus planos.

Formado em Marketing, o carioca de 46 anos decidiu se inscrever em um curso de teatro na Casa Laura Alvim, apenas por hobbie, enquanto trabalhava na Sony Music do Rio de Janeiro. Naquela época, aos 22 anos, não imaginava que iria se apaixonar pelo meio artístico, mudar-se para Nova York e estudar no Lee Strasberg Theatre and Film Institute - e o que deveriam ser seis meses de estudo, se transformaram em três anos.

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Quando voltei para o Brasil, continuei na indústria da música, porque não sabia como seguir. Não tinha amigos atores ou alguém que entendesse a área, e aos poucos percebi o quanto seria difícil. Mas as coisas foram acontecendo, fui conhecendo produtoras de elenco e casas de teatro, e fazendo papéis pequenos, e assim surgiram os convites para os testes.

Hoje, com mais de 20 anos de carreira e tendo contracenando com nomes como Stellan Skarsgård, Miranda Richardson e Tom Cullen, além de Neil Patrick Harris e Anya Taylor-Joy, o ator comemora o sucesso e a versatilidade em diversos projetos e se prepara para os próximos lançamentos: Vidas Bandidas, série do Star+ e sua participação na terceira temporada de Arcanjo Renegado (2020), no Globoplay.

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Em entrevista para a Rolling Stone BrasilTatsu falou sobre sua participação na segunda temporada de Cidade Invisível, sua paixão com o teatro e a vontade de voltar-se para atrás da cochia, como produtor teatral - assim como fez na peça Um Estranho no Ninho, que descreve como "um dos melhores momentos da minha carreira" e "o local onde eu me sinto mais a vontade."

Confira na íntegra a entrevista de Tatsu Carvalho para a Rolling Stone Brasil:


Para começar, queria saber um pouco mais do seu processo de preparação para os papéis. Com gêneros tão diferentes, como é o estudo para interpretar personagens de histórias tão diversas e - às vezes - nem tão exploradas na câmera?

Tatsu Carvalho: Então, tudo muda conforme o projeto. Mas, algo que eu faço sempre, independentemente de qual seja o personagem ou o meio - TV, teatro ou cinema - eu tento criar o que aconteceu antes da página 1: a história de fundo, o passado e a biografia do personagem além do roteiro, o que me ajuda a mergulhar na vida daquela pessoa. E tem também o jogo cênico entre os atores, que colabora bastante com o desenrolar desse universo a parte.

Você já contracenou com grandes nomes da indústria: Stéllan Skarsgárd, Neil Patrick Harris, Anya Taylor-Joy.... qual o maior aprendizado que você teve trabalhando com atores internacionais?

Tatsu Carvalho: É sempre legal fazer trabalhos fora do país, mas eu também tive grandes aprendizados com atores brasileiros - especialmente no teatro, onde eu trabalhei com a Vera HoltzMilton Gonçalves... que são profissionais com mais experiência e que me ajudaram muito. No teatro você acaba tendo uma vivência maior, pelo longo período de ensaios e o tempo que você permanece atuando naquela história, que é mais repetitivo. A atuação pede muita observação, então, com eles [Holtz Gonçalves] eu aprendi muito sobre os diferentes processos de cada ator.

Com o Neil [Patrick Harris] e a Anya [Taylor-Joy] foram processos bem rápidos, eu os conheci no dia da filmagem. Mas ambos foram muitos simpáticos e pessoas bem acessíveis. Com o Stéllan [Skarsgárd] foi diferente, porque passamos um mês filmando em Trindade, no Rio, então a troca foi para além das câmeras, saímos para jantar várias vezes durante as filmagens. Mas, com os três atores citados, consegui entender como é importante mergulhar de cabeça na atuação - que isso fica ainda mais transparente nas telas, independente da relevância do personagem.

Em entrevistas, você já mencionou os anos iniciais - e difíceis - da carreira como ator. De 20 anos para cá, o que segue sendo um desafio para ti?

Tatsu Carvalho: É uma profissão muito louca... é uma eterna montanha-russa porque você sempre tem um trabalho com prazo determinado. O desafio segue em se manter constante e persistente na área, não permanecer na zona de conforto - seja na produção de alguma peça de teatro ou em algum trabalho do audiovisual - e lembrar o porquê escolhi a arte: por amor e paixão.

Já que estamos falando sobre arte e paixão: Como ator, qual o sentimento que você espera despertar no público que te assiste - independente se for no streaming, no cinema ao até mesmo no teatro?

TatsuCarvalho: O teatro é o meu templo. A minha formação vem do teatro, então é onde eu me sinto em casa. Eu acredito que o ator é ator 100% no teatro, e no audiovisual é 100% do diretor. Eu gosto muito mais do processo teatral, da repetição, da cochia. Por mais que tenha a repetição e os ensaios com a equipe técnica, cada sessão é única e quando as cortinas se abrem, são os atores e o público. Não é igual no audiovisual, que tem alguém gravando e regravando vários takes para ter o corte final do diretor.

O legal de uma peça é você sentir a mudança imediata no público. Sentir que a arte tocou o espectador de alguma forma - seja para dar risada, para chorar ou para uma reflexão, tem tantas possibilidades. Mas em produções do audiovisual você só recebe esse feedback meses depois da gravação... acredito que o importante é mexer com o público, de alguma forma, para que a pessoa saia diferente de como entrou - na sala de cinema, na poltrona de casa ou do teatro.

Até quando eu interpreto vilões ou antagonistas, é bom perceber que as pessoas foram impactadas pelo seu trabalho - na crítica, na reflexão ou até na raiva de relembrar situações da vida por um olhar cômico. 

E sobre reconhecimento... me conta um pouco sobre a sua recepção com o público deCidade Invísivel

Tatsu Carvalho: No caso de Cidade Invisível, eu fiquei bem animado com o carinho das pessoas, porque estava nervoso para a segunda temporada, especialmente com a expectativa do público para continuar essa história.

Fazia um tempo que não interpretava um vilão, e é maravilhoso receber mensagens como 'Nossa como você foi escr*t*' ou 'É errado gostar demais de um vilão?', porque sei que as pessoas gostaram e ficaram marcadas por aquele personagem. E é por isso que eu sempre procuro trabalhar em gêneros diferentes, para me instigar e me desafiar ainda mais - e o público reconhece isso também.

Eu preciso perguntar: se você pudesse incorporar uma entidade da série, qual você seria?

Tatsu Carvalho: Não que eu gostaria de incorporar algum personagem do folclore, mas eu seria a Mula-Sem-Cabeça, que foi minha esposa na série, interpretada pela Simone Spoladore. Especialmente por tudo que o personagem representa... a história da Mula é forte demais.

Para encerrar: o público vai sentir raiva ou vai amar seu personagem em 'Vidas Bandidas', sua próxima estreia para o Star+?

Tatsu Carvalho: [Risos] Sem spoilers ainda, mas provavelmente vai sentir mais raiva. Só posso dizer que interpreto um policial da Zona Portuária que se envolve em muitas frentes. Foi uma delícia fazer esse projeto, tenho certeza que o público irá gostar, sem contar a oportunidade de ter trabalhado com atores que sempre admirei como o Rodrigo Simas, Juliana Paes.