Entrevista

Com diversas influências, AMESLARI se prepara para alcançar público internacional

Inspirado em artistas nacionais e estrangeiros, cantor vem conquistando seu espaço no mundo da música

Redação Publicado em 29/06/2022, às 16h00

AMESLARI no Estúdio Rolling Stone
Divulgação

A prática de escutar música junto com os pais é comum, principalmente quando ainda se é criança. AMESLARI, músico de 24 anos, iniciou sua trajetória dessa forma. Em 2009, ao comparecer a um show de Elton John, o jovem tornou-se fã do cantor inglês e decidiu aprender a tocar piano.

A experiência de ter integrado um coral como barítono, trouxe ensinamentos que até hoje ajudam na voz dele. “A influência que ficou comigo vem muito das aulas de técnica vocal voltadas para canto lírico. Ainda que eu não lembre de tudo o que aprendi, algumas coisas ficaram e o estilo em si ficou um pouco, principalmente na forma de projetar a voz em algumas notas mais altas e mais fortes que canto”, explica.

A busca pelo nome artístico veio por meio do interesse por idiomas. “Pensei em várias palavras diferentes em línguas diferentes e fui na cara dura pesquisando no Google Tradutor até chegar na palavra ´sonhador’. Quando vi essa palavra em basco falei ´é esse o nome´, esclarece.

A junção com a sua banda aconteceu em 2017 de forma natural. “Meu tecladista, o Alessandro Perê, é meu professor de piano há anos. Quando comentei sobre meu interesse em seguir carreira autoral, ele se entusiasmou bastante e se ofereceu para participar. Perguntei se ele conhecia outros músicos que poderiam topar o projeto e ele me apresentou aos outros três: Moi Gonzales, guitarrista, Paulo Bass, baixista e Thiago Carbonari, baterista”, afirma.

Com canções reflexivas, AMESLARI conquistou mais de 250 mil visualizações no clipe de uma de suas composições, “The Young”. Por meio de suas músicas, ele expressa, na maioria das vezes, os seus pensamentos. “Muitas das letras são experiências pessoais ou sentimentos meus, como ‘Distance’, ‘The Young’ e ‘Everything At Once’, mas algumas são só historinhas ou cenas que me vieram à cabeça, como ‘Song For The Brokenhearted’ e ‘Goodnight Song’. Penso que a inspiração pode vir de qualquer lugar: de um grande amor, de um jogo de videogame, de uma loja vazia em um posto na estrada. Essa faísca, para mim, não dá para forçar, ela só vem, e cabe ao artista aproveitá-la”, ressalta

Tendo como ídolo Elton John, o músico explica o que são, para ele, os singles do cantor. “Gosto demais da forma como ele constrói melodias e harmonias, que são sofisticadas e lindas, mas acessíveis”, diz.

O pianista também é influenciado por outros intérpretes. “Me identifico bastante por sons muito diferentes entre si – de Dream Theater a Paulinho da Viola, de George Harrison a Lady Gaga, entre outros muitos. Por isso meu som tem variado cada vez mais, começando com o álbum City Stories (2019), que era mais coeso, com algumas coisinhas diferentes e chegando em contrastes como ‘Everything At Once’ e ‘Distance’. Um que eu não poderia deixar de citar é o Freddie Mercury. O que cantava esse homem e o que tinha de presença de palco era um absurdo. Ver cinco minutos dele num show já é uma aula de palco para qualquer um”, analisa.

Uma das suas obras, a música “Distance”, foi lançada neste ano e utiliza um novo estilo em relação às outras: o eletrônico. Segundo ele, a ideia é continuar inovando. “Cada vez mais tenho tentado mostrar o quanto gosto de ouvir coisas diferentes. Já fiz pop rock anos 1980, já fiz pop rock mais moderno, já fiz hard rock com um pé no metal e agora fiz eletrônica. Gosto muito disso porque é muito eu. Minha cabeça funciona assim, indo o tempo todo de um lugar para outro – e muitas vezes esses lugares são muito distantes entre si. Pretendo que continue assim”, relata.

Por conta da pandemia, AMESLARI precisou cancelar as apresentações que faria. De acordo com ele, esse período foi terrível. “Minha carreira estava prestes a dar uma guinada, com shows em São Paulo engatilhados e tudo mais, que tiveram que ser cancelados. Minha saúde mental sofreu muito na época, por isso e por razões pessoais também – essa soma de coisas foi o que gerou ‘Everything At Once’, inclusive”, descreve. Esta canção fala sobre pressão e sofrimento, e possui mais de 100 mil visualizações no Youtube.

A volta para os palcos aconteceu no final de 2021, no Hard Rock Café, em Ribeirão Preto - cidade natal do compositor - depois de dois anos sem tocar. Segundo ele, a sensação foi ótima. “Foi provavelmente o show em que eu mais me diverti até hoje. Sempre fui perfeccionista ao extremo e isso me fazia ficar numa preocupação absurda em não errar e em fazer com que tudo fosse impecável – o que fazia mais mal do que bem. Nos últimos tempos, porém, consegui amenizar isso – mas sem perder, porque acho importante querer as coisas da melhor forma possível e ser perfeccionista ajuda a manter o padrão de qualidade”, conta.

Outra apresentação que faria, e precisou ser remarcadao por conta da Covid-19, foi a do festival Brazilian Bacon Day, que ocorrerá em setembro deste ano. AMESLARI performará ao lado de grandes nomes como Biquini Cavadão e Pitty. “As expectativas são muito boas! É uma honra tocar no mesmo festival que todos eles. Quero muito levar para lá o melhor show que eu puder e conquistar as pessoas”, expressa.

Amante de animes, o intérprete enxerga as suas trilhas sonoras como ótimas referências. “Falando dos animes especificamente, ouço muita música japonesa por causa deles e cada vez mais percebo quantos artistas incríveis existem por lá. Sid e Bump Of Chicken, por exemplo, são duas bandas que acho sensacionais. As trilhas sonoras em geral sempre me fascinaram muito, porque a ideia de casar uma música – composta para a obra ou não – com uma cena, um momento, é lindo para mim, sempre é algo que me vem à cabeça, até em relação a situações da vida real”, declara.

Com relação ao personagem preferido, AMESLARI elege a Kitagawa Marin, da obra My Dress-Up Darling. “Ela adora animes e games e manifesta isso através do cosplay, algo que eu acho muito legal e gostaria de um dia tentar também. Kitagawa sente o amor pelas obras de uma forma muito intensa. Além disso, é extremamente aberta a gostos diferentes, adora comer e é bem preguiçosa, o que quase que me define por si só!”, alega, aos risos.
Com o sonho de tocar no Palco Mundo do Rock In Rio, o compositor diz qual é a parceria musical que um dia gostaria de realizar. “Adoraria gravar um disco de jazz com a Billie Eilish. Amo jazz e acho que a voz dela seria ótima para isso. Fora que, com a criatividade que tem, ela traria alguma influência moderna para o disco. Acho que seria ótimo”, finaliza.