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11 maiores inovações de Stan Lee que transformaram a história das HQs

Revolucionário e agregador, Stan Lee marcou os quadrinhos com personagens como Homem de Ferro e Homem-Aranha

Pedro Antunes Publicado em 12/11/2018, às 19h08

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Homem-Aranha é um dos personagens criados por Stan Lee (Foto: Divulgação)

Stan Lee, morto nesta segunda-feira, 12, aos 95 anos, era conhecido como "the man" (ou "o cara", em tradução livre). Veterano das HQs, ele foi escritor, editor, publisher e até presidente da Marvel Comics.

Para alguns, era também conhecido como "pai de todos", tal foi sua importância na criação de personagens hoje tão icônicos na cultura pop mundial, como Homem-Aranha ou Homem de Ferro. 

Para outros, contudo, Lee era alguém com o histórico de tomar para si as glórias de trabalhos de outros artistas como Jack Kirby, Steve Ditko, Don Heck e Gene Colan. 

Ambos estão corretos.

Porque além de ser um sujeito extremamente criativo, Lee sabia jogar em equipe, dar espaço para os artistas criarem e colaborava com eles a partir das suas concepções. 

Com isso, a Rolling Stone Brasil lista as 11 maiores invenções (e inovações) de Stan Lee:  

Os supergrupos: 

O Quarteto Fantástico quando saiu, em novembro de 1961, em uma parceria com o veterano artista Jack Kirby deu início aos grupos de heróis do lado da Marvel Comics - a rival DC havia criado a Liga da Justiça um ano antes. Na época, era uma aposta da editora, já que histórias com heróis estavam desuso desde o final da Segunda Guerra Mundial. Com toques de terror, aventura e ficção científica, o Quarteto foi um acerto e criou o conceito de heróis unidos como uma família, algo usado em outros grupos posteriormente. 

Os Vingadores: 

Criado também com Jack Kirby e com a primeira aparição em setembro de 1963, Os Vingadores não eram só um supergrupo. Com base na força da Liga da Justiça e no acerto do Quarteto Fantástico, Os Vingadores criaram na Marvel o conceito de heróis de diferentes títulos unidos sob um codinome.

O acerto, nesse caso, foi tamanho, que o grupo é dono das maiores bilheterias da Marvel nos cinemas, são o que chamamos de "filmes-eventos", que reúnem as histórias compartilhadas por todos os heróis da editora na tela grande. 

Universo compartilhado:  

Por falar em cinema, hoje falamos muito do tal Universo Cinematográfico da Marvel, no qual todos os personagens existem em uma mesma realidade e, portanto, a ação em um filme pode impactar a história de outro. 

Isso, nos quadrinhos, foi invenção de Lee. Com ele, algumas sub-tramas de algum título acabavam "invadindo" histórias de Capitão América e por aí vai. 

Pantera Negra:  

Ao estrear em um volume de Quarteto Fantástico, em julho de 1966, apresentado como "o sensacional Pantera Negra", o personagem se tornou o primeiro herói negro de uma editora mainstream de quadrinhos. 

Nos cinemas, o Pantera Negra é vivido por Chadwick Boseman e estreou em Capitão América: Guerra Civil, em 2016. O filme solo do personagem, lançado neste ano, foi um sucesso de bilheteria. 

X-Men: 

Lee, por vezes, usava seus personagens para defender questões importantes. Com isso, surgiu o grupo X-Men, em setembro de 1963, uma equipe de jovens com poderes especiais liderada pelo Professor X. 

As tramas dos heróis passavam pela sua própria existência: tratavam-se de mutantes, uma espécie de evolução da humanidade, que tinham superpoderes, mas nem sempre estavam satisfeitos com isso. 

Nas HQs, Lee tratava de preconceito, discriminação e do medo enquanto contava as histórias dos seus mutantes. 

Heróis humanos 

Contador de histórias, Lee passou a introduzir mais profundidade nos personagens dos quadrinhos, acompanhando as eras das HQs, de ouro, prata e bronze. Seus heróis tinham falhas. Aproximavam-se dos leitores, principalmente os mais jovens. 

Homem-Aranha 

E com isso chegamos a uma das principais criações de Lee. A primeira história do Cabeça de Teia na revista Amazing Fantasy, que tinha Lee e Steve Ditko, fugia do convencional (a história chegava ao fim com um jovem adolescente aterrorizado com seus novos poderes).

Aos poucos, o personagem cresceu e, com o talento de Lee em criar empatia com o leitor, tornou-se um dos favoritos do público adolescente.

O Homem-Aranha tinha, na sua história de origem, a morte do seu tio Ben, algo marca a história dele até os dias de hoje, já que foi a culpa por não ter evitado o assassinato da figura paterna que o fez vestir o uniforme. 

Preocupação com o meio ambiente 

Stan Lee não foi o criador do Surfista Prateado, personagem cuja autoria é de Jack Kirby. Ao assumir os quadrinhos do herói, em agosto de 1968, ele ampliou as possibilidades de tramas envolvendo o personagem, que deixou de ser um mero coadjuvante. 

O Sufista Prateado daquela época era quase uma figura messiânica, que trazia grandes questionamentos sobre a humanidade, o futuro e sobre as causas ambientais. 

Espionagem nas HQs 

Em 1965, James Bond enfrentava vilões nos cinemas. A série The Man From U.N.C.L.E. fazia sucesso na TV. Lee, portanto, decidiu que queria trazer o clima das aventuras de espiões para as HQs. No quadrinho Strange Tales, publicado em agosto de 1965, ele Jack Kirby resgataram um personagem chamado Nick Fury, que havia aparecido antes como sargento. 

Fury ressurgiu com a patente de coronel, líder de uma organização de espionagem que, quem assistiu aos filmes da Marvel conhece muito bem: A S.H.I.E.L.D.. 

Homem de Ferro

O ricaço, alcoólatra, gênio e herói Tony Stark/Homem de Ferro surgiu em Tales of Suspense, a edição de março de 1963. Era uma época de ápice criativo de Lee. Logo, se tornou um dos principais heróis da editora, viveu altos e baixos, nas histórias e nas vendagens.

O Homem de Ferro entra com destaque nesta lista, contudo, por conta da sua importância nos cinemas. Foi com ele, interpretado por Robert Downey Jr., que nasceu o Universo Cinematográfico da Marvel, com o filme solo do personagem, em 2008. Ao longo da década, o herói se tornou um dos pilares da Marvel Studios nos cinemas. 

Aparições nos filmes

Virou tradição buscar a aparição de Stan Lee nos filmes dos personagens criados por ele. Alguns outros artistas e criadores fizeram o mesmo, mas não com o mesmo carisma ou com a mesma empolgação do público.