Após polêmica, Phil Anselmo pede desculpa por saudação nazista no palco

Ex-líder do Pantera gritou "white power" no fim da homenagem a Dimebag Darrell

Redação Publicado em 01/02/2016, às 17h38 - Atualizado às 20h36

Phil Anselmo
Chris Pizzello/AP

Em comunicado, o ex-vocalista do Pantera, Phil Anselmo, pediu desculpa por ter gritado "white power" ("poder branco", expressão comumente associada a supremacistas) e feito uma saudação nazista no final da execução da faixa "Walk". O caso aconteceu durante o Dimebash, celebração anual ao guitarrista da banda, Dimebag Darrell, morto em dezembro de 2004.

"Estou aqui para responder todas as críticas que tenho recebido e que mereço completamente", escreveu. "Estava no Dimebash, era extremamente tarde da noite, houve muita conversa entre eu e aqueles que amavam o Dime e muitas emoções rolaram, piadas do backstage acabaram indo para o palco. Foi feio, desnecessário e qualquer um que conhece minha natureza verdadeira sabe que não acredito em nada disso."

O músico disse que não quer fazer parte de nenhum grupo. "Sou um indivíduo e… Peço 1000% de desculpas a qualquer um que tenha se ofendido com o que eu disse, sinto muito. Espero que vocês me deem outra chance para… apenas me deem outra chance porque amo todos vocês. Qualquer um que me conhece sabe que amo vocês."

A polêmica envolvendo Anselmo surgiu quando um fã da banda, Chris R., publicou um vídeo do show que mostra a saudação nazista no final da canção de Vulgar Display of Power (1993). Com mais de 600 mil visualizações, o vídeo gerou discussões acaloradas sobre racismo no metal.

Anselmo comentou a publicação no YouTube usando o perfil da Housecore Records. Ele explicou que foi "uma piada interna da noite" porque estava bebendo vinho branco. "Alguns de vocês precisam engrossar a casca", disse o atual líder da banda Down. "Amo todo mundo, odeio todo mundo. E é isso. Sem desculpas da minha parte."

Uma semana depois do comunicado, o vocalista do Machine Head, Robb Flynn, publicou uma resposta de onze minutos. Nela, diz que esteve com Anselmo nos bastidores e que não existia vinho branco, mas mesmo que houvesse, o ato em si era de mau gosto e promove o racismo na cena musical.

Pelo Twitter, Sebastian Bach, disse que o "rock deveria ser para se divertir". O Skid Row fez uma turnê com a banda quando o Pantera ainda era revelação. "Converter música em ódio? Não é divertido. Quem diz 'white power' é covarde, assim como aqueles que concordam", escreveu.

Racismo no Metal (Legendado)

Versão legendada do vídeo em que Robb Flynn (vocalista, guitarrista e líder da banda Machine Head) faz sua declaração contra os atos racistas de Phil Anselmo (vocalista da banda Down, ex-vocalista da lendária banda Pantera), e também contra o racismo na comunidade do Metal como um todo.

Publicado por Marcio Cardoso em Sábado, 30 de janeiro de 2016

Namorada de longa data de Darrell, Rita Haney também estava na celebração e condenou a atitude do vocalista. "Não concordo com essas ações, acredito que as origens são bárbaras e constrangedoras", comentou no Instagram. Ainda assim, Flynn foi considerado desleal por publicar a mensagem. "Você me perguntou: 'O que Darrell faria?' Ele teria feito o certo, falado homem a homem com Philip. Pelo que lembro, o Pantera não era apenas um homem. Temos também Rex Brown (baixista) e Vinnie Paul Abbott (baterista). Aceito as desculpas de Phillip e quero um mundo melhor pra viver, mas você foi desleal."

Dave Grohl, Robert Trujillo e Dave Lombardo fizeram homenagem a Lemmy

Dave Grohl foi convidado surpresa no Dimebash, o líder do Foo Fighters subiu ao palco para fazer uma homenagem a outra lenda do metal que já morreu: o baixista e vocalista do Motörhead Lemmy Kilmister. Grohl foi acompanhado por um supergrupo: o ex-vocalista do Pantera, Phil Anselmo, o baixista do Metallica, Robert Trujillo, e o ex-baterista do Slayer, Dave Lombardo. Eles tocaram uma versão furiosa de “Ace of Spades”, do Motörhead.

Lemmy: relembre dez momentos curiosos da carreira do líder do Motörhead.

Assista a um registro da apresentação abaixo.

Vocalista, baixista e líder do Motörhead, Lemmy morreu em 28 de dezembro, aos 70 anos idade. “Não há um jeito fácil de dizer isso”, escreveu a banda ao dar a notícia. “Nosso valente e nobre amigo Lemmy morreu depois de uma curta batalha contra um câncer extremamente agressivo. Ele ficou sabendo da doença em 26 de dezembro, e estava em casa, sentando em frente ao vídeo game favorito dele.”