Aquaman funciona como bom divertimento e renova a DC nos cinemas

Filme solo do herói aquático tem como destaques o visual deslumbrante e ação cheia de originalidade

Paulo Cavalcanti Publicado em 11/12/2018, às 18h09

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Aquaman, vivido por Jason Momoa (Crédito: Warner Bros. / Divulgação)

Em certo momento de Aquaman, o filme, Arthur Curry/Aquaman, vivido por Jason Momoa, diz que não é um rei, posto que ele teria direito por ser herdeiro, filho da rainha de Atlântida. E ouve, como resposta: "Um rei ajuda apenas aqueles que estão em ao seu redor. Mas um herói pode servir a todos."

Neste primeiro filme solo do personagem da DC Comics, Aquaman se torna ambos, herói e rei. Salva seus súditos e a humanidade. Neste novo capítulo do Universo Expandido da DC, a figura interpretada por Momoa finalmente faz sentido, ao contrário da participação dele em Liga da Justiça (2017).

Os fãs da Mulher Maravilha ainda irão argumentar que o filme da heroína e o melhor já produzido pelo braço cinematográfica da gigante dos quadrinhos. Mas Aquaman, repleto de humor, ação e com um visual de revirar a cabeça, chega bem perto disso.

O longa faz uma introdução de como surgiu o Aquaman. Ele é fruto da união do faroleiro Tom Curry (Temuera Morrison) com Atlanna, Rainha de Atlântida. Batizado de Arthur Curry, ele é um jovem que logo cedo aprende a se conectar com os peixes e tudo mais que revolve o ambiente oceânico. Mas Atlanna é sequestrada de volta à Atlântida, e isso acaba com o idílio da família.

Taciturno, mistura de surfista marombado com caminhoneiro, Arthur é de poucas palavras e muita ação - e gosta de ficar na dele. O sossego acaba quando ele tem que intervir em um submarino russo atacado por piratas.

Mas não é um saque qualquer. Os piratas são comandados por Manta (o impressionante Yahya Abdul-Mateen II). Este secretamente recebe ordens de Rei Orm (Patrick Wilson), o Rei de Atlântida e irmão mais jovem de Arthur Cury.

Orm tem planos sinistros. Ele quer conquistar aliados, armar o seu o povo e enfraquecer os habitantes da superfície, para eventualmente atacar e dominar o planeta.

Mas Mera (Amber Heard), vai à superfície tentar convencer Arthur. Ela quer que ele retorne à Atlântida, reclame o trono e impeça uma guerra eminente. A partir daí, Arthur tem que enfrentar uma batalha interna até que finalmente entre em ação e traga equilíbrio entre os terrenos e aos habitantes do oceano.

Se em Liga da Justiça o personagem de Aquaman parecia apenas um fortão bocudo que mais atrapalhava do que ajudava, agora a personalidade dominante dele faz sentido.

E Momoa, ao contrário do que muitos pensavam, consegue segurar o filme do começo ao fim. Boa parte do tempo ele está ao lado de Amber Heard, e a química entre os dois é apenas mais ou menos.

Momoa está mais à vontade ameaçando os inimigos e soltando tiradas sarcásticas. O enredo não é nem tão original – a rivalidade entre Arthur e Orm lembra muito a de Thor e Loki, do estúdio rival Marvel.

Em um momento, quando Arthur e Mera vão para no deserto do Saara, fica a impressão que iremos presenciar uma variação de alguma aventura arqueológica nos moldes da franquia Indiana Jones.

Mas o diretor James Wan mantém o ritmo acelerado e ação constante, tornando tudo sempre interessante. O melhor de tudo é cinematografia e os efeitos especiais. A visão de Atlântida é deslumbrante, e os outros reinos aquáticos também são de tirar o fôlego.

Trata-se uma verdadeira lisergia no mundo submarino. Tubarões, baleias, raias e outros seres aquáticos servem de montaria para os habitantes e entram na guerra de forma bem original. E se alguém tem curiosidades de como é viver debaixo d’água, Aquaman oferece inúmeras respostas.

O filme não faz nenhuma conexão com a Liga da Justiça, e não antecipa nada do que irá acontecer no universo da DC em seus futuros filmes. Mas nada atrapalha a experiência. Aquaman, como atração a parte, é diversão de primeira e um grande avanço para o estúdio.