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Bacamarte faz belo show em retorno aos palcos

Banda se apresentou com a formação clássica neste sábado, 22, no Rio de Janeiro

Carlos Eduardo Lima Publicado em 23/09/2012, às 18h33 - Atualizado às 18h35

Bacamarte
Vítor Conceição

O General Figueiredo presidia o Brasil quando o Bacamarte subiu ao palco pela última vez com sua formação clássica. Era o ano de 1983 e a cantora Jane Duboc emprestava sua delicada voz às canções compostas por Mario Neto com Marcus Moura para o primeiro disco da banda, Depois do Fim, então estourado na programação da Rádio Fluminense FM. Não espanta, portanto, o clima de euforia que tomou conta deste retorno aos palcos tão aguardado, do sábado, 22, no Teatro Rival do Rio de Janeiro.

Com Neto (guitarras e vocais), Marcus (flauta e acordeão), Jane (voz), Mr. Paul (percussão), William Murray e Vitor Trope (baixo), Nilo Mello e Robério Molinari (teclados) e o excelente Alex Curi (bateria), o Bacamarte apareceu turbinado e atualizado, mas sem perder a ternura. O show dividiu-se em dois atos, um para cada disco lançado. A primeira parte do show matou a saudade de Depois do Fim, com destaque para belíssimas versões de "Smog Alado", "Pássaro de Luz" e a faixa-título, com um solo de flauta sensacional a cargo de Marcus Moura. Os vocais de Jane Duboc ainda são eficientes e se encaixam totalmente nas intrincadas melodias propostas por Mario Neto, o guitarrista e mentor da banda, seguramente um dos maiores instrumentistas do país. Sua velocidade e destreza nos solos e a beleza das linhas melódicas contribuem para realçar a sonoridade do Bacamarte e tornar impossível classificá-lo apenas como progressivo. O estilo está bem presente, mas se amalgamando ao jazz e à MPB, atingindo a tão propalada "sonoridade própria".

A segunda metade do show trouxe ao palco o obscuro disco Sete Cidades, lançado em 1999, apenas com a participação de Neto e Molinari. Foi a primeira vez que a banda executou essas canções no palco, com vocais de Jane, trazendo a parcela de ineditismo que temperou bem o clima de nostalgia reinante. Os problemas no som do Teatro Rival, que se fizeram notar desde o início do show, quase inviabilizaram a apresentação da banda neste segundo ato, a ponto de repetirem "Filhos do Sol" por absoluta incapacidade de ouvirem uns aos outros. Desta segunda metade, além desta, a beleza de "Mirante das Estrelas" e o encerramento com "Portais" foram os pontos altos.

Seria impossível não conceder um bis e a banda retornou ao palco para interpretações emocionais de "Smog Alado" e "Pássaro de Luz", entoadas por todos os presentes a plenos pulmões. É difícil saber se o Bacamarte voltará à estrada, apesar dos ingressos esgotados rapidamente e da grande legião de fãs e admiradores que possui aqui e além mar. O que é possível afirmar é que a banda está pronta para ser descoberta por uma nova geração de fãs de música no sentido latu. Gente que vai se emocionar com essa visão tão bela, ao mesmo tempo, universal e brasileira, do rock, que Neto e seus parceiros ainda são plenamente capazes de executar.