Baterista de Elvis Presley, D.J. Fontana morre aos 87 anos

O músico, que fez parte da composição de clássicos como “Blue Suede Shoes”, “Heartbreak Hotel” e “Hound Dog”, já havia garantido um espaço no Hall da Fama do Rock

Rolling Stone EUA Publicado em 14/06/2018, às 16h14 - Atualizado às 17h09

D.J. Fontana
AP Photo/Tony Dejak

O baterista que fez parte da banda de Elvis Presley, Dominic Joseph Fontana, também conhecido como D.J. Fontana, morreu na última quarta, 13, aos 87 anos. O músico foi um dos responsáveis por instaurar as batidas tradicionais de rock como as conhecemos hoje em dia.

David, filho de Fontana, anunciou a morte do pai através de uma publicação nas redes sociais, explicando que o músico morreu enquanto dormia, e que ele não teria sofrido. “Pedimos privacidade neste momento. Obrigado por todo o amor e pelas orações”, ele escreveu no post.

O baterista acompanhou Elvis Presley (quem ele conheceu em 1954) durante 14 anos, tocando em mais de 460 gravações, como as dos clássicos “Blue Suede Shoes”, “Heartbreak Hotel”, “Hound Dog” e “Jailhouse Rock”. Em 2009, ele entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll.

Fontana ficou conhecido por seu estilo mais ortodoxo, que fugia de muitas maluquices. Sentado na bateria, ele buscava manter as coisas simples, tocando de forma que complementasse os instrumentos e a participação de todos os colegas de banda. “Aprendi a ficar fora do caminho deles e a deixar eles fazerem o que precisavam”, disse Fontana em 1987.

Nascido em Shreveport, no estado norte-americano de Luisiana, o músico começou a tocar bateria no colegial, e eventualmente foi contratado como baterista fixo do programa de rádio e TV local, Louisiana Hayride.

Ao longo dos 14 anos de parceria, Fontana acompanhou Elvis em estúdios, na estrada e até em filmes, como Prisioneiro do Rock (1957) e G.I. Blues (1960). Durante os anos 1960, porém, ele optou por sossegar em Nashville, tornando-se um requisitado músico de estúdio, na mesma época em que a carreira de Presley chegava ao primeiro momento de calmaria.

Os dois tocaram juntos no icônico '68 Comeback Special, que marcou o início de uma nova era na carreira do cantor, e para o qual, de acordo com o que o baterista revelou à Rolling Stone EUA em 2017, eles sequer ensaiaram de verdade. Depois disso, Elvis chegou a convidar Fontana para tocar em Las Vegas, mas o músico optou por permanecer em Nashville.

Nas décadas seguintes, Fontana chegou a tocar com artistas como Ringo Starr, Paul McCartney, Charley Pride, Jerry Lee Lewis, Waylon Jennings, Dolly Parton e Roy Orbison, além de participar, em 1997, do álbum All the King's Men, ao lado de Keith Richards, Levon Helm, Steve Earle, Cheap Trick, Ron Wood e Jeff Beck.

Em uma entrevista ao canal WGBH, Fontana relembrou a noite em que ele, Elvis, Bill Black e Scotty Moore tocaram juntos pela primeira vez como o quarteto que viria a definir o rock. “As pessoas foram educadas”, ele disse, acrescentando que o público, mais velho, deve ter chegado em casa e contado aos filhos sobre a banda, porque “nas semanas seguintes, só tínhamos jovens [na plateia]”. “Eles gritavam, berravam e choravam. Acho que foi aí que as coisas realmente começaram.”

Assista abaixo a algumas das apresentações de D.J. Fontana como baterista de Elvis Presley.