Blitz salva a festa

Alan Parsons falta, e banda de Evandro Mesquita fecha SP Moto Fest com humor

Por Artur Tavares Publicado em 08/09/2008, às 11h17 - Atualizado às 11h25

Evandro Mesquita (centro) e companhia arrancaram aplausos no SPMF
Ronaldo Franco

Rodeado de policiais, o terceiro dia de São Paulo Moto Fest estava com pouco público, menos de 1.000 pessoas assistindo aos shows no pico de quorum. No palco principal, o MopTop e a banda oitentista Blitz foram destaques. Alan Parsons, produtor do Pink Floyd, encerraria o festival, mas não compareceu para a apresentação. A organização atribuiu a falta a "um problema de saúde do músico".

A Blitz, pilotada pelo também ator Evandro Mesquita, fez um show bem-humorado, misturando clássicos como "Mais Uma de Amor (Geme-Geme)" e "A Dois Passos do Paraíso" - ambas tocadas duas vezes -, intercaladas com covers de Paralamas do Sucesso, Bob Marley e Cazuza.

Com menos atrasos do que no dia anterior, o palco abriu às 14h45 com um segundo show da banda Warriors, que já havia se apresentado neste sábado, 8. Mais integrado, o grupo repetiu o setlist de covers, com "Born to Be Wild", "Breaking the Law" e "Paranoid".

Em seguida foi a vez da apresentação de um grupo cover de Led Zeppellin, que mostrou virtuosismo na cozinha e reproduções fiéis fielmente sucessos como "Immigrant Song", "Misty Mountain Hop" e "Black Dog". Apesar de nenhuma semelhança física com Robert Plant, o vocalista do grupo-tributo deu um show à parte com sua voz, que alcançou os mesmos tons do Deus Dourado do rock em canções como "Rock 'n Roll", "Heartbreaker" e "Good Times, Bad Times".

O evento já entrava em sua reta final, e embora os stands que expunham motos estivessem cheios de pessoas, pouco mais de 50 fãs assistiam aos shows, ou encostados na grade, ou sentados em morros ao lado esquerdo do palco. Quem estava lá pela música viu o MopTop entrar no palco afinado. Seus integrantes não escondem as influências do retrô oitentista que paira pelo rock internacional, seja pelos cabelos despenteados à la Strokes, ou pelas guitarras aceleradas como as do Franz Ferdinand.

O quarteto passeou por seus dois discos em quase uma hora de concerto. Começaram com "Contramão", embalando "Uma Chance" logo em seguida, como se fossem uma só. "Beijo de Filme" foi a seguinte, mostrando que a principal temática das letras do grupo é o amor. Variaram com "Leve Demais", mas voltaram às brigas de casais com "Aonde Quer Chegar" e "Paris". O fechamento ficou a cargo de "Sempre Igual", maior sucesso do grupo carioca.

Após o show, encerrado às 17h30, roadies invadiram o palco e começaram a montar uma parafernália luminosa para o que parecia ser a apresentação do psicodélico Alan Parsons. Alguns tambores e mais microfones foram levados à beira do palanque. A demora para um novo show começar justificava ainda mais a presença de Parsons, mas ainda faltava a Blitz se apresentar. Mais pessoas se aproximavam, curiosas para saber o motivo das luzes estroboscópicas.

Sonífera Ilha

Às 18h20, Evandro Mesquita e sua banda entraram no palco, abrindo o show com "Weekend". As duas vocalistas do grupo estavam com vestidos curtos e decotados, dançando e desfilando com plumas no pescoço, enquanto o showman exibia óculos escuros e jaqueta. O humor da Blitz garantiu o primeiro e único momento de aplausos calorosos da audiência, que se juntava para reviver os anos 80 com "Betty Frígida", "Sonífera Ilha", dos Titãs, e "Mais Uma de Amor".

Já à noite, o grupo foi beneficiado pelas luzes do grande palco, que coloriram a platéia durante um medley que juntou "Óculos", dos Paralamas do Sucesso, "Stir It Up", de Bob Marley e "Reggae Night", de Jimmy Cliff.

O vocalista saudou Bob Marley algumas vezes durante a apresentação, e ainda tocou "One Love". Não faltou "Bete Balanço", de Cazuza, "Biquíni de Bolinha Amarelinha", de Celly Campello, e a clássica "Você Não Soube me Amar", que fechou a apresentação. As luzes estroboscópicas nem foram usadas. No bis, "A Dois Passos do Paraíso" e "Mais Uma de Amor (Geme-Geme).

Antes de deixar o palco, Mesquita anunciou o show de Alan Parsons. Foi desmentido pela organização minutos depois. As luzes já se apagavam e o palco já era coberto por uma lona quando o público começou a deixar o primeiro São Paulo Moto Fest.