Sharon Jones, Wayne Shorter e outros estarão no BMW Jazz Festival

Primeira edição do evento, que acontece em junho, no Auditório Ibirapuera, reunirá grandes nomes do gênero; veja aqui quem já integra o line-up

Por Stella Rodrigues Publicado em 08/04/2011, às 11h54

Sharon Jones & The Dap-Kings: a ex-carcereira de voz potente e sua banda, que colaborou para o disco Back to Black, de Amy Winehouse, são uma das principais atrações

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Já faz tempo que o Free Jazz Festival, um marco no circuito de eventos musicais no Brasil e de nome conhecido no mundo todo, deixou de integrar a agenda de festivais do país. Porém, em 2011, grandes artistas do gênero musical voltam a se reunir em solo nacional com o BMW Jazz Festival (que tem em sua organização Monique Gardenberg, que também trabalhou no Free Jazz), que terá sua primeira edição nos dias 10, 11 e 12 de junho, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

Conforme Henning Dornbusch, diretor-presidente do grupo BMW, frisou em diversos momentos, em uma entrevista coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta, 23, no Hotel Fasano, na capital paulista, o evento estava sendo mantido em absoluto sigilo até o momento.

Na conversa com a imprensa, foram reveladas as atrações principais que farão parte do casting do festival. Estão escalados o saxofonista Wayne Shorter, que ajudou a compor a banda de Miles Davis; Sharon Jones, que canta acompanhada do grupo The Dap-Kings, mais conhecido por ter participado das gravações do álbum Back to Black, de Amy Winehouse; o grupo gospel Madison Bumblebees; a big band nacional Orkestra Rumpilezz, que inova em sua forma de fazer jazz ao misturar ao gênero batidas afro-brasileiras e os italianos do Funk Off Brass Band, entre outros (o line-up completo pode ser visto abaixo). Dessa lista, duas atrações, Sharon Jones e a Funk Off Brass Band, estão confirmadas para um show gratuito no Parque Ibirapuera no dia 12 de junho.

Devido ao fato de que o festival estava escondido a sete chaves desde sua concepção, muitos detalhes a respeito dele ainda não foram negociados e, portanto, não estão completamente definidos, a começar pelo preço. A produtora e diretora de cinema Monique Gardenberg, da Dueto Produções, que arquitetou o festival, explicou que o Auditório Ibirapuera costuma ter uma cota de 30% dos bilhetes custando R$ 30 e que o valor dos outros 70% ainda será debatido.

Outras atividades que farão parte do festival, como a exibição, ao ar livre, de filmes que têm o jazz como tema, exposições de fotos e workshops gratuitos com alguns dos artistas que fazem parte da lista de atrações também já estão confirmados (no entanto, a agenda dessas atividades ainda não foi divulgada).

Com a proposta de ser mais do que um evento para ouvir música, algumas providências foram tomadas para que o BMW Jazz Festival seja, acima de tudo, uma "experiência", conforme Monique definiu. A ideia, explica Dornbusch, é que o ambiente todo proporcione um espaço que mergulha os frequentadores no mundo do jazz. Uma das criações voltadas a propiciar esse clima é a organização de happy hours, ambientados no subsolo do Auditório Ibirapuera, onde atrações nacionais poderão se apresentar. E para manter a cidade toda imersa no clima do jazz, casas noturnas paulistanas serão contatadas para receber as canjas dos artistas que passaram pelo palco do BMW Jazz Festival. "Uma das coisas que a gente discutiu muito foi a questão da celebração. A ideia não era fazer, meramente, um festival com músicos, e sim criar um conceito musical e de evento que possa ser lembrado nos próximos anos. Algo que você tenha gostado não só musicalmente, mas que faça você lembrar do ambiente, da experiência que você teve nesses três dias. Isso desde os filmes apresentados, workshops, as conversas, a vinheta do filme, o happening, é uma celebração musical do estilo jazzístico, que gravita entre o flamenco, o tango, as raízes afro."

"A meta é [atingir] a juventude brasileira que assistir, for e participar do evento. [Quem for] vai ficar para o resto da vida com esse chip na cabeça, que vai se desenvolver", revela Zuza Homem de Mello, jornalista que atua como colaborador e curador do evento. "Esses jovens têm nas mãos o futuro da música popular brasileira. E a música popular brasileira depende disso."

"E é incrível, porque tem uma moçada nova, de 20 e pouquíssimos anos, que está toda ligada no jazz", complementa Monique. "E acho importante a gente aumentar isso. Potencializar ainda mais, trazer a atenção das pessoas para esse gênero", acrescenta ela.

No mais, foi esclarecido que o evento será dividido em três noites temáticas. Uma dedicada ao saxofone, um sonho de Zuza, que chama a ocasião de "saxorama"; outra de "raízes" do jazz e, a terceira voltada a um leque de novas propostas e inovações no estilo.

A princípio, a realização do BMW Jazz Festival acontece somente em São Paulo, mas não foi descartada a possibilidade de levá-lo também ao Rio de Janeiro, em anos próximos, e para outras capitais do Brasil. Inclusive, duas atrações do line-up da edição deste ano já garantiram que aproveitam a viagem para ir também ao Rio: Joshua Redman e Sharon Jones - datas e locais ainda serão definidos.

Veja as atrações escaladas para o BMW Jazz Festival 2011 e, na galeria acima, saiba mais sobre os artistas:

Billy Harper Quintet

Funk Off Brass Band

Joshua Redman

Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz

Madison Bumblebees of Winnsboro

Marcus Miller

Renaud Garcia-Fons

Sharon Jones & the Dap-Kings

Tord Gustavsen Trio

Wayne Shorter

Veja abaixo o vídeo exibido durante a coletiva de imprensa que lançou o festival: