Cannes 2013: Le Passé e Like Father, Like Son têm conflitos familiares que se diluem em personagens sem surpresas

Novos filmes de Asghar Farhadi e Hirokazu Kore-eda não superam expectativas no festival

Maria Fernanda Menezes, de Cannes Publicado em 18/05/2013, às 10h41 - Atualizado às 10h57

Cannes
Divulgação

De volta a Cannes, os diretores Hirokazu Kore-eda e Asghar Farhadi apresentaram dramas entre pais e filhos que ficaram na média entre boa filmagem e técnica versus roteiro sem surpresas e personagens carentes - desapontando um pouco após seus respectivos filmes anteriores, I Wish e A Separação (vencedor de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar e do Leão de Ouro do Festival de Berlim em 2012).

Le Passé (O Passado), de Farhadi é ambientado em Paris, aonde Ahmad (Ali Mosaffa) chega após quatro anos fora, a pedido de sua ex-mulher Marie (Berenice Bejo, de O Artista) para assinarem o divórcio. A trama bem escrita se desdobra ao entrarem em cena o novo marido de Marie, Samir (Tahar Rahim, de O Profeta) com o filho Fouad e as filhas do primeiro casamento de Marie, Lucie e Léa, na casa onde todos moram juntos.

Ahmad de repente vira o centro de um drama interminável sobre culpa, depressão, mentiras e falsidade após a revelação do suicídio da mulher com quem Samir é casado - presume-se que por ter descoberto seu caso com Marie. Os rumos do roteiro deixam claro para quem se deve torcer e qual pescoço deve ser torcido, apesar de reviravoltas na parte final.

Já o filme de Kore-eda, Like Father, Like Son, mostra um drama entre duas famílias - uma rica e moderna e outra pobre e provinciana - ao hospital no qual seus filhos nasceram comunicar que seus bebês foram trocados. Hoje com seis anos de idade, as crianças trocadas viram objeto da ganância de seus pais enquanto um longo processo contra o hospital é movido, sem levar em conta o que de fato interessaria: as próprias crianças.

Apesar da fofura incondicional dos pequenos orientais, o roteiro pode fazer o espectador pensar "por que não fica tudo como está?" - mas essa é uma alternativa que pouco agrada aos pais, que levam em conta a herança sanguínea e a semelhança que os garotos terão consigo quando mais velhos. As mães assumem um papel ao mesmo tempo submisso, porém confortador às decisões tomadas, mesmo que a vontade delas nunca seja considerada. O filme é interessante do ponto de vista dramático, mas se perde em ternura excessiva e reações tardias dos personagens.