Laura Jane Grace, cantora do Against Me!, fala sobre o primeiro ano como mulher

A roqueira comenta sua vida depois da transição de Tom Gabel a Laura Grace

Rolling Stone EUA Publicado em 14/04/2013, às 13h53

Laura Grace
Reprodução/Facebook Oficial

A vocalista do Against Me! conversou com a revista Cosmopolitan para falar sobre seu primeiro ano como mulher. Laura Jane Grace contou que passou dois anos pesquisando secretamente como fazer a transição para se tornar uma mulher, e assegurou à filha dela de que sempre “será seu pai”.

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Grace anunciou publicamente que era transgênera para a Rolling Stone EUA em maio do ano passado, apesar de a roqueira afirmar que sabia desde que era criança que queria ser uma mulher. Grace disse que quando tinha 13 anos, quando ainda era Tom Gabel, ela descobriu um item em uma enciclopédia a respeito de Renée Richards, tenista profissional e transgênero, que foi uma revelação para ela. "Era um textinho curto, mas eu li e reli. Toda vez que eu encontrava qualquer informação a respeito de alguém como eu, eu devorava", disse Grace. "As crianças me chamavam de bicha e batiam em mim. Eu gostava do fato de que a ideia do punk era lutar, em vez de aceitar."

Grace sempre quis ser mulher, mas ela nunca duvidou de sua sexualidade e namorava meninas no colegial. "Sempre fui atraída por mulheres. Nunca foi uma questão de sexualidade. Eu apenas sabia que se pudesse fazer um pedido de também poder ser mulher, eu teria feito esse desejo 100 vezes todos os dias.”

Ela tinha se comprometido a viver como homem depois que se envolveu com a esposa, Heather Hannoura, mas o estresse de uma experiência ruim com uma grande gravadora e o nascimento da filha deles, Evelyn, levou ao abuso de drogas e álcool, enquanto Grace sofria para lidar com sua identidade. “Eu estava anestesiada. Não conseguia compor, não conseguia produzir. Os sentimentos estavam me consumindo. Eu não conseguia mais viver essa mentira.”

Quando ela criou coragem para dizer a Heather que queria viver como uma mulher, foi um alívio para ambas. “Eu não sabia como Heather ia encarar. Ela disse algo do tipo: ‘Era só isso que você ia me contar?”. Ela me disse mais tarde que achou que eu fosse dizer que tinha sido infiel ou que queria o divórcio – o que teria sido pior para ela. Falou naquele momento – e continuou me dizendo – que não iria embora.”

Grace também compartilhou suas experiências com terapia e tratamentos hormonais, incluindo os olhares tortos que recebia no consultório do terapeuta e o esforço mental que foi se comprometer com os hormônios. "Passei muitas noites sem dormir antes desse momento, remoendo o que tinha decidido fazer", disse. "E se eu quisesse parar? Haveria um momento em que não poderia mais voltar atrás?” Apesar de seu corpo ter começado a se desenvolver, a voz dela continuará igual, sem cirurgia – algo com que Grace não se importa. "Gosto da minha voz para cantar”, ela disse.

Apesar de Grace dizer que sua filha se adaptou rapidamente à transição, a cantora afirma estar preocupada com o futuro da criança. "Eu me preocupo com o que vai acontecer quando Evelyn começar a frequentar a escola. Me preocupo que as outras crianças possam fazer piadas pelo fato de eu ser trans. Se bem que, para dizer a verdade, no que diz respeito ao que outras pessoas pensam de mim, eu digo ‘foda-se’. Essa é a lição que quero que minha filha aprenda: não importa o que as pessoas pensem, você tem que ser verdadeira com você mesma”. Eles têm uma relação muito próxima e que não ficou prejudicada em nada. "A única coisa que eu poderia fazer é garantir para ela que o que quer que aconteça, sempre serei o pai dela e sempre vou amá-la", disse.

Heather também conversou com a Cosmo, compartilhando suas ideias a respeito de como ela e Grace se reaproximaram. "Me partia o coração saber que ela estava passando por isso sozinha por tanto tempo. Eu não estava brava, porque não consigo imaginar o quanto foi difícil para ela depois de ter sido casada por seis anos", disse Heather. "Na minha cabeça, eu casei com uma pessoa por quem me apaixonei perdidamente. Laura ter se assumido me fez perceber, a respeito da minha própria sexualidade e ideias a respeito de gênero, que é tudo mais fluido do que aquilo que a sociedade apresenta... É bom saber que ainda estou evoluindo.”